




A jovem estrela sabe como é importante aceitar a própria individualidade.
Evie Templeton sempre ganha um show grátis de fogos de artifício no próprio aniversário, mesmo não querendo. Nascida em Barbados, ela ganhou o nome Evie porque veio ao mundo bem na véspera de Ano-Novo (ou New Year's Eve, em inglês). Ou seja: ela começa um ciclo novo de vida junto com o calendário. “Por isso, eu sempre ganho fogos de artifício no meu aniversário. Bom, pelo menos eu finjo que são para mim”, diz a atriz.
A adolescente, que ganhou fama no mundo todo com a temporada 2 de Wandinha, está curtindo várias experiências novas desde a estreia do volume 1, em 6 de agosto, e do volume 2, em 3 de setembro. É o primeiro papel importante da carreira dela, a primeira sessão de fotos e, bem no mesmo dia em que encontra a nossa equipe em um barzinho na cidade onde mora, perto de Londres, para dar sua primeira entrevista mais profunda sobre a série (e a personagem que precisou manter em segredo durante vários meses), ela vai ao baile de formatura do colégio.
Mas o baile pode esperar. Ela vai com as amigas, vai deixar os cabelos soltos, bem lisos e vai botar pouca maquiagem. Ela tem um vestido azul-marinho lindo, longo, com bordados brilhantes no corpete estruturado, pendurado na casa dela e prontinho para vestir. O baile é esta noite, e sim, ela está empolgada, mas está ainda mais empolgada para finalmente falar de Wandinha.
“Às vezes, é um pouco difícil equilibrar as coisas, mas tenho uma rede de apoio incrível. É muito bom ainda ter uma vida ‘normal’, pelo menos por enquanto. Se bem que, sinceramente, acho que não existe só um ‘normal’. É diferente para cada pessoa”, diz Evie.
Não demora muito para percebermos que Evie é uma garota muito madura. Sua atuação marcante na temporada 2 de Wandinha como Agnes DeMille, a stalker excêntrica e deliciosamente desequilibrada que acaba se tornando uma aliada valiosa, não poderia ser mais diferente da energia dessa jovem estrela na vida real.
Agnes é impulsiva, carismática e intimidante — além de perigosa. São elementos deliciosos, e o público com certeza vai adorar. Já Evie é ponderada, tem a voz suave, é extremamente inteligente e, mesmo com o senso de humor afiado e o riso fácil, sua presença transmite uma seriedade que vai muito além de seus 16 anos. “Sou extrovertida com a família e meus amigos mais próximos, mas, no geral, sou um pouco mais introvertida”, ela diz.

A atriz prefere café ao chá, doces a salgados (principalmente chocolate), cachorros a gatos, o verão ao inverno (ela morou em Barbados até os 7 anos, por isso adora o calor e o surfe), o campo à cidade grande (embora seja fã de teatro e sonhe em morar em Nova York um dia), e calças jeans a saias. Meio envergonhada, ela diz que seus primeiros crushes foram Jacob Elordi em A Barraca do Beijo e Theo James na franquia de filmes da Série Divergente. Um gosto impecável.
Evie também tem interesses variados. Alguns são bem contemporâneos — por exemplo, ela adora Billie Eilish, Noah Kahan e Lizzy McAlpine. Também acabou de terminar Sereias e a temporada mais recente de As Cheerleaders do Dallas Cowboys. Mas ela também curte uma cultura pop mais antiga, com gostos que chegam a ser surpreendentes. Por exemplo, ela adora Gilmore Girls, a franquia Missão: Impossível e grandes filmes da década de 1990, como O Último dos Moicanos, O Fugitivo e Lendas da Paixão. Todo Natal, ela e a família assistem a todos os filmes de Indiana Jones (o favorito dela é Os Caçadores da Arca Perdida). As músicas que ela mais gosta de cantar no karaokê são “Dancing Queen”, do ABBA, e “Don’t Look Back in Anger”, do Oasis. Toda noite, antes de dormir, ela precisa assistir a um episódio de Friends.
