





Compartilhar playlists é uma linguagem de amor para a supervisora musical Tiffany Anders (Pen15, Amigas para Sempre, Everything Sucks!). O mesmo vale para Lee Sung Jin (também conhecido como Sonny), showrunner de Treta, que separou uma extensa compilação de faixas quando começou a pensar no tom musical da sua série de humor ácido. “Eu também montei uma playlist e incluí ‘Built to Spill’, ‘My Bloody Valentine’ e outras faixas de rock indie dos anos 90. Como fãs de música, foi muito divertido ficar enviando canções um para o outro”, conta Tiffany ao Tudum.
Prepare-se para voltar aos anos 90 (e anos 2000, e até um pouquinho dos anos 2010) com as músicas da trilha sonora de Treta:
O-Town “Liquid Dreams” (2001)
Hoobastank “The Reason” (2004)
Collective Soul “Shine” (1993)
P-Lo “Same Squad” (2018)
Tori Amos “Cornflake Girl” (1994)
Steven Yeun e elenco “O Come to the Altar” (originalmente da Elevation Worship, 2015)
Incubus “Drive” (2000)
Sugar Ray “Fly” (1997)
Limp Bizkit “Nookie” (1999)
Morphine “Cure for Pain” (1993)
The Offspring “Self Esteem” (1994)
Shearwater “Natural One” (2013)
System of a Down “Lonely Day” (2006)
Steven Yeun e elenco “Raise a Hallelujah” (originalmente da Bethel Music, 2019)
Paula Cole “I Don’t Want to Wait” (1997)
Christina Aguilera “Genie in a Bottle” (1999)
Bush “Machinehead” (1996)
Steven Yeun e elenco “Amazing Grace” (letra de John Newton, por volta de 1779)
Keane “Somewhere Only We Know” (2004)
Grant Lee Buffalo “Mockingbirds” (1994)
Tad “Jinx” (1990)
Björk “All Is Full of Love” (1999)
The Smashing Pumpkins “Mayonaise” (1993)
Tiffany cresceu nos anos 90, assistindo às bandas daquela época tocarem ao vivo. Quando recebeu o pitch de Treta – que gira em torno de uma briga de trânsito entre duas pessoas solitárias de realidades sociais bem diferentes, o empreiteiro Danny Cho (Steven Yeun) e a empresária Amy Lau (Ali Wong) –, ela achou que a série seria ambientada naquela década.
Mas, ao ler o roteiro, percebeu que se passava nos dias atuais, e que as músicas deveriam trazer uma sensação reconfortante de nostalgia a esses personagens perdidos. “Sonny tinha essa ideia de usar músicas dos anos 90. A raiva e a angústia daquela era musical combinavam com a história e ajudavam a criar uma atmosfera alinhada ao que esses personagens estavam vivendo. Havia uma sensação real de apatia e solidão, um tom muito autoconsciente e confessional nas letras”, diz ela.
Mas a trilha sonora da série não se restringe aos anos 90, também tem hinos dos anos 2000 (como “The Reason” do Hoobastank) e alguns achados da década de 2010 que refletem aquela dor punk.
“A música do Hoobastank nos levou para um caminho diferente porque ela foi lançada em 2004, e Sonny queria muito manter o foco no início e meio da década de 90. Mas, quando vimos o primeiro episódio montado, todos achamos que ela se encaixava perfeitamente, tanto a letra quanto o som, além de dar um toque de humor à cena”, relembra Tiffany. Assim como na letra de “The Reason”, Amy e Danny se tornaram a razão de viver um do outro após passarem tanto tempo sem rumo. “Esse detalhe não passou despercebido por nenhum de nós”, continua.
🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐
Qual música estava prevista para o final do episódio 1 no roteiro original?
A que acabaram usando para o trailer, “Today” do The Smashing Pumpkins.
Alguma música que estava no roteiro permaneceu na versão final?
Acho que Sonny já tinha a música da Björk “All Is Full of Love” na escaleta antes mesmo de ter escrito os roteiros. A letra dialogava muito com o que estava acontecendo no episódio 9 e o ritmo também era diferente do resto do material, que tinha uma sonoridade mais grunge. Ela traz uma delicadeza, e nessa parte da série, as coisas começam a ficar um pouco mais sensíveis.
Você brigou para manter alguma música na série?
“Natural One”, da banda Shearwater, durante a cena de sexo entre Amy e Paul (Young Mazino) no episódio 5. E outros casos assim, quando a faixa não tinha tanto destaque quanto uma música de créditos finais, mas funcionava muito bem. “I Don't Want to Wait”, da Paula Cole, também foi marcante, e foi usada apenas no rádio do carro. Não vou entrar em detalhes sobre como a gente conseguiu pagar um pouco mais barato do que poderia ser, mas foi um bom gasto. Com Sonny, tudo é tão intencional que nós dois brigamos para manter essa música porque ela tem um toque de humor e todo mundo vai reconhecer de Dawson’s Creek.
Alguma faixa acabou ficando de fora?
Teve uma que não foi lançada nos anos 90 chamada “I Wanna Destroy You”, do The Soft Boys. Ainda acho que ela tem tudo a ver com a série, quem sabe se tiver uma temporada 2. Ainda penso em Treta quando ouço essa música.

“Drive”, do Incubus, é uma metáfora para o arco de Danny de querer muito ser “a pessoa atrás do volante” (“the one behind the wheel” em inglês), como diz a letra?
Com certeza. Sonny colocou Danny cantando essa música no roteiro desde o começo, o que me fez pensar: “Ah, não. Não faça isso”, porque aí o custo aumenta. Todas as minhas regras como supervisora musical foram jogadas pela janela nesta série. Mas, criativamente, funcionou e valeu muito a pena.
Qual foi a reação da equipe da Kelly Clarkson ao seu pedido para usar “Since U Been Gone” para as panelas de arroz?
Essa foi outra em que o meu alarme de supervisora musical disparou, e eu pensei: “Não podemos fazer isso”, mas fizemos. Foi preciso muita explicação de que seria usado apenas por um período de tempo específico e em uma panela de arroz.
Por que “Somewhere Only We Know”, do Keane, foi a escolha certa para o momento em que Amy e Danny chegam ao fundo do poço no episódio 7?
Sonny já tinha colocado essa música no roteiro, mas não tinha certeza de que estava dando certo. Tentamos algumas opções diferentes para a cena. Mandei para ele umas faixas do Oasis. Era um momento muito emocionante e a trilha precisava capturar essa intensidade. No fim, conseguiram fazer a música funcionar com a edição. Era uma que Sonny realmente queria manter, então acabou ficando.
“Mayonaise” (escrita incorretamente em inglês de propósito), do The Smashing Pumpkins, encerra a série. A música serve para confirmar que Danny e Amy são almas gêmeas?
Acho que Sonny já estava filmando antes de recebermos esse roteiro. Não sabíamos como iria terminar. Antes mesmo de me entregar o roteiro, Sonny falou que queria usar “Mayonaise” ou uma outra música instrumental. Ele me pediu para conseguir a liberação antes da filmagem para poder gravar a cena enquanto a música tocava. É raro eu receber pedidos assim, mas ele foi irredutível sobre querer que a câmera seguisse a música. Foi algo muito significativo para a gente. É uma ideia genial, e serve apenas para mostrar o quanto Sonny confia na música e em seu profundo amor pela música como ferramenta para criar suas histórias.
Treta já está disponível na Netflix.









































































