


O que acontece quando a ciência para de funcionar? O Problema dos 3 Corpos, o instigante suspense de ficção científica de David Benioff e D.B. Weiss, criadores de Game of Thrones, e do roteirista de True Blood, Alexander Woo, acompanha cinco jovens cientistas que enfrentam um mundo em colapso enquanto as leis do Universo começam a se romper. Mas, afinal, quem — ou o que — está por trás de tudo isso?
O mistério começa durante a Revolução Cultural chinesa, em meados dos anos 1960, quando uma jovem perseguida toma uma decisão que vai alterar o futuro da humanidade. Ao longo de oito episódios, O Problema dos 3 Corpos transita do passado recente da China a uma série de suicídios misteriosos entre cientistas no presente.
No vídeo de bastidores acima, os criadores se aprofundam nos temas e nas histórias por trás da estreia dirigida por Derek Tsang. “O episódio 1 exigiu um esforço enorme, porque era preciso colocar todas as peças no tabuleiro — não só os personagens, mas também os temas da série”, diz Alexander no vídeo.
Inspirada no aclamado romance de Cixin Liu, O problema dos três corpos, a série percorre questões filosóficas alucinantes e uma conspiração obscura que se revela um nanofio por vez. “Quando Dan e eu terminamos Game of Thrones, queríamos fazer uma série de ficção científica, mas não sabíamos qual. É preciso reconhecer: Cixin Liu escreveu livros tão complexos que adaptá-los beira a insensatez — e foi justamente isso que despertou nossa vontade de tentar”, comenta David.
Alexander acrescenta: “Eu sabia que era uma grande trilogia de ficção científica que todo mundo estava lendo, e de um autor chinês, então aquilo me interessou muito. Mas filmar o episódio 1 foi um enorme desafio”.
E Derek topou o desafio: “O que mais me ajudou foi conversar com pessoas que de fato viveram a Revolução Cultural, não só porque elas contavam suas histórias, mas porque também nos davam detalhes riquíssimos sobre como as pessoas se comportavam naquela época”.
Ainda tem dúvidas sobre tudo o que aconteceu em “Contagem regressiva”, o episódio 1 de O Problema dos 3 Corpos? Com a ajuda dos criadores, vamos destrinchar tudo o que rola no primeiro episódio.
A história começa na Pequim maoista, em plena Revolução Cultural de 1966. Na Universidade Tsinghua, uma multidão furiosa se aglomera diante de um palco onde acontece uma “sessão de luta”. Esses comícios políticos buscavam, em parte, destruir e humilhar acadêmicos burgueses cujo trabalho era considerado contrarrevolucionário. “O fio condutor é algo que realmente aconteceu, algo incomum nas histórias de ficção científica. E isso é o diferencial desta série”, afirma D.B. Weiss.
“Exterminem os insetos!”, grita a multidão enfurecida, e “Eliminem os monstros e demônios!” — uma frase de origem budista que, neste contexto, se refere a todos os inimigos da revolução. “A gente não filmou na China, então muitos dos figurantes tiveram que aprender todos os cânticos foneticamente”, conta Alexander.
D.B. acrescenta: “Acho que as cenas na China brilham por causa do cuidado que o Derek Tsang dedicou tanto ao lado humano, com os atores, quanto ao lado histórico e físico, fazendo questão de que tudo tivesse exatamente a aparência e a sensação que a história pedia”.
Na cena, dois soldados arrastam um homem com um chapéu de burro e uma placa pendurada no pescoço até o palco. Enquanto os guardas entoam “A Rebelião é um direito”, descobrimos que Ye Zhetai (Perry Yung), um professor de física, está sob investigação por ensinar a teoria da relatividade de Einstein. “Einstein foi até os americanos imperialistas e ajudou a construir a bomba atômica!”, grita uma soldada, e a multidão vibra em resposta. Da plateia, a filha de Ye Zhetai assiste horrorizada à mãe, Shao Lin (Li Fengxu), subir ao palco. Ela acusa o marido de lecionar a “contrarrevolucionária” teoria do Big Bang. “Essa teoria alega saber quando o tempo se originou! Deixa um vazio para ser preenchido com a existência de Deus!”, diz ela. Ele responde: “A ciência não nos deu as evidências que provem o contrário”.
