





A criadora de Heartstopper Alice Oseman faz ilustrações que ajudam a dar o tom dessa série sobre amadurecimento graças a rabiscos que acompanham os momentos mais importantes dos personagens. É possível ver esses adolescentes britânicos se apaixonando — e a compositora Adiescar Chase também quer que você sinta isso. Por isso, ela criou uma sonoridade tão vibrante e cheia de emoção para você sentir fisicamente as mesmas emoções junto com os personagens.
“É possível sentir o coração bater forte e todo aquele frio na barriga que vai e volta quando você vê a pessoa amada, além desse ímpeto constante de seguir em frente, de crescer”, conta Adiescar Chase ao Tudum.
A temporada 2 de Heartstopper segue acompanhando a jornada do novo relacionamento de Nick (Kit Connor) e Charlie (Joe Locke), os desafios inesperados de Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell), e Tao (William Gao) e Elle (Yasmin Finney) explorando uma amizade que se transforma em algo mais. Entre provas, uma viagem escolar a Paris e os preparativos para o baile de formatura, essa turma encara uma nova fase da vida, do amor e da amizade.
A seguir, Adiescar Chase leva o Tudum a alguns dos maiores momentos musicais da temporada, dos temas românticos de cada casal até a viagem do grupo para Paris. Continue rolando a página para conferir a trilha da segunda temporada, que traz canções marcantes de Taylor Swift e Carly Rae Jepsen.

Tem um tema para cada personagem ou casal da série?
O principal tema da primeira temporada era o de Nick e Charlie. É a primeira faixa da trilha sonora, e eu queria que fosse bem simples, mas inesquecível. Toda vez que essa música toca, ela nos leva de volta ao momento em que eles se conheceram e àquela primeira sensação. A partir daí, sempre que uma faixa ligada a Nick e Charlie ou até mesmo a outros personagens transmitia a mesma energia daquele primeiro encontro, eu podia incorporar essa sonoridade à música.
Outro dos meus temas favoritos é o de Ben, chamado “X” na trilha sonora. Ele tem um som bem áspero, marcado por batidas secas que até remetem ao próprio Ben, pelo visual e pela forma como o jeitão dele nos atinge em cheio. Adoro essa energia incisiva da música e continuei trabalhando esse tema ao longo da temporada.
Tao e Elle têm um tema mais definido na temporada 2, que provoca um frio na barriga, mas é alegria pura. É uma delícia. Sempre que você vê alguém que se refere à pessoa com quem se relaciona como sendo sua melhor amiga, é isso que está na base de vários relacionamentos incríveis.
Tara e Darcy viveram um momento importante no final da temporada. Como é o tema delas?
Eu adoro esse tema. Quando compus a trilha da temporada 1, queria incluir vocais, mas não queria que eles estivessem associados a um gênero específico. Não se trata de gênero. Pessoas são pessoas. Todo mundo sente e vive emoções, e cada pessoa se identifica de uma forma diferente. Como me identifico como mulher, tenho uma voz feminina e, quando canto, minha voz soa feminina. Então, na hora de gravar, tentei cantar de um jeito mais neutro para que qualquer pessoa pudesse se reconhecer.
Mas, no tema de Tara e Darcy, senti que finalmente pude imprimir minha voz. É como se fosse a voz das duas, na verdade. O relacionamento delas é de acolhimento. Uma sempre pode contar com a outra. É essa rede de apoio que uma é para a outra. Elas ainda estão descobrindo o que sentem e aprendendo em quem podem confiar, tanto entre si quanto nos amigos. Por isso, o tema delas fala desse desejo de compreender quem a outra pessoa é, de aprender a entender o que está acontecendo e de estar ao lado dela, oferecendo conforto e apoio.
O anseio, o frio na barriga… É divertido olhar para isso de novo na fase adulta, mas, naquela época, parecia mesmo a pior coisa do mundo.
Sim, é aquela sensação de ficar tão encantada por alguém que parece que vamos explodir. Acho que os adultos conseguem lidar com isso com um pouco mais de equilíbrio, mas ainda acredito que, seja qual for a idade, qualquer um de nós pode se apaixonar perdidamente e sentir um desejo enorme de estar perto da outra pessoa, nem que seja só para conversar. É muito gostoso.

