Monstros: seu guia para entender as diferentes perspectivas da série sobre os Irmaos Menendez - Netflix Tudum

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    Entenda as diferentes perspectivas de Monstros

    “O que nós somos? O que você acha? Somos sociopatas, Dr. Oziel?” 

    Texto original da equipe do Tudum
    30 de set. de 2024

Com a estreia de Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais, de Ryan Murphy e Ian Brennan, a controvérsia em torno do caso dos irmãos Menendez, que já dura décadas, voltou a ganhar destaque. 

A série acompanha o caso real dos irmãos que foram condenados, em 1996, pelos assassinatos dos pais, José e Mary Louise “Kitty” Menendez. Enquanto a acusação defendia que eles agiram para herdar a fortuna da família, os irmãos afirmaram — e mantêm essa versão até hoje, enquanto cumprem prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional — que suas ações foram motivadas pelo medo gerado por anos de abusos físicos, emocionais e sexuais cometidos pelos pais. 

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Com Javier Bardem (José Menendez), Chloë Sevigny (Mary Louise “Kitty” Menendez), Cooper Koch (Erik Menendez) e Nicholas Alexander Chavez (Lyle Menendez), a série é contada a partir de várias perspectivas: das pessoas que acreditam que os irmãos foram vítimas de abusos brutais até aquelas que defendem que Lyle e Erik mataram o pai e a mãe friamente por interesse financeiro. Monstros não apresenta uma conclusão definitiva sobre o que motivou os irmãos. Em vez disso, reúne diferentes pontos de vista, como se estivesse apresentando argumentos a um júri, e convida quem assiste a tirar as próprias conclusões. “O público vai embarcar em uma verdadeira montanha-russa, porque cada episódio muda a perspectiva de alguma forma”, afirma Ryan Murphy. 

Ian Brennan acrescenta: “Apresentar diferentes ângulos era a única maneira de fazer essa série de forma responsável, porque, no fim das contas, a verdade sobre o que aconteceu não é conhecida por ninguém além de duas pessoas que estão presas neste momento. Então, nosso trabalho foi adotar essa abordagem à la Rashomon. Eu imaginava como se estivéssemos segurando uma joia ou uma escultura, observando cada uma de suas facetas”.

Na realidade, apenas quatro pessoas sabem o que aconteceu naquela noite e duas delas estão mortas. “Pedimos ao público que decida o que realmente aconteceu, porque estamos trabalhando a partir de pesquisas, teorias e depoimentos apresentados no tribunal”, complementa Ryan.

A seguir, conheça as diferentes perspectivas que ajudam a construir essa história complexa.

Cooper Koch como Erik Menendez.

Erik Menendez

Perfil: Filho caçula de Kitty e José e irmão mais novo de Lyle, Erik é um talentoso jogador de tênis que sonha em se tornar modelo e ator. Depois que ele e Lyle matam os pais, Erik é consumido pela culpa e confessa o crime ao terapeuta, Dr. Jerome Oziel. 

Cena crucial: No episódio 9, Erik e Lyle discutem sobre o novo julgamento. 

Perspectiva: No fim da série, Erik demonstra arrependimento pelo que aconteceu. Durante o episódio 9, ele diz ao irmão: “Eu estou assustado porque eu não quero morrer. E eu não quero que você morra, e eu odeio o que a gente fez. Eu não queria que fosse desse jeito. Eu queria poder voltar atrás, mas eu não posso. E agora eu estou preso aqui nesse inferno”.   

O ponto de vista do ator: “Quando você interpreta um personagem, precisa estar do lado dele, entendê-lo, desenvolver uma empatia profunda. É preciso mostrar as perspectivas de todos para que o público possa formar seu próprio ponto de vista. Acho que essa é a única forma de contar essa história”, opina Cooper Koch durante um painel em Nova York.

Nicholas Alexander Chavez como Lyle Menendez.

Lyle Menendez

Perfil: Lyle é o filho mais velho de Kitty e José e irmão de Erik. Durante o primeiro semestre na Universidade de Princeton, ele é suspenso por plágio. 

Cena crucial: No episódio 8, Lyle e Erik discutem depois que o depoimento de Erik não sai como o esperado. 

Perspectiva: Após o depoimento de Erik ser interrompido por um problema no microfone, os irmãos discutem sobre quem realmente é responsável pela situação em que se encontram. Lyle continua justificando as ações dos dois. “Erik, não vamos esquecer o que eles fizeram com a gente. Eles tiveram exatamente o que mereciam”, afirma no episódio 8.           