“Não consigo dormir se não fizer isso”, conta ela, explicando que escolhe sempre episódios aleatórios. “Gosto de variar, misturando as temporadas mais antigas e as mais recentes”.
Aproveitamos para perguntar sobre uma das maiores polêmicas da série: se Ross e Rachel estavam mesmo dando um tempo. Aí, ela fica séria. “Vamos examinar esse assunto”, diz ela, juntando as mãos e fingindo reverência. “O que Ross fez foi totalmente errado. Estou com Rachel nessa, ainda mais porque sou fã da Jennifer Aniston. Mas os dois perderam tempo demais. Eles deveriam ter voltado a namorar mais rápido. Eles precisavam deixar o passado para trás e seguir em frente, porque são perfeitos juntos”. Então, abre um sorriso. “Não é para rir, essa é uma questão séria. Muito séria”. Essa cena representa perfeitamente o charme e a maturidade de Evie, e talvez sua capacidade de interpretar personagens complexos, como Agnes DeMille, de um modo que traz nuance e empatia, bem como uma leveza animadora.
Para Evie, o que assistimos na infância tem muita influência na nossa personalidade. E esse é um dos motivos pelos quais ela adora Wandinha. “Acho que assistir a filmes, especialmente aqueles que abordam temas mais complexos, definitivamente nos ajuda a entender melhor o mundo. Também nos leva para fora da nossa bolha. Isso nos torna pessoas mais empáticas, compreensivas e perspicazes.”
Apesar de ser introvertida, Evie sempre gostou de atuar, desde que era criança. Ela tem uma irmã seis anos mais velha que é bailarina profissional e, como muitas caçulas, absorveu os interesses da mais velha: andar a cavalo, uma quedinha por roupas de brechó, a paixão por discos de vinil (além de Billie Eilish, Evie adora Elvis Presley, Nina Simone, Etta James e Billy Joel) e até o gosto por livros (alguns dos favoritos dela são Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, Rebecca: A Mulher Inesquecível, de Daphne du Maurier, a série Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, e Mentirosos, de E. Lockhart). Naturalmente, Evie também seguiu os passos da irmã e fez da dança o seu primeiro amor. Por coincidência, o nome da personagem Agnes DeMille veio de uma coreógrafa que frequentava os mesmos círculos que Charles Addams, criador da Família Addams, nas décadas de 1950 e 1960.
“Minha irmã é uma grande inspiração para mim. E, como ela é bailarina, eu costumava acompanhá-la. Até que eu percebi que também amava dançar de verdade. O balé e o jazz são a base do meu amor pela atuação”, conta Evie.
A partir daí, ela começou a cantar e atuar, além de escrever; um dia, espera ocupar a cadeira de diretora. Evie participou de produções de teatro locais e, aos 10 anos, foi selecionada para a produção de Les Misérables no West End. Na ocasião, interpretou a jovem Éponine e a jovem Cosette durante seis meses.
Em seu primeiro papel importante, Evie se inspirou nos filmes antigos que assistia com a avó. “Mesmo quando era bem pequenininha, eu me sentava com a minha avó na frente da TV e assistíamos a filmes em preto e branco juntas, em DVD. Eram obras com Ginger Rogers e Fred Astaire ou clássicos como Os Pássaros, e assim aprendi a gostar de filmes antigos desde criança”, conta ela.
Como sonha em ser artista, Evie continuou conciliando os estudos com as audições, viajando de trem até Londres sempre que possível. Ela gosta de verdade da escola, especialmente das aulas de história, mas também adora biologia e literatura. A turma dela acabou de ler Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, e ela está muito empolgada para aprender mais sobre os julgamentos das bruxas de Salém no ano que vem. Então, o que quer que aconteça depois de Wandinha, ela certamente tem planos de terminar os estudos na escola.