“O professor Ye toma a decisão de dizer a verdade num momento em que falar a verdade quase certamente o levaria à morte. Mas ele não se retrata, como a maioria das pessoas faria no lugar dele. Ele defende aquilo em que acredita, o que é corajoso, mas acaba sendo fatal”, detalha David.
D.B. acrescenta: “Acho que todo o crédito do mundo vai para o Derek por dirigir uma sequência de abertura monumental e para as demais equipes — figurino, efeitos visuais etc. — por fazerem tudo ficar tão bom quanto ficou”.
Ye Wenjie (Zine Tseng) chora ao perceber que a escolha do pai significa que ele está prestes a morrer. Os soldados desferem golpe após golpe, espancando seu corpo até a morte. Quando a multidão silencia, os soldados vão embora e o deixam ali. A filha corre até o palco, segura a mão dele e, com ternura, coloca um cachimbo gasto e manchado de tabaco entre seus dedos sem vida. Quando os soldados retornam, armados, Ye Wenjie os encara com a mesma altivez do pai. “Naqueles cinco primeiros minutos se concentra uma enorme jornada emocional para cada personagem com fala naquela sequência”, diz Alexander.
D.B. ressalta que a cena precisava transmitir a sensação de que o espectador estava diante da história, não da televisão, e acrescenta que toda a equipe — incluindo Derek e Deborah Riley, diretora de arte de Game of Thrones e vencedora do Emmy® — sabia que havia muito em jogo para acertar. “Zine Tseng, mais do que qualquer outra pessoa, sentiu o peso, pois todos sabiam o que aquilo representava para o rumo da série”, diz ele.
A história, então, corta para a Londres de 2024, onde ambulâncias e policiais atendem a uma ocorrência em uma imponente casa de subúrbio. O enigmático investigador, talvez ainda meio de ressaca, Clarence “Da” Shi (um agente de inteligência de Manchester que foi demitido da Scotland Yard, do MI5 e do Escritório de Segurança e Contraterrorismo do Reino Unido, interpretado por Benedict Wong) entra em uma sala cujas paredes estão tomadas por números escritos com sangue. “Bilhete suicida curioso”, diz um agente. O corpo pertence a um cosmólogo e físico teórico laureado com o Nobel. A lanterna de Da Shi revela uma mensagem perturbadora na parede: Eu ainda vejo. Ele se abaixa para examinar um corpo estendido no chão. Há uma faca na mão do morto. E ele está sem os olhos.
Enquanto isso, em um laboratório de Londres, a física Vera Ye (Vedette Lim) não se surpreende ao encontrar seu assistente de pesquisa, Saul Durand (Jovan Adepo), ainda sentado ao computador depois que todo o resto da equipe já foi para casa. Na tela, gráficos de átomos em colisão criam uma explosão de caos. O acelerador de partículas deles vem dando resultados erráticos em todos os experimentos, e por isso o projeto foi interrompido. “Eu só penso que se eu olhar bastante pra tela, vou entender alguma coisa”, diz Saul a Vera. Aos 32 anos, o pesquisador brilhante, mas apático, sente que já perdeu a chance de fazer a diferença na física — mas talvez ainda consiga descobrir o que há de errado com seus experimentos fora de controle.

“Segundo os experimentos, nossas teorias estão erradas. Todas. A física dos últimos 60 anos está errada”, diz Saul a Vera. “A ciência não funciona.” Ao sair da sala, ela se vira para Saul e pergunta: “Você acredita em Deus?” Ele responde que, mesmo a anomalia desafiando todas as leis da física, isso ainda não é um argumento a favor da existência de Deus. “E o que restou?”, pergunta Vera. “Em vez de apresentar de forma seca os detalhes técnicos da física, mostramos o efeito que ela provoca nas pessoas que se deparam com isso”, diz Alexander. Mais tarde, Vera entra em uma imensa sala de reator, caminha por uma passarela e se lança na água de resfriamento lá embaixo.
Vera e Saul não estão sozinhos na tentativa de digerir o caos inexplicável que tomou conta da ciência. Em outro ponto de Londres, cantores de karaokê desafinados se arriscam em um sucesso da Katy Perry enquanto Jin Cheng (Jess Hong) e Auggie Salazar (Eiza González) — ex-colegas de Oxford e melhores amigas — viram doses e lamentam a morte de toda a física como ciência. Auggie está à frente de uma empresa que projeta nanofibras sintéticas de polímero automontáveis. Jin é pesquisadora sênior de física teórica e analisa experimentos de aceleradores de partículas pelo mundo afora.