Nós vamos a Paris em alguns episódios desta temporada. Você incorporou alguma influência parisiense ou francesa?
Tive conversas com o diretor sobre isso. Criei um tema para a viagem a Paris, e foi uma das faixas mais desafiadoras de compor. O principal objetivo de qualquer música da trilha é garantir que ela dialogue com o que os personagens estão sentindo naquele momento. Então, a ideia era: “Estamos viajando pela França. É legal, é empolgante, a energia está lá em cima”. E eu queria incluir alguns elementos franceses sem exagerar e pus algumas referências na música, mas fico curiosa para saber se alguém vai perceber! Vou dar uma dica: é uma instrumentação específica presente ao longo da faixa e que fica mais proeminente em certos trechos, mas que também passou por muito processamento. Lembra um pouco um sintetizador, mas é outra coisa. E é só isso que vou dizer.
Ah, um easter egg.
Eu não queria que as pessoas escutassem e pensassem: “Nossa, ela colocou elementos franceses só porque eles estão na França”. A música do mundo inteiro é maravilhosa de explorar e, quando a história se passa em determinado lugar, é legal sentir aquela atmosfera. Mas não vou fingir que sou uma compositora francesa.

Quais foram alguns dos principais momentos que você quis destacar nesta temporada?
A ideia era que a temporada como um todo transmitisse uma sensação de frescor, de novidade e evolução, mas sem deixar de soar como Heartstopper. Por isso, vários temas da temporada 1 retornam, mas de outro jeito. Não teve nada de copiar e colar. Não sou esse tipo de compositora. Também tem várias faixas novas.
Uma das cenas que eu mais estava ansiosa para compor era a de Nick e Charlie brincando um com o outro no quarto do hotel, daí o clima esquenta. A série não é sobre sexo, não é apelativa. Ela fala sobre revelar diferentes lados de si mesmo. Quando você está em um relacionamento, vai quebrando aos poucos certas barreiras e conhecendo cada vez mais a outra pessoa. E isso é bonito, mesmo quando a relação passa a ser mais sexual. O que Nick e Charlie vivem não é algo explícito, e sim um amadurecimento, e eu queria que a música transmitisse isso.
Quando vou compor, costumo me sentar em frente ao computador e abrir todos os instrumentos virtuais, fico cercada pelos meus instrumentos, e aí vou tocando e produzindo, mas, desta vez, peguei meu teclado e simplesmente toquei alguns acordes. Eles são bem maduros, muito bonitos. Depois, fui experimentando diferentes timbres no sintetizador até encontrar um som quente, que vai se transformando à medida que a nota é prolongada. A partir daí, fui acrescentando efeitos e outras camadas. A progressão dos acordes é o coração da composição, mas tudo que acontece ao redor está em constante movimento e evolução. É algo acolhedor, mas que se expande. Fia algumas partes fora do tempo de propósito porque, quando a gente vive esse tipo de experiência, ninguém sabe o que está fazendo. Não existe perfeição, mas há beleza nessa imperfeição. Existe beleza em sentir um pouco de vergonha ou insegurança por achar que as coisas talvez não saiam lindas e perfeitas, mas você não está nem aí. Você só curte o momento. Essa faixa soa muito natural, mesmo tendo sido criada com tantos sintetizadores. Fico empolgadíssima quando falo dessa composição. Ela significa muito para mim.
Como sua trilha sonora dialoga com as músicas incríveis da temporada, como a cena do baile em que toca Carly Rae Jepsen ou o momento de Tara e Darcy ao som de Taylor Swift?
As canções comerciais que eles escolhem para a série se encaixam muito bem. Acho que a equipe já tinha em mente um determinado estilo musical, mas queria muito que eu criasse algo original, novo e que fosse a cara de Heartstopper. Por conta da maneira como Alice Oseman criou os quadrinhos e das conversas que tive com a equipe, acho que fui absorvendo instintivamente a atmosfera da série e entendendo qual deveria ser a identidade sonora. Na temporada 1, em especial, sempre me preocupei em fazer com que a trilha ajudasse a complementar as canções comerciais, mas isso tem mais a ver com ritmo, tonalidade e tempo. O timbre em si e a sonoridade da música acabaram se encaixando de forma muito natural. E, como essa combinação funcionou tão bem na temporada 1, seguimos pelo mesmo caminho na 2, só que de uma forma renovada e mais madura.

Ouça aqui a trilha sonora de Adiescar Chase para a temporada 2 de Heartstopper. Confira a playlist oficial de Heartstopper no Apple Music e no Spotify. Abaixo, as faixas da temporada 2 de Heartstopper.
A temporada 3 de Heartstopper está confirmada.










































