Fora da sala de aula, Evie conseguiu alguns papéis pequenos, incluindo Laura no filme Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, Frieda, na série Life after Life da BBC, e a Lisa jovem na série de suspense Histórico Criminal. No entanto, estava sempre buscando um papel de maior destaque. E, quando surgiu a oportunidade de fazer a audição para a temporada 2 de Wandinha, não era nem para ela saber qual era o papel, porque os sides estavam cheios de codinomes. Mas ela não precisou dos poderes de detetive da ídola de sua personagem para descobrir.
“Fiquei obcecada pela primeira temporada. Eu e minha irmã assistimos a todos os episódios pelo menos três vezes, até mais. Somos muito fãs. Então, como eu curti tanto a primeira temporada, e por causa do tom dos sides das audições e da forma como foram escritos, eu já tinha uma ideia”, conta ela.
Evie enviou uma gravação, participou de uma audição presencial e, depois, chegou o Natal. Ela fez o possível para não pensar no papel e manter as expectativas baixas. Afinal, já tinha tentado conseguir papéis grandes antes e se lembrava muito bem da decepção. Parecia uma possibilidade remota. Mas, algumas semanas depois das festas de fim de ano, ela recebeu notícias fantásticas: Tim Burton, junto com os cocriadores e showrunners Alfred Gough e Miles Millar, queriam fazer uma reunião com ela pelo Zoom.
A jovem ficou muito nervosa, quase apavorada — mas percebeu que os três eram colaboradores criativos, muito abertos e receptivos. “Eles conversaram comigo sobre a ideia que eu tinha da Agnes e começamos a construir a personagem juntos. A abordagem deles foi muito colaborativa durante toda a filmagem. É incrível ser uma garota de 15 anos e ter esse tipo de envolvimento na construção de uma personagem”, conta ela.
Depois, veio a leitura pelo Zoom para testar a química com Jenna Ortega, que interpreta Wandinha (a protagonista e vítima da obsessão de Agnes), e Emma Myers, que interpreta Enid — a mulher lobo que é colega de quarto e melhor amiga de Wandinha. Na história, a ardilosa Agnes está ansiosa para se livrar de Enid e substituí-la no círculo de amizades.


Evie fez de tudo para se acalmar antes da chamada. “Ouvi um pouco de Billie Eilish. Tentei relaxar e fiz um pouco de respiração triangular, que eu sempre tento fazer antes das audições e apresentações. Depois, tentei pensar que elas eram minhas amigas, que eu só ia conversar com umas amigas. Isso ajudou muito. Mas a chamada foi surreal. Quando terminou, saí correndo pela cozinha e tive até que deitar”, relembra.
A equipe criativa tinha encontrado a Agnes DeMille ideal. Na verdade, Tim Burton soube logo de cara. “Quando a conheci, ficou muito claro que ela era a pessoa certa para o papel, e tê-la no elenco ajudou a construir a personagem. Também foi assim quando eu conheci a Jenna, já soube logo de cara que ela era a Wandinha. Evie é única, com um visual e uma vibe só dela. Ela tem uma coisa diferente, como as atrizes do cinema antigo”, observa ele.
Miles adiciona: “Evie tem olhos incríveis, capazes de expressar tanto compaixão quanto um comportamento completamente psicótico”. Essa, aliás, se tornou uma parte importante do desenvolvimento da personagem. Com olhos grandes e expressivos, que alternam entre azuis e verdes dependendo da luz, Evie percebeu que seu nome também tinha algo inusitado. “Tenho iniciais infelizes, algo que acho que minha mãe só percebeu depois. Porque, tecnicamente, sou E.T., né? Então, sim, sou uma alienígena, com meus grandes olhos de Bette Davis. Que nem a música! É bem engraçado”, reflete ela, rindo.
Evie buscou inspiração na forma como Jenna Ortega comunica muito da personalidade de Wandinha pelos olhos (“Jenna faz isso de um jeito maravilhoso”, elogia ela), e Tim a ajudou a orientar o olhar específico de Agnes. “Também tem a ver com o olhar fixo e talvez a falta de resposta imediata, com reações um pouco estranhas, que causam um leve desconforto”, explica o diretor.
