





Aos treze anos, Stacy Friedman (Sunny Sandler) já está planejando o seu bat mitzvá com sua melhor amiga Lydia (Samantha Lorraine) há uma eternidade. Ela já sabe tudo de que precisa: um tema (Nova York, óbvio), as melhores comidas (Lydia vai cuidar da mesa de doces), o cara mais lindo da escola do seu lado, Andy Goldfarb (Dylan Hoffman) e, o mais importante de tudo, uma playlist incrível tocada pelo DJ Schmuley (Ido Mosseri), celebridade judia local.
Claro que ensaiar a haftará e escolher o projeto de mitzvá também fazem parte do pacote. Mas o que Stacy realmente quer dos pais, interpretados por Adam Sandler, pai de Sunny na vida real, e Idina Menzel, é ajuda para fazer um bat mitzvá inesquecível. Mesmo que o pai não faça a menor ideia do que essa garotada vê no tal DJ Schmuley.
O filme fala de experiências universais: morrer de vergonha dos pais e ter uma irmã que é a única pessoa que entende você, brigar com a melhor amiga por causa de um garoto e ir descobrindo aos poucos quem você é. Ao mesmo tempo, a identidade judaica está no centro da história. E existe escolha mais perfeita para uma trilha dos sonhos do que ter Este Haim (sim, do HAIM) assinando a composição? “O HAIM representa muita coisa que está no coração de um bat mitzvá: amizade, família, irmandade, judaísmo, feminismo, vulnerabilidade e expressão criativa”, conta Sammi ao Tudum.
A trilha de Este Haim, criada em uma parceria de longa data com Amanda Yamate, com quem já trabalhou em Justiceiras de 2022, traduz bem aquela sensação de que, aos 13 anos, tudo parece acontecer em intensidade máxima, inclusive tomar as próprias decisões, acertar, errar e aprender com elas. “Quando conversamos sobre criar uma trilha que acompanhasse os altos e baixos de uma garota de 13 anos, Sammi falou em algo sonhador, meio vertiginoso, com a cabeça nas nuvens. Todo mundo concordou que uma paleta de sintetizadores etéreos, combinada com camadas de pop desconstruído, capturaria muito bem essa sensação”, conta Amanda.
A seguir, Sammi, Este e Amanda contam ao Tudum como criaram a playlist e a trilha perfeitas para acompanhar a turbulenta jornada de amadurecimento de Stacy.
Qual música não poderia faltar no filme para representar a idade de Stacy e tudo o que ela está vivendo?
SAMMI COHEN: A ideia era que as músicas do filme parecessem uma playlist feita pela própria Stacy. Então, para mim, todas eram indispensáveis. Mas, se tivesse que escolher uma, seria “traitor”, da Olivia Rodrigo.
Como vocês escolheram as músicas que o DJ Schmuley tocaria? E como você descreveria o estilo dele?
SAMMI: A gente já tinha uma playlist para o filme antes mesmo de começar as filmagens, e muitas das músicas que Schmuley toca vieram direto dali. Ele entende dos clássicos, mas também sabe muito bem o que está bombando. O gosto pessoal é bem eclético, só que, quando assume as pick-ups, prefere tocar para agradar a galera. No fundo, é uma criança grande que sabe se divertir.
Este e Amanda, vocês já trabalharam em Justiceiras, outro filme sobre as dores e delícias da adolescência. O que fez vocês quererem trabalhar novamente neste projeto? E o que essas histórias despertam em vocês do ponto de vista musical?
ESTE HAIM: Eu e Amanda nos damos muito bem. Temos sensibilidades muito parecidas e quase sempre concordamos sobre o que soa legal e o que não funciona. Amanda tem um gosto musical incrível. Como temos uma amizade na vida real, fazer outro filme sobre amizade pareceu a escolha mais óbvia do mundo. E ainda ganhamos uma desculpa para conviver mais.
AMANDA YAMATE: Como dupla de composição, eu e Este nos identificamos muito tanto com a história quanto com a proposta musical. Sempre que começávamos a trabalhar em uma nova faixa para uma cena, acabávamos contando histórias de experiências parecidas que tivemos na adolescência, algumas hilárias, outras aterrorizantes, e usávamos essas lembranças para descobrir que emoção a música precisava acrescentar. Como adoramos essa direção musical, compor foi muito divertido. A gente ia para o meu Juno-106, o Moog One ou o baixo Fender P e ficava experimentando até encontrar os acordes e timbres que combinavam com a cena. E Este é uma baterista e percussionista incrível, então foi muito divertido gravar toda aquela energia na faixa “Tense Meet”.