Jin explica para Auggie que aqueles aceleradores de partículas — como o que Saul, colega das duas e ex-namorado de Auggie, opera — vêm gerando dados que não fazem o menor sentido. Neste momento, Auggie começa a ver algo estranho. Quando Jin se afasta para atender a uma ligação de Saul, as visões de Auggie ficam mais intensas e frequentes: fios dourados se entrelaçam formando números, 04:09:17:39. Então, os números iniciam uma contagem regressiva. “A contagem regressiva de Auggie simboliza os problemas inexplicáveis que os cientistas enfrentam. Não são pessoas inclinadas a acreditar no sobrenatural, então tudo o que acontece com ela é assustador”, reflete Alexander.
Jin volta trazendo uma má notícia: Vera, que foi professora delas, acabou de tirar a própria vida.
Dando continuidade à investigação sobre as mortes de cientistas renomados, Da Shi — que trabalha para Thomas Wade (Liam Cunningham), líder de uma operação de inteligência de elite — fica diante de um clássico mural de investigação, daqueles usados para ligar as pistas de um caso. Ele atende a uma ligação de Wade, que pergunta sobre um grupo que apelidou de Os Cinco de Oxford: Auggie, Jin, Saul, o professor de física Will Downing (Alex Sharp) e Jack Rooney (John Bradley), que abandonou Oxford e fundou a Jack’s Snacks, com um patrimônio de 90 milhões de libras. Todos são ex-alunos de Vera.
“São pessoas bem diferentes, mas, quando estão todas juntas, parece que o quebra-cabeça fica completo”, diz John Bradley sobre a química do grupo. A proximidade que construíram depois da faculdade segue firme no início da vida profissional — resumindo, são a família que cada um escolheu. “Há um tema que atravessa toda a série: o de pessoas que encontram uma família, uma comunidade que não é a de sangue. Os Cinco de Oxford são um grupo que encontrou comunidade e família uns nos outros”, diz Alexander. Segundo ele, Os Cinco de Oxford foram criados para a série porque os protagonistas da trilogia de livros Lembranças do Passado da Terra de Cixin Liu quase não interagiam entre si. “Como a gente tinha que ser superamigos na série, foi muito legal colaborar nisso, experimentar coisas diferentes no set e improvisar”, diz Jovan Adepo.
Durante o funeral de Vera, descobrimos que Will é apaixonado por Jin há um tempo. Para o azar dele, ela vai à cerimônia com o novo namorado, Raj Varma (Saamer Usmani), um charmoso oficial da Marinha de uma família militar. Fica evidente que Will continua gostando dela.
“Raj é o acompanhante, e esse é um lugar interessante de se estar: dentro de um grupo de amigos de longa data, observando tudo discretamente. Dá para notar essas diferentes dinâmicas, como as histórias deles se desenrolam em tempo real”, diz Saamer

Os Cinco de Oxford não são os únicos a comparecer. Ao som dos cânticos de monges budistas no funeral de Vera, um senhor (Jonathan Pryce) se aproxima do caixão dela para prestar suas homenagens. Ele olha de relance para a mãe de Vera (Rosalind Chao) e vai embora. Lá fora, Da Shi o fotografa às escondidas e segue o carro dele até um campo de pouso, onde o homem embarca em um helicóptero com o logo da Evans Energy.
Segundo as investigações de Da Shi, Michael Evans é o CEO da Evans Energy, uma empresa de petróleo herdada do pai. Fora isso, quase não há informações sobre ele. Da Shi perde o rastro do helicóptero em algum ponto sobre o Atlântico, quando o satélite que monitora Evans apresenta uma falha.