Jenna ficou impressionada, tanto que apelidou a colega carinhosamente de “jovem Evie”. E o apelido pegou. “Ela é uma estrelinha, uma atriz incrível e se encaixou perfeitamente. Eu sempre ficava admirada e animada em trabalhar com Evie. Ela interpreta uma personagem que poderia ser antipática, mas é doce e sincera. Fiquei realmente pasma com ela”, comenta a atriz.
Alfred and Miles também reconhecem a atitude equilibrada e madura de Evie. “Ela é uma jovem atriz incrível, com uma maturidade que vai além da idade que tem. Quando fez o teste com Jenna e Emma, ela se encaixou perfeitamente no nosso mundo”, conta Miles.
A dinâmica especial entre Evie, Jenna e Emma continuou ao longo das filmagens. “Emma e Jenna foram como irmãs mais velhas para mim e me ajudaram muito a passar por essa experiência, já que foi meu primeiro grande passo na indústria. Foi muito bom contar com as duas como guias ao longo do processo”, comenta Evie.

Elas também acabaram sendo confidentes. Afinal, mesmo depois de conseguir o papel, Evie teve que manter tudo em segredo e não podia contar nada aos amigos, aos colegas de escola e muito menos à própria família. “Sinceramente, meu pai nem sabe direito. Ele sabe que estou na série, mas não sabe nenhum detalhe. Quero que seja uma surpresa”, conta ela, rindo.
Durante as filmagens, Evie dividiu seu tempo entre a Irlanda e a casa da família, se matriculou em aulas de dança em Dublin para manter as habilidades afiadas e continuou com os estudos, encontrando um equilíbrio entre a Escola Nunca Mais e sua rotina normal. “É bom ter uma vida que é meio separada de todo o resto, daquela experiência surreal e louca que tive filmando na Irlanda”, reflete.
Para dar vida a Agnes, ela usou a mesma abordagem criteriosa e atenção aos detalhes que parece aplicar aos demais aspectos da própria vida, como a análise que faz das narrativas de Friends e dos benefícios psicológicos do cinema. Para mergulhar completamente na mentalidade peculiar de Agnes, Evie voltou aos clássicos. Ela observou Jack Nicholson em Um Estranho no Ninho para “desenvolver os elementos de loucura de Agnes”. Também assistiu novamente a Mulher Solteira Procura, O Que Terá Acontecido a Baby Jane? e se inspirou muito na atuação de Meryl Streep em As Horas.
Evie tinha um diário com observações e ideias detalhadas sobre Agnes, desde suas motivações até suas origens misteriosas e a vida familiar, e chegou a encontrar um perfume com tons terrosos para a personagem. Meticulosa, ela montou um painel de inspiração cheio de imagens góticas, anotações, um desenho de um olho gigante, uma pequena faca de brinquedo do jogo de tabuleiro Cluedo, três rosas de papel vermelhas (simbolizando as personagens Agnes, Wandinha e Enid) e uma amostra da peruca vermelha vibrante de Agnes.
As tranças bem ruivas (imitando o penteado de Wandinha, mas com diferenças importantes, como o tom vibrante e a franja mais reta) foram cruciais para a criação da personagem. Além disso, também foram uma decisão criativa de Tim Burton. “Não queríamos que Agnes fosse simplesmente uma cópia da Wandinha. A ideia das tranças era ótima, mas tem algo legal e diferente nos cabelos ruivos, que deixam tudo um pouco mais perturbador. Não ter a mesma cor de cabelo era importante”, explica ele.
