



‘A escalação do elenco pareceu a busca por Scarlett O’Hara’, conta Ryan Murphy.
Ryan Murphy tem o dom de descobrir novos talentos.
Darren Criss, por exemplo: começou em Glee e depois ganhou um Emmy® por O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story. Ou Evan Peters, que impressionou o público em American Horror Story e depois o mundo inteiro com sua atuação indicada ao Emmy® em Dahmer: Um Canibal Americano. Agora, com a série indicada ao Globo de Ouro Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais, Cooper Koch e Nicholas Alexander Chavez assumem um lugar de destaque.
A segunda produção da série antológica ‘Monstros’, criada por Murphy e Ian Brennan, narra o caso real dos irmãos (interpretados por Cooper Koch, como Erik, e Nicholas Alexander Chavez, como Lyle) que foram condenados em 1996 pelos assassinatos dos pais, José e Mary Louise “Kitty” Menendez (interpretados por Javier Bardem e Chloë Sevigny). Enquanto a acusação argumentava que Erik e Lyle queriam herdar a fortuna da família, os irmãos alegavam (e mantêm essa versão até hoje, enquanto cumprem penas de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional) que suas ações foram motivadas pelo medo decorrente de uma vida inteira de abusos físicos, emocionais e sexuais cometidos pelos pais.

Mas encontrar os atores perfeitos para equilibrar essa complexidade e ambiguidade foi um desafio intenso. E Murphy sabia que queria dois desconhecidos. “A escalação do elenco pareceu a busca por Scarlett O’Hara. Acho que vimos uns 500 rapazes. Fizemos uma procura internacional: gente na Austrália, em Londres e na Espanha. Foi um processo realmente muito longo”, revela Ryan Murphy.
E, então, quando Ryan Murphy e Ian Brennan viram os vídeos de audição de Cooper Koch e Nicholas Alexander Chavez, souberam na hora que eles seriam os escolhidos. A dupla decidiu não comunicar de imediato a decisão aos dois atores. Em vez disso, pediram para eles fazerem algumas cenas juntos no escritório de Murphy. “Eles não sabiam que eram a primeira e única escolha”, conta Murphy. Depois de passarem por alguns dos momentos mais importantes do episódio de estreia (e de Nicholas acabar quebrando alguns móveis ao mergulhar fundo no personagem), os criadores tiveram a certeza de que tinham encontrado seus protagonistas. Eles enviaram as gravações aos executivos da Netflix na mesma tarde para avisar que a procura havia terminado. “E, de fato, todos adoraram. Foi um momento maravilhoso na história da série”, compartilha Murphy.
Depois do impacto mundial, os novos astros Nicholas Alexander Chavez e Cooper Koch, que recebeu uma indicação ao Globo de Ouro pela interpretação de Erik, falam do longo processo de audição, de como foi integrar um elenco e uma equipe criativa tão impressionantes, e de suas experiências durante a gravação de Monstros.
Cooper Koch: Comecei a fazer teatro comunitário quando tinha 5 anos, e isso virou uma coisa frequente na minha vida. Sempre participei de musicais. E depois fiz teatro no ensino médio. Rock Around the Clock e Mother Goose foram meus primeiros trabalhos de teatro infantil. Mas depois vieram todos os musicais, como A Bela e a Fera, Annie, A Pequena Loja dos Horrores e Into the Woods. Eu adorava Sondheim. Fui o Tony em West Side Story quando estava no teatro comunitário, e no ensino médio eu fui o Riff.
Quando chegou a hora de decidir a profissão que eu queria, fez todo sentido. Atuar era o que eu mais amava fazer. Estudei artes cênicas na Pace University por alguns anos e depois comecei a fazer testes profissionalmente.
Nicholas Alexander Chavez: Fui picado pelo bichinho da atuação no ensino médio. Comecei com oratória e debate, e viajei pelo país para vários concursos. Então, comecei a fazer teatro no meu penúltimo ano. Comecei com uma produção de O Sol é para Todos, interpretando Atticus Finch. Aconteceu de um jeito curioso, porque o rapaz que deveria interpretar Atticus ficou doente faltando algumas semanas para a estreia, e o diretor perguntou se eu poderia assumir o lugar dele. Muitos professores foram assistir à peça, me deram um feedback extremamente positivo e sugeriram que eu pensasse em seguir carreira.


