


Quer dizer que o Universo piscou. E agora?
O primeiro episódio da série que junta mistério e ficção científica, O Problema dos 3 Corpos — de David Benioff e D.B. Weiss, criadores de Game of Thrones, e Alexander Woo, roteirista de True Blood — mostrou os geniais Cinco de Oxford, uma ardilosa cientista chinesa e um fenômeno surreal que fez as estrelas piscarem no céu.
“Com as mudanças climáticas e a pandemia, vimos como as pessoas reagem de maneiras diferentes diante de uma ameaça global. E são esses tipos de reações que também vemos em O Problema dos 3 Corpos”, conta D.B. Weiss à Netflix.
Quando as leis da natureza se transformam diante de seus olhos, o grupo de cientistas brilhantes descobre que algo sinistro pode estar por trás disso. “Coisas muito estranhas começam a acontecer. Pesquisadores tirando a própria vida de formas bizarras, experimentos científicos dando errado sem explicações”, explica David Benioff.
O episódio 2, “Costa Vermelha” — dirigido por Derek Tsang — leva o público ao passado, presente e a um mundo totalmente virtual. E nele muita coisa acontece: a expert em nanotecnologia Auggie (Eiza González) para todo o seu trabalho, a talentosa física Jin (Jess Hong) vira gamer, o professor Will (Alex Sharp) recebe más notícias e o empresário dos salgadinhos Jack (John Bradley) dá um murro em um filósofo. Enquanto isso, na China dos anos 1960, a cientista Ye Wenjie (Zine Tseng) faz uma ligação um tanto distante. E tudo isso acontece antes da ação extrema de reidratação.
Que tal uma recapitulação?
O episódio começa com o mundo surtando depois das estrelas piscarem no final do episódio 1. Mas não é todo mundo que acredita nisso. O físico, meio chapado, Saul (Jovan Adepo) fala para Ye Wenjie (Rosalind Chao) que tudo foi uma mentira e nunca aconteceu: “Todo mundo na Terra viu[saw it].… Mas nenhum satélite viu.… Foi um deepfake”. Ye continuou inabalada com essa teoria. Até porque ela já passou por situações bem mais tensas do que umas piscadinhas de estrelas.
Em 1968 na Mongólia Interior, a Base Costa Vermelha manda uma mensagem para o universo e “habitantes de outros mundos”: “Buscamos fazer contato com outras sociedades civilizadas. Queremos trabalhar e construir ao lado de vocês uma vida melhor neste extenso Universo”. Eles transmitem esse convite há anos, mas nunca tiveram uma resposta. Ye diz que é o Paradoxo de Fermi, do físico nuclear Enrico Fermi. Ele supôs que deveria haver vida em algum lugar dessas zilhões de estrelas, mas cadê? Então, Ye bola um plano para amplificar a mensagem, que está com o sinal muito fraco.
Ela conclui que se a mensagem for enviada em direção ao Sol, vai ser refletida em todo o Universo. Isso lembra o fenômeno real chamado lente gravitacional, mostrando que Ye estudou a teoria da relatividade de Einstein, que seu pai ensinava e o levou à morte. Seu colega Camarada Yang (Yu Guming) fica tão fascinado pela teoria que finge ser o autor da pesquisa e mostra para o supervisor deles, o Comissário Lei (Deng Qiaozhi).

Yang é só mais um dos muitos babacas que traíram Ye. Quando ele mostra o trabalho roubado para seu chefe, é ignorado logo de cara, porque só pode haver um “Sol Vermelho no coração do povo”: o Líder Mao.
“Como sou chinês, cresci ouvindo histórias de pessoas que viveram na Revolução Cultural, uma parte intrigante da nossa história. Há tantas histórias dessa época[stories from that time] que merecem ser contadas. Fui atrás de todos os livros e filmes sobre a Revolução Cultural possíveis, mas acho que o que realmente me ajudou foi conversar com as pessoas que viveram esse período”, disse Derek Tsang à Netflix.
Ye não desiste e, sem ninguém ver, vira o telescópio em direção ao Sol durante a próxima transmissão. A mensagem chega até o astro e é transmitida através do Universo. E essa pequena ação vai ter sérias consequências para a humanidade.
“Vimos[We’ve seen] o desprezo dela pelas[for] autoridades depois de ver aonde podem chegar, afinal eles fizeram seu pai ser espancado e morto por estudantes na frente de 50 mil pessoas. Ela se apega na ciência e na realidade, mas também na esperança de que, em algum lugar lá fora, existem pessoas melhores do que as que conheceu até agora”, explica D.B. Weiss.
Agora no presente, Auggie chega exausta para o primeiro teste das nanofibras superafiadas, que sua empresa tenta desenvolver há sete anos. Enquanto os colegas admiram o produto de Auggie cortando um cubo de diamante sintético, a contagem regressiva aparece diante de seus olhos e só a alguns minutos de zerar. Em vez de comemorar, ela interrompe o projeto e corre para fora. De repente — faltando cerca de um minuto e meio — a contagem regressiva para. Parece que aquela mulher desconhecida do episódio 1 estava falando a verdade quando disse que parar o trabalho de Auggie também pararia a contagem regressiva.