Desde sua primeira aparição como a aluna de 13 anos da Escola Nunca Mais e stalker de Wandinha, no episódio 2, Agnes exala uma precocidade assustadora — algo que fica evidente, por exemplo, com as palmas lentas, a reverência arrepiante que foi improvisada por Evie durante as filmagens e a voz estilizada e sussurrada. Embora (ainda) não tenha matado ninguém, Agnes usa chantagem, manipulação, perseguição e várias armas para alcançar seu único objetivo: ser a nova melhor amiga de Wandinha Addams. Como parte dessa obsessão, Agnes resolve eliminar a atual melhor amiga e colega de quarto de Wandinha. Ela quase consegue, deixando Enid a um passo de ser empalada por uma lâmina na Torre Iago no Dia do Trote. A partir desse momento, está declarada a guerra entre as meninas.
Agnes e Enid trocam farpas durante toda a temporada (a tirada favorita de Evie foi: “Segura as garras, Barbie Arco-Íris”). Mas, fora das telas, a relação entre Evie e Emma é completamente diferente.
Durante a filmagem do episódio 2, entre uma tomada e outra da cena em que Agnes quase mata Enid, Evie e Emma fizeram exercícios de balé juntas, aproveitando partes do cenário como se fossem barras. “Tinha facas penduradas no teto, mas nós estávamos lá embaixo fazendo pliés e tendus. Emma é a garota mais fofa do mundo. Ela é fantástica”, relembra Evie.
A admiração é recíproca. “Adoro a Evie. Ela é uma das jovens atrizes mais talentosas com quem eu já trabalhei. Ela é ótima, muito profissional e entende tudo. De verdade. Eu e a Jenna falamos sobre isso quando ela foi selecionada. Era incrível como ela acompanhava tudo. Nem parecia que ela era nova. Além disso, é uma pessoa muito legal, gosto muito dela”, comenta Emma.
As duas atrizes têm muito em comum, desde a experiência como bailarinas até o amor pelos pets. “Ela me faz lembrar de mim mesma quando eu era mais nova. Também gosto muito da personagem da Agnes e a forma como Evie deu vida a ela. Adoro o jeito como Agnes desafia Enid, e além disso adoro as briguinhas delas. Evie é um amor, bem diferente da personagem”, continua Emma.
A dinâmica entre Agnes e Enid vai evoluindo junto com a temporada. Elas começam como inimigas declaradas, se tornam aliadas por necessidade e terminam com algo que pode ser considerado uma amizade. No episódio 6, quando Wandinha e Enid trocam de corpos, Agnes é a primeira a perceber que tem algo errado.
“Ela é muito perspicaz. Isso demonstra como ela é sensível às emoções e aos movimentos”, reflete Evie. Para ela, foi um prazer testemunhar Emma e Jenna encenando uma troca de corpos tipo Sexta-Feira Muito Louca. “Elas foram perfeitas. Sério, foram sensacionais, com uma precisão inacreditável. Eu realmente acreditei o tempo todo que era a Emma no corpo da Jenna e a Jenna no corpo da Emma. Foi uma loucura.”
No episódio 7, durante um raro momento de vulnerabilidade emocional enquanto as pessoas vão ao baile nas proximidades, Agnes se abre com Enid sobre sua incapacidade de substituí-la como melhor amiga de Wandinha, admitindo a derrota. “Eu me senti muito imersa na personagem porque sabia que era um momento muito importante, e definitivamente é um ponto de virada para Agnes, uma mudança emocional. Foi lindo poder fazer aquela cena com a Emma. Eu me entreguei completamente naquele dia”, conta Evie.
Em vez de cantar vitória, Enid dá um conselho a Agnes: “Seja uma psicopata única. Acredite, você é boa nisso.”
As três atrizes se identificaram muito com essa mensagem. “Adorei que Enid disse para Agnes ser uma psicopata única. A mensagem da série é essa: seja você mesmo. Só você pode fazer isso, então não se preocupe com o que os outros pensam. Aceite sua singularidade e tudo aquilo que só você tem. Ninguém precisa se encaixar em todos os padrões”, opina Emma.