Aflita, Auggie vê a contagem regressiva desde que ela surgiu diante de seus olhos no bar. Ela chegou a procurar um neurocirurgião, sem sucesso — e o relógio continua correndo, faltando pouco menos de dois dias. Depois do funeral de Vera, Os Cinco de Oxford se reúnem em um pub do bairro para espairecer. Conversam sobre as carreiras e brincam entre si, com Jack se perguntando se Auggie e Saul estão “brigando ou transando”. Sem clima para gracinhas e esgotada, Auggie sai para tomar um ar. Quando pega os cigarros, uma mulher misteriosa (Marlo Kelly) se aproxima e oferece fogo. “Não é fácil, né? Ser uma pessoa nesse mundo ferrado?”, diz a desconhecida, acrescentando que entende o que Auggie está passando. “É, mas ainda tem esperança. É sério. O Senhor tem um caminho melhor”, diz a mulher. Auggie fica desconfiada, até a desconhecida mencionar explicitamente a contagem regressiva e o fato de Auggie ter menos de dois dias. Como ela sabe disso? Seja como for, ela então oferece uma solução. Para a contagem parar, Auggie só precisa abandonar seu trabalho com nanofibras.
Auggie fica visivelmente incomodada com o quanto essa desconhecida sabe sobre o trabalho dela, e a mulher não faz nada para tranquilizá-la ao mandar que olhe para o céu exatamente à meia-noite do dia seguinte. “O Universo já piscou pra você?”, pergunta a mulher enquanto deixa um maço de cigarros. “Você não quer que chegue a zero. Nada de bom acontece quando chega em zero.” Com esse aviso, ela desaparece. Ao pegar os cigarros, Auggie encontra um brinquedo de plástico escondido dentro do maço, com o rótulo Toasty-O-Sters Code Cracker.

De volta a 1967, Ye Wenjie cumpre pena em um campo madeireiro na Mongólia Interior. Ela é abordada por um homem de óculos, Bai Mulin (Yang Hewen), que escreve para o Diário da Grande Produção. “Ela viu os imperadores Ming. Deveriam ter considerado todas as consequências dessa destruição que o Corpo de Construção está fazendo”, diz ele. Com receio de ser foco de uma investigação, Ye prefere o silêncio, mas ele assegura que é apenas um companheiro de causa.
Enquanto Bai e Ye observam uma grande antena no topo de uma montanha, Bai comenta que ninguém sabe o que rola por trás dos portões que a cercam. Mas coisas bizarras acontecem na região ao redor: soldados que trabalham ali perderam o cabelo sem explicação; de uma hora para outra, o céu limpo vira tempestade; e os animais fazem barulhos estranhos.
Bai sabe que Ye consegue ler inglês e, por isso, lhe dá o livro de 1962 Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, uma obra que, segundo Bai, marcou o Ocidente ao mostrar como os humanos estão envenenando o planeta. “É como ler sobre o futuro, se o Corpo de Construção persistir nessa missão para destruir tudo”, diz ele. Em inglês, Ye lê em voz alta um trecho do livro: “E novamente somos lembrados de que, na natureza, nada existe sozinho”. Ele pede que ela mantenha o livro em segredo. Ela o lê embaixo das cobertas, à luz de uma lanterna, e fica cada vez mais consciente da devastação ambiental.
O livro logo traz problemas para Ye. Ao descobrir que alguém o levou, ela é interrogada pelos comandantes. Quando exigem saber quem lhe deu o livro, ela se recusa a dizer. Ye acaba presa.
(E, para quem está assistindo em casa, o livro acabou de virar best-seller.)
Na cela escura e gelada onde cumpre pena, Ye Wenjie recebe a visita de Teng Lihua (Jeanne Yuan), da Corte Intermediária Popular. Teng reconhece que Ye foi a aluna mais brilhante do seu falecido pai, e lhe oferece uma chance: voltar ao trabalho na floresta. Basta assinar um documento que aponta outros físicos como o pai — pessoas que, nas palavras de Teng, “ainda espalham muitas ideias perigosas por aí”. Ye se recusa. Teng despeja água gelada sobre ela, chama-a de “sua vadiazinha teimosa” e vai embora.

Na cena seguinte, Ye tem curtos períodos de consciência no banco de trás de um veículo em movimento. Quando acorda, está no alto da cordilheira do Grande Khingan, diante dos portões de um pico. Militares com bonés do exército chinês perguntam se foi ela quem assinou o artigo “A possível existência de fronteiras entre fases na zona de radiação solar e suas características reflexivas”. Ye confirma. Eles dizem que precisam do talento dela na Base Costa Vermelha. Há uma chance de reabilitação, com um porém: o projeto é tão sigiloso que ela não poderá mais sair de lá. “Eu fico. Eu fico aqui pelo resto da vida”, responde Ye.