Clarence “Da” Shi (Benedict Wong) espera Auggie do lado de fora do laboratório. Ele acredita que os dois podem se ajudar, então vão à base de operações da agência misteriosa de Thomas Wade (Liam Cunningham), o Palácio Negro, próximo ao Rio Tâmisa, em Londres. Da Shi mostra a Auggie imagens de câmeras de segurança com ela fumando sozinha em uma escada. De alguma forma, a mulher desconhecida que acendeu seu cigarro e avisou sobre a contagem regressiva foi apagada do vídeo.
Da Shi conta que o homem misterioso que apareceu no funeral de Vera Ye (Vedette Lim) era Mike Evans (Jonathan Pryce), dono da maior empresa petrolífera privada do mundo. E tem mais: Evans financia causas anticiência ao redor do mundo. Mas como ele conhecia Vera e Ye Wenjie?
Nos anos 70, Mike Evans (Ben Schnetzer) era um jovem que lutava pelo meio ambiente. Quando Ye chega em uma madeireira na Mongólia Interior, ela fica surpresa ao ver mudas de árvores onde antes só tinha troncos cortados, e mais chocada ainda ao se deparar com um Evans bonitão que mora em uma cabana.
Mike conta a Ye que não está lá plantando árvores para ajudar a comunidade local, e sim uma ave ameaçada de extinção — uma subespécie de andorinha — que perdeu seu habitat natural. Na casa, Ye encontra uma cópia do manifesto ambiental Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, e sua curiosidade aumenta.
“São poucas as personagens realmente egoístas na série[in the show]. Até alguém desequilibrado como Mike Evans toma suas decisões pensando em algo maior que ele mesmo”, conta Alexander Woo.
Ye então cita um trecho — na verdade, uma frase de efeito ambientalista — a ele: “Na natureza, nada existe sozinho”. Woo explica: “Claro que o trecho[The passage] tem um significado importante para Ye, e um tema constante da série é[is] pertencer a um grupo além da sua família biológica”.
As coisas não estão muito boas para Will Downing. Depois de muitas ligações perdidas, ele recebe a notícia que está com câncer de pâncreas. Alex Sharp, que interpreta Will, conta que ver o fim tão perto faz com que sua personagem mude completamente o modo de agir.

Jin se aventura de novo no jogo de realidade virtual e vai parar em um lugar cheio de neve, onde conhece o Conde do Oeste (Tom Wu) e sua seguidora de nome bem original, Seguidora (Eve Ridley).
“Há um fator viciante na experiência de Jin. [Jin]É[It’s] uma experiência que ninguém na Terra jamais teve… e, do nada, ela tem isso na palma da sua mão, bem no seu quarto”, explica D.B. Weiss.
Enquanto isso — depois de testar o jogo de realidade virtual e ser decapitado (virtualmente) por não ter sido “convidado” — Jack recebe outra chance quando um jogo novinho em folha aparece misteriosamente para ele, ao lado da sua bateria. O jogo de Jack se passa na Inglaterra da Era Tudor, e ele dá um murro na cara do seu guia, o filósofo renascentista Sir Thomas More.
“Foi muito legal socar a cara do Sir Thomas More. Queria fazer isso mais vezes. Acho que acabei gostando”, conta John Bradley à Netflix.