Jenna concorda. “Essa virada de chave da Agnes é muito legal, especialmente em uma geração em que muitas pessoas estão sempre tentando se parecer ou agir como outras, ou desejando ser como essas pessoas que seguem online. Acho maravilhoso acompanhar alguém dessa faixa etária, que é afetada por esse tipo de coisa, e que consegue superar a situação”.
Obviamente, esse é um momento muito importante para Evie, especialmente no que diz respeito às redes sociais e aos colegas dela. “A comparação acaba com a alegria. E isso é algo relevante. Muitas pessoas já passaram por essa situação de entrar nas redes sociais e se comparar com as outras, sentindo que as conquistas alheias tornam as suas menos significativas. Mas isso é completamente falso! Todo mundo posta só as coisas boas, e isso faz a gente se sentir como se fosse a única pessoa que tem problemas. As redes sociais podem, sem dúvida, inspirar e servir como plataforma para discutir assuntos e conscientizar sobre certos temas, e esse é o lado fantástico delas. Mas também podem trazer várias dificuldades para o público mais jovem.”
Ela adorou quando Agnes “soltou as tranças”, como ela diz, e começou a valorizar a própria individualidade. E isso fica bem claro mais adiante no episódio, quando Agnes e Enid dançam durante uma música nova de Lady Gaga, “The Dead Dance”.
Bailarinas experientes, Evie e Emma adoraram trabalhar com Corey Baker para criar a nova coreografia. Evie é muito fã da dança viral de Jenna na temporada 1 e jura que existe um vídeo com ela e a irmã recriando os passinhos, provavelmente de pijama. Corey elaborou a dança pensando nas duas atrizes, que levaram cerca de duas semanas para ensaiar e deixar tudo perfeito. E, sim, Evie realmente levantou Emma durante a coreografia.
“Toda vez que eu levantava Emma, só ficava pensando que não podia deixá-la cair. Não queria ser responsável por derrubá-la de cabeça no chão. Mas, por sorte, ela é levinha, então foi fácil”, conta Evie.


E também teve a Lady Gaga! Embora não tenham contracenado com ela na série, Evie e Emma dançaram “The Dead Dance” com a diva em um vídeo para as redes sociais. Enquanto ensaiavam com Corey, Gaga apareceu e disse: “Oi, gente! Sou a Gaga”. A reação de Evie? “Fiquei impressionada. Ela é muito fofa e, como todo mundo sabe, incrivelmente talentosa, profissional e… nossa, sério”. Evie fica sem palavras, algo muito raro para ela.
Emma relembra: “Sinceramente, eu e Evie estávamos muito, muito, muito nervosas antes de gravar com a Lady Gaga, mas depois que começamos, foi super tranquilo. A Gaga é super tranquila. Gravamos até acharmos que o resultado ficou legal e pronto. Foi ótimo, de verdade. É difícil ficar ao lado de alguém tão icônico, principalmente no mundo da dança, então queríamos dar o nosso melhor, mas foi muito, muito divertido. Ela foi a pessoa mais legal do mundo.”
A dança de Agnes e Enid durante a gala marca uma mudança concreta na relação entre as duas. “Elas compartilham um momento especial, em que finalmente trabalham para conquistar o mesmo objetivo. Por causa disso, criam um laço e percebem que não precisam estar sempre em pé de guerra. Elas são capazes de trabalhar em equipe, algo que descobrem durante a dança. É um ponto de virada nessa relação, e eu adoro o fato de que elas se tornam amigas”, observa Emma.
Apesar das inúmeras diferenças entre Evie e a personagem, a atriz se identificou imediatamente com Agnes, e continua se identificando até hoje. “Logo de cara, eu me senti muito conectada com ela, assim que li os sides da audição. Acho que todo mundo tem um lado sombrio. Agnes é muito insegura por dentro, está sempre buscando validação e aprovação”, diz a atriz. Na opinião de Evie, até mesmo o poder de invisibilidade de Agnes demonstra que “ela é uma pessoa que se esconde facilmente nas sombras, e isso tem a ver com a forma como ela se esconde na sombra de Wandinha”.
