





🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐
Ao longo dos 10 episódios de Treta, as consequências impensáveis de um explosivo barraco no trânsito se desenrolam em meio a mansões, apartamentos e, naturalmente, ruas congestionadas do sul da Califórnia.
Criada por Lee Sung Jin, a comédia dramática é estrelada por Ali Wong e Steven Yeun como Amy Lau e Danny Cho, dois completos desconhecidos que ficam obcecados por dar o troco depois que uma briga em um estacionamento evolui para um duelo de intimidação no trânsito. Enquanto os ressentimentos de Amy e Danny ficam cozinhando em fogo baixo, misturados às muitas frustrações do dia a dia, a rivalidade leva os dois a situações que eles jamais imaginaram.
Coube ao produtor de locação Michael Percival encontrar esses lugares e concretizar a visão bem específica de Lee sobre o sul da Califórnia. Com exceção de alguns interiores filmados em estúdio, “a série inteira foi filmada em locação, principalmente no Vale de São Fernando e na Koreatown [LA’s] de Los Angeles”, contou Percival ao Tudum. E tem mais: tudo foi filmado na Califórnia, até mesmo a sequência ambientada em Las Vegas. “Estávamos procurando algo bem californiano”.


Ao lado de sua equipe (que Michael faz questão de dar os devidos créditos: os assistentes principais de locação Cecil “Ces” Hardy, Joanne Harris, David Henke, Maitland Hennessy, Hannah Kozak, Robert W. Sterrett III e o assistente de locação Jake Hornsby), Michael vasculhou a região em busca de locais adequados para as filmagens. Um dos espaços mais centrais é a casa de Amy, que funciona como uma extensão da personagem, uma fonte de diversos conflitos e cenário de várias cenas marcantes.
Lee deu uma foto do tipo de casa que queria para a equipe de locações. “Conseguimos encontrar a casa”, relembra Michael, que fica na região oeste do Vale, na Califórnia. O proprietário não permitiu filmagens no imóvel, mas a equipe conseguiu garantir a casa duas portas ao lado para cenas externas. As necessidades da produção para o interior da casa de Amy eram tão específicas que a equipe decidiu construir o ambiente em um estúdio. “Procuramos uma casa que tivesse todos os elementos de que precisávamos, [needed] mas não conseguimos encontrar tudo em um só local”, explica Percival.

A tarefa de construir tudo do zero ficou com a diretora de arte Grace Yun, que precisava expressar por meio da casa o gosto de Amy, uma empresária batalhadora, artística, cheia de ambições, além de seu estado mental um tanto conturbado. “Ela tem uma certa visão para a própria vida. Tudo precisava parecer cuidadosamente pensado”, diz Grace (que também confirma que sim, o piso era mesmo de carvalho). “Eu queria conseguir algumas coisas: o espaço precisava parecer aberto, mas ao mesmo tempo fechado em si mesmo, quase como uma prisão. Na verdade, não há curvas ali. São apenas linhas retas e perpendiculares. E ela nem tem uma área externa de verdade, porque o pátio leva a outro ambiente interno”.
“Queríamos criar vários campos de visão que continuassem levando o olhar para dentro da própria casa”, continua Grace. “Então existe essa sensação de: ‘sim, é um ambiente aberto bonito, mas ao mesmo tempo você se sente meio enclausurado.’ Dá para ficar andando em círculos lá dentro, se pensar bem”.


À medida que a rivalidade entre Amy e Danny sai de controle, o contraste entre os personagens e seus mundos fica cada vez mais intenso. “Para a equipe de locações, um dos desafios mais interessantes e divertidos foi encontrar lugares bem diferentes para Danny e Amy”, diz Percival. Enquanto “o universo de Amy é elegante, impecável e feito para causar desejo”, o de Danny é “bem mais bruto”.
Localizado no Vale de São Fernando, o condomínio de Danny “tem quase uma atmosfera institucional”, diz Percival, destacando que o diretor de fotografia Larkin Seiple “conseguiu usar a rigidez e os ângulos daquele lugar para mostrar melhor quem é Danny [Danny’s] e de onde ele vem”. Sobre a direção de arte do interior do apartamento, Grace diz que a equipe “queria [it to] que ele transmitisse uma sensação de aprisionamento, mas de uma forma diferente” da casa de Amy, “de uma forma muito mais apertada e claustrofóbica”.


Outro destaque é a mansão imponente de Jordan, que aparece em poucas cenas, mas todas de grande impacto. [Jordan’s] “Ela é uma personagem excêntrica, única e poderosa, e a casa precisava refletir isso”, diz Percival. Ao visitar locações com sua equipe para outra cena, ele percebeu que estavam perto da House of the Book da American Jewish University, em Simi Valley, e sugeriu que fossem conferir o lugar.
“Assim que entramos, o impacto foi praticamente imediato”, diz ele sobre o prédio deslumbrante, que já apareceu em muitos filmes e séries, além de funcionar como espaço acadêmico e sala de espetáculos. Agora, ele também aparece em Treta. [It] “O lugar oferece várias estéticas diferentes, e a estrutura, com salas redondas, pés-direitos altíssimos e curvas, já impressiona [drama] só pela arquitetura”.


A visão que Lee tinha para o sul da Califórnia não se limitava aos prédios. A equipe de Percival também ficou responsável por encontrar locações essenciais nas áreas ensolaradas ao ar livre de Los Angeles, como o terreno vazio que Danny espera comprar para construir a casa dos pais. “Tinha que ser um pedaço de terra que passasse aquela sensação de terreno dos sonhos com vista para o mar, simbolizando a vida que Danny queria oferecer aos pais”, diz Percival. Depois de procurar “pelas encostas de Malibu e pelas montanhas de Santa Monica”, a equipe encontrou um terreno vazio em Malibu, em uma área duramente atingida pelo devastador incêndio de Woolsey em 2018. O lugar tinha as vistas deslumbrantes necessárias, mas também era dinâmico o bastante para servir a vários momentos da história conforme a relação de Danny com aquele espaço evolui.


Por fim, a locação favorita de Percival no projeto foi uma das primeiras da série: o jardim que Amy e Danny destroem durante o momento de fúria na briga de trânsito que dá início a tudo. Por mais simples que pareça, o local tinha requisitos específicos. “Precisava ser em um terreno de esquina e, além disso, em uma esquina específica daquele cruzamento por causa da iluminação”, relembra Percival. Sem contar, claro, que precisavam encontrar um proprietário que não se importasse com uma caminhonete e uma SUV passando em alta velocidade pelo gramado. Felizmente, o dono já estava planejando refazer todo o paisagismo, “então não tivemos que arrancar um monte de coisas bonitas para depois tentar refazer tudo”, diz Michael. “O departamento de arte de Grace fez um trabalho maravilhoso ao criar o belo jardim que é destruído”.
Com colaboração de Tara Bitran.












































