Cooper Koch: Eu morava em Nova York na época, estudando e trabalhando como modelo para pagar o aluguel. Fiz muitos trabalhos para as lojas online de marcas como Gap e Patagonia. Eu disse para minha agência de modelos que queria ser ator, e eles me encaminharam para uma agência de atores.
Nicholas Alexander Chavez: Larguei a faculdade depois do segundo ano e me mudei para Los Angeles, onde passei uns seis meses trabalhando com entregas e fazendo vários bicos para me sustentar. Aí veio a covid e me mudei para a Flórida. Vendi seguro de vida, fui vendedor de carros. Não deve existir um produto neste mundo que eu não tenha tentado vender — e isso é um grande preparo para ouvir todos os “nãos" que vêm com a carreira de ator, principalmente no início, quando a gente está tentando fazer nosso nome.
Fui muito duro comigo mesmo por um tempo porque as coisas não pareciam estar acontecendo. Eu queria muito seguir carreira como ator, pois era a minha paixão. Eu sabia que carregava na alma histórias importantes que queria contar. E aí surgiu um teste para General Hospital, e disseram: “Gostaríamos que você viesse a Los Angeles para fazer um teste de elenco para o personagem”.
Ligaram no dia seguinte dizendo que eu tinha conseguido o trabalho. Essa foi a primeira confirmação do universo de que eu estava fazendo a coisa certa.
Fiz General Hospital por dois anos e meio. Foi uma ótima oportunidade para me sentir mais confortável diante das câmeras. A gente precisa se adaptar a tramas muito intensas que mudam o tempo todo. Encarei isso como uma chance de trabalhar com vários atores diferentes. Foi a melhor escola que um jovem ator poderia ter.
Nicholas Alexander Chavez: A busca por esses dois papéis foi bem abrangente, e eu fiquei sabendo quando saiu o anúncio do teste de elenco. Meu agente me avisou, e logo de cara fiquei impressionado com essa oportunidade. Na época, eu não tinha noção do tamanho que seria. Quando cheguei na audição, a primeira coisa que chamou minha atenção foi o amor de Cooper, como ele era cheio de vida e tinha uma energia especial.
Cooper Koch: Só digo que, lá no fundo, eu estava quase surtando.

Nicholas Alexander Chavez: Nós dois estávamos, eu acho. A gente sentia que era uma oportunidade enorme, tanto para o Cooper quanto para mim. E assim que começamos a atuar juntos, tudo simplesmente fluiu. É o sonho de qualquer pessoa que decide ser artista. E sou muito, muito grato ao Ryan por ter dado essa oportunidade para a gente.
Eu quase surtei porque meu sonho tinha virado realidade. Para um ator, é um presente poder participar de um projeto em que a sua essência precise ser colocada em cena — a sua alma e a sua arte. Tentei entrar no personagem de corpo e alma. E eu diria que é isso que diferencia esse papel de todos os outros que vieram antes. Nem todo ator tem a chance de interpretar esse tipo de papel nem de receber um chamado como esse, e sou muito grato por ter tido essa oportunidade.
Cooper Koch: O dia em que fui escalado para fazer Monstros foi o melhor da minha vida. Tenho isso registrado no meu calendário. Está escrito: “sonhos viraram realidade”. Sei o dia exato: 13 de junho. Eu me sinto tão sortudo, tão grato.
Cooper Koch: Como foi entrar no universo de Ryan Murphy? Eles realmente tratam cada roteiro e todos os atores com muito cuidado. É um processo muito colaborativo. Começamos os ensaios assim que as greves terminaram. Tivemos a sorte de ter um tempo para interagir com o diretor e com os atores com quem a gente ia trabalhar.
Quando era mais novo, eu via Glee toda semana com meu pai e meus irmãos. A gente adorava. Depois, quando estava na faculdade, conheci American Horror Story. Foi uma das primeiras séries que maratonei e em que fiquei viciado. Eu amava American Horror Story, o enredo, os personagens, o jeito como tudo era filmado, os figurinos. Eu me apaixonei.