Evie acredita que, por trás das ações imprevisíveis e maníacas de sua personagem, existe uma lição subjacente que é muito maior e mais universal. “É uma mensagem muito importante, especialmente para a minha geração: não tentar se esconder nas sombras de alguém, mas sim ser você mesma e aceitar a própria individualidade”, conclui a atriz.
Tim elogia a abordagem perspicaz de Evie para interpretar uma personalidade tão complexa: “a performance de Evie foi maravilhosa. Ela transmite essa imagem de stalker, mas também tem uma profundidade emocional, uma vulnerabilidade e um ar de mistério, e consegue incorporar todas essas características em uma única personagem. Adoro trabalhar com pessoas que nos surpreendem, e ela definitivamente consegue fazer isso. Ela tem uma presença muito, muito, muito forte”, diz ele.
E o que o futuro reserva para Agnes, afinal? A temporada termina com muito suspense. Enid e Agnes conseguem evitar que Wandinha seja enterrada viva pelo vilão surpreendente desta temporada, Isaac Himanzano (Owen Painter), o zumbi que se regenerou e virou um cientista louco com sede de vingança, só que o conflito está longe de ser resolvido. Descobrimos que Enid é um tipo poderoso de mulher lobo, conhecido como Alfa, e talvez nunca mais consiga voltar à sua forma humana. Sozinha e em fuga, o destino dela é incerto.
Poderíamos achar que isso era exatamente o que Agnes queria, mas Evie não acredita que a oportunidade de substituir sua antiga rival vá trazer algum tipo de alívio para Agnes. “Agora que não se sente mais ameaçada por Enid, ela está mais aberta a ter um relacionamento próximo com a colega. Talvez as duas não confiem 100% uma na outra, mas acho que ela definitivamente sente uma conexão mais forte com Enid do que no início da série. Estou ansiosa para ver como a dinâmica do trio se desenvolve, porque acho que isso é muito importante”.
Emma também espera que o trio se fortaleça cada vez mais. “Agnes diz que elas são as três mosqueteiras, e eu acho isso muito legal. Quero que elas vivam uma aventura em outro país na próxima temporada, em algum lugar novo”, comenta ela.
Só as mentes criativas por trás de Wandinha sabem exatamente o que a temporada 3 reserva para as meninas. Miles, no entanto, faz uma promessa: “Agnes agora faz parte do firmamento da Escola Nunca Mais. Continuaremos desenvolvendo o relacionamento dela com Wandinha e Enid, assim como com outros personagens da série.”
Quanto a Evie, ela só quer aproveitar todas as novidades. Ela adorou se vestir para seu primeiro ensaio fotográfico, misturando algumas peças do próprio guarda-roupas com outras escolhidas por um estilista. Também está empolgada com a possibilidade de continuar falando sobre sua experiência em Wandinha, que às vezes parece ter sido um sonho. E está ansiosa para que todo mundo assista à série.
“Estou muito animada. É como abrir um novo capítulo da minha vida. Sinceramente, dá um pouco de medo, mas quero que chegue logo esse momento. Conseguir uma oportunidade única como essa aos 16 anos é surreal e muito raro. Estou tentando aproveitar ao máximo, curtir cada segundo e não apressar nada. Atuar é algo que eu amo muito, então espero que seja uma parte importante do meu futuro”, conclui ela, rindo.
Com certeza, Evie Templeton tem um futuro brilhante pela frente — aquele tipo de brilho que a Wandinha Addams detestaria. Tão brilhante, aliás, quanto os fogos de artifício que vão alegrar o céu no 17º aniversário da atriz, no final do ano. Então, guarde esse nome, porque você ainda vai acompanhar Evie em muitas aventuras.








































































