Jin assume o nome de Copérnico (astrônomo renascentista responsável pela teoria que os planetas giram em torno do sol) e recebe uma missão do conde: resolver o enigma da Civilização 137. “Exceto as eras estáveis, sempre temos eras caóticas”, diz ele. Tentando salvar seu povo, o imperador busca mentes brilhantes para prever movimentos do Sol e saber se uma era será estável ou caótica. Se errar, uma civilização inteira será destruída.
Como o nome já diz, eras caóticas não são tempos fáceis ou produtivos. Esses períodos são imprevisíveis e trazem sol demais ou de menos, o que acaba tirando a vida de toda uma civilização. Jin percebe o calor escaldante de uma dessas eras enquanto se esconde na sombra junto com o Conde do Oeste. Eles veem a Seguidora andar pela terra seca, deitar no chão e murchar como um balão, e o conde explica que seu povo só consegue sobreviver às eras caóticas porque se desidratam e depois voltam a se reidratar nos tempos estáveis. Então, ele enrola a Seguidora como um burrito e a entrega à Jin. “O Conde do Oeste tem[has] uma fala que se repete: ‘Se um de nós sobreviver, todos nós sobreviveremos’. Para mim, é um complemento da frase de Primavera Silenciosa”, conta Alexander Woo.
Eles continuam andando até uma pirâmide enorme, onde o conde oferece ao Imperador Zhou (Russell Yuen) um código do Universo baseado em seus estudos sobre o I Ching, oráculo da China Antiga. O código ajudaria a prever a duração das eras estáveis e caóticas.
“Isso é profecia, não é previsão… Isso é I Ching. É lindo, mas não é científico”, esclarece Jin esclarece. “Não acho que vai resolver o seu problema. É adivinhação. Não segue as leis da física… Tudo que observamos ser verdade sobre o mundo”. O imperador rebate: “Qual mundo?” — um lembrete que existem outros além do que ela conhece.
O conde organiza uns gravetos em forma de trigramas, que parece um código binário de computador, e com uns truques de mágica prevê que está chegando uma longa era estável para eles. Assim, o imperador ordena: “Reidratem o povo!”
Soldados pegam os burritos humanos desidratados e jogam no mar. Em segundos, as pessoas murchas enchem de novo e o povo, peladão, sai da água para curtir a terra. Até mesmo a Seguidora surge tão fofinha quanto antes e abraça Jin. “Você não me abandonou”, diz ela. Ufa. Vai ficar tudo bem, não é?
Não mesmo! Segundos depois, dá tudo errado. A ordem vira um caos quando o Sol some de repente e uma frente fria transforma esse paraíso em um deserto de gelo. A previsão estava errada e a era caótica voltou antes do esperado. Jin custa passar entre os corpos congelados, tentando alcançar a Seguidora, mas não consegue e vê a menina se despedaçar bem na sua frente. Então, a avatar misteriosa (Sea Shimooka) reaparece e anuncia que a Civilização 137 foi dizimada pelo frio extremo. Mas nem tudo está perdido.
A avatar diz que o nível foi concluído porque Jin definiu a ciência como superior ao misticismo. No Nível 2, ela deve usar a ciência para salvar a próxima civilização. Talvez seja uma meia vitória?
Antes fosse só uma resposta. A mensagem que aparece para Ye é de um ser pacifista de outro mundo que diz para ela não responder mais. “Se responder”, a mensagem diz, “iremos até vocês. Seu mundo será conquistado”.
Você nem imagina. Depois de confrontar a assassina nada arrependida de seu pai, Ye já viu tanta crueldade nos humanos que decide escrever uma resposta aos extraterrestres: “Venham. Não podemos nos salvar. Vou ajudá-los a conquistar este mundo”.
“Derek fez um trabalho excelente criando essa tensão que só aumenta, intensificando os cinco minutos mais ou menos que leva para ela tomar essa decisão”, elogia D.B. Weiss.
Mesmo tremendo, Ye aperta o botão de enviar.
“Ela foi avisada para não responder, mas respondeu mesmo assim porque acreditava que nada mais poderia salvar esse mundo”, explica Zine Tseng, que interpreta Ye jovem.
“Tudo o que ela já tinha visto em relação aos humanos, meio ambiente e mundo no geral indicava que acabaríamos nos destruindo. Ela realmente acredita que chamar alguém de fora para tomar conta é[is] a melhor coisa a se fazer. E não apenas para si mesma, mas para todos”, explica D.B. Weiss. Mas será mesmo? Vamos descobrir só mais para frente na temporada 1.
Continue assistindo O Problema dos 3 Corpos na Netflix para saber mais.













































