Nicholas Alexander Chavez: Trabalhar com o Ryan significa se adaptar muito rapidamente. A gente conhece muitas pessoas em pouco tempo e existe um padrão de excelência, é claro. O Ryan é um ser humano maravilhoso, e a reputação dele está relacionada a um alto desempenho. Por isso, quando comecei a conhecer o elenco e a equipe técnica, ficou claro que eu estava lidando com profissionais extremamente capacitados que sabiam o que estavam fazendo. Isso despertou sensações distintas em mim. Primeiro: fiquei tranquilo porque sabia que estava em boas mãos. Segundo: vi na prática essa competência (nas roupas que eu vestia, na forma como arrumavam meu cabelo, na qualidade dos roteiros e dos diálogos, na escolha dos outros atores e nas orientações dos diretores). Tudo isso virou uma coisa só de uma maneira tão bela e sinérgica que permitiu que aquele momento de criação realmente ganhasse vida.
Nicholas Alexander Chavez: Tenho uma família linda que me apoia muito, e foi bom poder ligar para eles depois de longos dias. Mas também existe um verdadeiro espírito de equipe quando a gente fala de um projeto como esse: ninguém está sozinho. Nós nos unimos e cultivamos esse ambiente, e todos vivenciaram a mesma realidade. Se tínhamos um dia difícil, todos realmente se apoiavam. Eu não poderia ter pedido um elenco e uma equipe mais gentis, pois eles criaram um ambiente de amor e compreensão que contribuiu imensamente para o desempenho e a saúde mental de todos.
Cooper Koch: O começo foi desafiador. Houve momentos em que cheguei em casa sem nem sequer acender a luz. Simplesmente fui para a cama e dormi (ou, às vezes, não consegui dormir). Foi difícil ficar sozinho com meus próprios pensamentos no final do dia, sem saber como seria o dia seguinte. Mas, na metade do processo, e no final, encontrei uma maneira de entrar no papel e ser Erik só quando eu precisava ser Erik no set. E, quando não estava no papel, de ter certeza de que estava sendo fiel ao Cooper, sendo gentil com ele e o tratando com cuidado. Eu chegava em casa, acendia as luzes, tomava banho e assistia a Avatar: O Último Mestre do Ar ou alguma outra coisa.

Cooper Koch: Eu amo ser ator. Quero contar histórias incríveis e trabalhar com cineastas fantásticos — esse é o meu objetivo. Só quero continuar trabalhando, aprendendo e me aperfeiçoando. Adoraria atuar em uma peça na Broadway. Acabei de ver Sarah Paulson em Appropriate, e foi absolutamente incrível. Gosto de filmes independentes, filmes de arte. Adoraria fazer algo assim, mas também amo televisão. Só quero um bom roteiro e um bom personagem com que eu consiga me conectar, em que possa mergulhar de cabeça e que me desafie.
Nicholas Alexander Chavez: Estou empolgado para ver o que o futuro reserva. Acabei de visitar o Met, e é tão lindo. Há tantos artistas impressionantes. Quando estive lá, escrevi o seguinte: “Estou determinado a contribuir significativamente para a arte e para o mundo com a minha carreira”, e estou muito curioso para descobrir o que isso significa para mim. Vou trilhar meu próprio caminho e aproveitar o tempo que tenho na terra de uma forma que tenha sentido".
Com colaboração de Sarah Rodman.
































