Como vocês traduziram em música os altos e baixos de ter 13 anos, quando tudo parece ser a melhor coisa do mundo ou uma tragédia absoluta?
ESTE: Depois de ouvir MUITA coisa que eu escutava na época da escola, percebi que boa parte dessas músicas continua na minha playlist até hoje. As músicas da minha infância ainda são uma enorme fonte de inspiração para mim. E eu estaria mentindo se dissesse que não voltei aos meus diários de 1999 para buscar algumas ideias também. Aos 13 anos, eu era MUITO dramática.
AMANDA: Aos 13 anos, tudo parece intenso, mas também existe uma inocência nessas experiências que ainda são tão novas. A ideia era usar melodias cintilantes, baixos pulsantes e acordes acolhedores para potencializar momentos essenciais dessa fase: sentir aquele frio na barriga perto de quem você gosta, a euforia de ter a melhor ideia de todas ou o conforto de fazer as pazes com a melhor amiga.
O que inspirou você a incluir a música“Now I’m In It” da HAIM no filme? Por que essa música funcionou tão bem nessa cena?
SAMMI: Se a ideia é procurar verdadeiras lendas judaicas, o HAIM é imbatível. Elas são musicistas absurdamente talentosas, ícones da comunidade judaica e referências para uma geração moderna, que pensa à frente do seu tempo. Eu sabia que o filme precisava ter pelo menos uma música delas, e esta encaixou perfeitamente. Mérito também do nosso editor, Brian Robinson, que escolheu o momento certo para colocá-la.
Essa música, em especial, tem um tom ao mesmo tempo reflexivo e esperançoso, que combina perfeitamente com o momento de Stacy. A música impulsiona a história, enquanto a letra acompanha a jornada interior dela, falando sobre uma amizade rompida e a tentativa de encontrar o caminho de volta. Stacy ainda não sabe como fazer as pazes com Lydia, mas entende que precisa começar a se concentrar em fazer o melhor que pode e em se tornar a melhor versão de si mesma. É uma música incrível e ajuda a passar a sensação de que um novo capítulo está começando no filme.
“Cha Cha Slide” era indispensável no bat mitzvá da Stacy?
SAMMI: Tem coisas que simplesmente nunca mudam em um bat mitzvá, e “Cha Cha Slide” é uma delas. O sucesso do DJ Casper tinha que estar no filme. Todo judeu sabe que um bat mitzvá não fica completo sem “Cha Cha Slide”. Para mim, o filme também não ficaria.
Ouça a playlist inteira no Spotify ou na Apple Music e confira as faixas abaixo:
Leah Kate “10 Things I Hate About You”
Icona Pop, Charli XCX “I Love It (feat. Charli XCX)”
Desire “Under Your Spell”
Rick Derringer “Rock and Roll, Hoochie Koo”
Lady Gaga “Stupid Love”
Saint Motel “Preach”
Tiësto, Icona Pop “Let’s Go”
Dua Lipa “Don’t Start Now”
WILLOW “Wait a Minute!”
GROUPLOVE “Tongue Tied”
Remi Wolf “Monte Carlo”
Santigold “Valley of the Dolls”
Fire Choir “Obxessed”
Healy “Nikes On”
Arkells, Cold War Kids “Past Life”
Olivia Rodrigo “traitor”
Sleigh Bells “Riot Rhythm”
GAYLE “abcdefu”
The Happy Fits “Hold Me Down”
Selena Gomez, Marshmello “Wolves”
blackbear “hot girl bummer”
Doja Cat “Say So”
Beach Bunny, Tegan and Sara “Cloud 9 (feat. Tegan and Sara)”
HAIM “Now I’m In It”
Weezer “A Little Bit of Love”
Radiant Baby “Réputation”
Gus Dapperton “Post Humorous”
Pitbull, Play-N-Skillz “Party of a Lifetime”
DJ Casper “Cha Cha Slide”
HOLYCHILD “Over You”
Commodores “Easy”
Venha dançar com Stacy e seus amigos na estreia de Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá! dia 25 de agosto.
Esta entrevista foi editada para maior clareza e concisão.






















































