





🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐
Em Treta, a arte também é uma personagem.
Sim, sabemos que essa ideia pode parecer pretensiosa, mas a maneira como a arte, em forma de arquitetura, móveis sofisticados e cerâmicas esquisitonas, é criada e mercantilizada tem um papel importante para contar como a raiva e a alienação de Amy (Ali Wong) e Danny (Steven Yeun) vão ficando cada vez mais intensas.
De cadeiras chiques e nada práticas a uma coleção de adereços de cabeça cheios de apropriação cultural, todas as obras de arte que aparecem na série têm seu significado. O Tudum conversou com a diretora de arte Grace Yun para saber qual foi a inspiração para as principais obras dessa história, e ela explicou que foram as “conversas profundas sobre a construção dos personagens” com o showrunner Lee Sung Jin.

George (Joseph Lee), marido de Amy, esculpe vasos de cerâmica cheios de protuberâncias em seu estúdio particular (o porão da casa). Na série, seu falecido pai foi o artista que criou a lendária cadeira Tamago.
Quem fez as esculturas de George?
O departamento de arte criou todas elas internamente. Desde o início, Sonny e eu pensamos que essas formas de bolhas amorfas representavam a forma como George leva a vida sem nenhuma preocupação nem restrição. Ele é livre, leve e solto, e aceita tudo o que acontece ao seu redor. Encontrei um cartaz com posições de ioga abstratas e baseamos as esculturas nelas. Começamos a dar apelidos às obras, tipo “O Dinossauro” ou “O Cachorro”. É um jeito divertido de responder à pergunta “O que o George faria com massinha de modelar?”. A arte vem desse lado infantil dele.
Por que vocês decidiram que George seria escultor?
Amy fez muitas escolhas cheias de critérios para a decoração da casa, e o estúdio no porão é o espaço em que ela permite que George [George’s] se solte, faça bagunça. Queríamos mostrar que ele produz bastante, mas não vende muito e não leva tanto jeito com o aspecto comercial, assim como o pai. George tem tempo livre de sobra, e isso provoca um certo ressentimento e inveja em Amy.
Joseph Lee criou alguma das esculturas?
Não, mas ele é artista de verdade. Ele pinta quadros incríveis, por isso foi capaz de valorizar e entender o processo complexo pelo qual o personagem passa na série.
Como vocês mostraram a evolução da arte de George depois do salto temporal?
Sonny e eu partimos do princípio de que ele tinha sido magoado por Amy. Para passar a impressão de que ele estava desgastado e tinha amadurecido, queríamos que ele experimentasse diferentes tipos de esmalte e incorporasse cores que lembram a pátina de algo queimado em alta temperatura. São peças bem maiores penduradas pela casa, refletindo que a presença dele ficou mais marcante. Ele deixou de ficar restrito ao porão.

Amy e George vão a uma exposição em que a cadeira Tamago do pai dele está em destaque, entre outras cadeiras artísticas.
Eram mesmo 65 cadeiras? Como elas foram selecionadas? Eram 100 no conceito original, mas queríamos ter espaço suficiente ao redor de cada uma. Analisamos vários tipos de cadeiras de muitas épocas, então parecia uma coleção eclética de estilos de design. Às vezes, escolhíamos alguma só porque achávamos graça. Aquela azul peludinha que parece o Come-Come da Vila Sésamo era uma delícia para fazer carinho.
Quais foram os critérios para criar a cadeira Tamago?
A ideia era que ela tivesse um toque de impossibilidade, porque era feita de pedra, com formato de ovo e três pernas. Também queríamos que fosse algo engraçado, mas com um design simples. Criamos alguns protótipos para ter certeza de que realmente dava para se sentar nela e manter a estampa traseira visível sem chamar tanta atenção. O protótipo começou mais geométrico e depois assumiu uma forma de concha.

Jordan (Maria Bello) mora em uma mansão moderna, daquelas que encontramos em revistas de decoração. Está cheia de obras selecionadas, que só uma pessoa podre de rica poderia ter.
Como a casa de Jordan reflete a personalidade dela?
Jordan vê a casa como um museu particular. Olhando revistas de decoração, a produtora de objetos e eu pensamos que seria engraçado usar peças de mobiliário que não fossem convidativas, mas sim exclusivas o suficiente para despertar o interesse da personagem. E, com a sala das coroas, Sonny e eu nos aprofundamos bastante no tema da curadoria privada e da apropriação cultural.
Vocês fizeram as portas deslizantes de madeira?
Encontramos um espaço, a House of the Book, no alto de uma colina em Brandeis, na Califórnia. Durante a exploração, descobrimos que havia salas que se abriam automaticamente. Foi a primeira locação que vimos que combinava com a personagem.
Como vocês selecionaram a coleção de coroas?
Nossa ideia era fazer as 16, mas não conseguimos por causa do orçamento. Fizemos uma que era importante para o roteiro, o cocar dourado que lembra um pássaro com brincos de uma antiga cultura peruana. Conseguimos as outras coroas em lojas de adereços. Não queríamos que as referências culturais fossem necessariamente anglo-saxônicas, já que Jordan é uma apropriadora cultural; era importante termos peças da Ásia ou da América do Sul também. Minha favorita é aquela que Amy coloca na cabeça, a Marge Simpson. Todo mundo queria experimentar as coroas quando estávamos decorando o set [set]. Então, na gravação do episódio 9, parte do elenco teve a ideia de usá-las durante o roubo.
Esta entrevista foi editada para maior clareza e concisão.
Treta está disponível na Netflix.






















































