Três meses depois, Ye Wenjie tem permissão para assistir a seu primeiro teste e logo pergunta se estão testando mísseis. Um oficial ri: “Todo mundo tem mísseis”. O teste começa: a antena emite um som agudo e uma trovoada ressoa ao longe. Em seguida, um bando de pássaros voa em direção à antena e todos caem no chão, mortos. A transmissão está concluída.
Os oficiais então revelam a verdadeira natureza do Projeto Costa Vermelha. Não é uma arma experimental. É um dispositivo de comunicação. “Comunicação. Mas com quem?”, pergunta Ye. “Quem quer que esteja lá fora nos escutando”, responde o oficial.
Nos dias atuais, Jin procura a mãe de Vera em busca de respostas sobre a morte da mentora, mas não consegue muita coisa. Mesmo assim, a mulher lhe entrega um dispositivo prateado de aparência moderna, uma espécie de videogame, segundo ela, que a filha andava jogando antes de se matar.
Antes de sair, Jin se interessa por uma foto pendurada na parede. “É a senhora?”, pergunta. “Em outra vida. O tempo é um filho da mãe”, responde a mãe de Vera. A foto mostra uma jovem ao pé de uma antena de radar. A mãe de Vera é ninguém mais, ninguém menos que Ye Wenjie.

Mais tarde, em casa, Jin põe o headset prateado que recebeu de Ye Wenjie — e, diante de seus olhos, um mundo virtual de paisagem árida se abre. Uma estrada solitária se estende até o horizonte. Árvores mortas e retorcidas se espalham pela paisagem. Surgem, então, duas palavras: nível um. É um videogame em primeira pessoa, visto pelos olhos da própria Jin. “O capacete é espelhado — a última coisa que vemos é o reflexo dos nossos olhos nos encarando”, conta David.
Ao olhar para o próprio corpo dentro do jogo, Jin percebe que está vestida com roupas da dinastia Shang, do segundo milênio AEC. Ao longe, uma pirâmide se ergue, e o sol sobe rapidamente no céu, despejando uma onda de calor sobre a areia. Ao dar um passo para trás, Jin escuta um estalo seco. Há um corpo mumificado debaixo dos pés dela. Os olhos do morto se abrem.
Enquanto Jin ainda tenta entender o que foi aquilo, Auggie fica cada vez mais ansiosa com a contagem regressiva que não para. Ela resolve ouvir o conselho da desconhecida e leva Saul para olhar o céu à meia-noite. No caminho, entrega a Saul o brinquedo que ganhou da mulher — e descobrem que ele veio de uma caixa de cereal matinal que parou de ser fabricada em 1963.
Os sinos da torre soam para anunciar a meia-noite. O céu inteiro, todo estrelado, começa a piscar. “Eu estou vendo o Universo piscar”, diz Saul, atônito. “Como pode tá acontecendo?”, indaga Auggie. E Saul responde: “Não pode.”
“Do ponto de vista da Auggie, existe alguma coisa íntima acontecendo com ela”, diz D.B. “Como pessoa racional, ela pensa: ‘Tem algo errado com a minha cabeça’. Por isso, no final, quando ela e Saul veem as estrelas piscando, e todo mundo no planeta vê as estrelas piscando, o horror sobe de patamar — porque já é ruim você estar perdendo a sua sanidade, já é ruim ter alguma coisa errada com o seu cérebro. Mas, sem dúvida, é muito pior se isso também está sendo testemunhado por todas as outras pessoas no mundo todo.”
Não demora para Saul perceber que o piscar é um código, e que o tal brinquedo serve justamente para decifrá-lo. “São só números”, diz ele. Conforme recita a sequência, Auggie sente uma pontada de pânico: são exatamente os mesmos números da contagem regressiva dela. Que agora marca 10:34:06.
Do alto de um telhado em Londres, Thomas Wade e Da Shi assistem ao fenômeno. “Isso, Clarence, é o nosso inimigo”, diz Wade.
Mas quem é esse inimigo? Continue assistindo a O Problema dos 3 Corpos na Netflix para descobrir.













































