O ponto de vista do ator: “As tragédias são tragédias porque têm consequências muito profundas que afetam muitas pessoas. Acho que esse estilo de narrativa permite que cada personagem apresente sua perspectiva sobre como essa tragédia impactou muito mais gente do que apenas o núcleo da família Menendez”, comenta Nicholas Chavez. 

Chloë Sevigny como Mary Louise “Kitty” Menendez.

Kitty Menendez

Perfil: Kitty era a garota mais bonita da faculdade e se casou com José aos 21 anos. Depois do nascimento dos filhos, Lyle e Erik, ela deixou a carreira em pausa para cuidar da família, mas esperava voltar a trabalhar como jornalista.

Cena crucial: No episódio 6, Kitty fala sobre os filhos durante uma sessão de terapia. 

Perspectiva: Kitty tem dificuldade para criar uma conexão com os dois filhos. “Odeio meus filhos. É melhor dizer isso logo... Lyle? O Lyle me assusta. O Erik só... O Erik é patético. Mesmo assim, eu me preocupo com eles do meu jeito. Muito mesmo. Quando eles estão dormindo, eu ainda me sinto conectada com eles. O cordão umbilical ainda mantém a gente unido. No meio da noite, eu lembro quando eles eram pequenos. E aí, eu sinto amor por eles de novo. Mas, na maioria dos dias, quase não os reconheço”, revela ao terapeuta.   

O ponto de vista da atriz: “Foi um papel muito desafiador porque, como atriz, você interpreta a verdade da sua personagem. E eu precisava interpretar uma verdade diferente a cada episódio: a Kitty que os meninos tentavam retratar, a versão do Dominick ou a do próprio episódio. Sabe-se muito pouco sobre quem Kitty realmente era. Então, tudo partia da forma como as outras pessoas a enxergavam. Achei isso muito desafiador e confuso”, explica Chloë Sevigny durante um painel em Nova York.

“Sobre o alcoolismo dela e o fato de ignorar os abusos, eu sempre pensava em como essa é uma armadilha na qual tantas mulheres acabam presas. Eu achei que poder explorar esses aspectos e trazer humanidade e profundidade para essa personagem, refletindo isso para o público, seria uma experiência incrível. E realmente foi”, completa a atriz.

Javier Bardem como José Menendez.

José Menendez

Perfil: José é um executivo da indústria musical, marido de Kitty, que conheceu na faculdade, e pai de Erik e Lyle.

Cena crucial: No episódio 6, José reclama dos filhos para sua assistente, Marzi, depois de tirá-los da cadeia sob fiança.

Perspectiva: José diz que está frustrado com o comportamento dos filhos e com como eles se sentem no direito de tudo. “Quando você ama sua esposa, seus filhos, você trabalha de baixo para cima. Eu não sabia falar inglês e limpava mesas, limpava o chão, o que fosse. E você conhece a mulher que você ama, e ela vai e te dá dois filhos lindos. E aí você se sente muito grato a ela, a esse país, e quer dar para eles tudo o que você é, tudo o que você tem, tudo o que você possui. Mas deles, tudo o que eu recebo, tudo o que eu vejo é ingratidão. E você lutou, e lutou. Você lutou por tudo isso. Mas eles só querem que você entregue tudo para eles em uma bandeja de prata com colheres de prata e coloque tudo em suas malditas bocas gananciosas sem luta, sem esforço, sem sacrifício. Tenho vergonha de mim mesmo, do jeito que eu os criei”. 

O ponto de vista do ator: “O que tentamos mostrar com José foi um homem autoritário, que realmente acredita estar certo o tempo todo e acha que deve ser obedecido pelos outros. Esse era um comportamento bastante comum entre muitos homens nas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990. E, infelizmente, ainda é. Essa masculinidade tóxica transborda para a educação dos filhos, para a família e para tudo o que podemos imaginar, com consequências importantes. Ao mesmo tempo, ele não percebe, não enxerga esse comportamento como um problema, porque foi assim que ele foi criado. Isso se reflete em atitudes muito duras em relação à esposa, aos filhos e às pessoas ao seu redor. Mas eu diria que essa também era uma forma de esconder o medo, a insegurança e de dizer que não sabia como fazer as coisas”, conta Javier Bardem.

Ari Graynor como Leslie Abramson.

Leslie Abramson 

Perfil: Advogada acostumada a representar clientes de destaque, Leslie Abramson não hesita em assumir o caso dos irmãos Menendez. Como advogada de Erik, ela o defende com unhas e dentes nos dois julgamentos e acredita firmemente que ele e Lyle sofreram abusos por parte dos pais. 

Cena crucial: No episódio 7, Leslie faz um emocionante discurso de abertura no julgamento e sustenta a tese de que os irmãos mataram os pais porque temiam pelas próprias vidas. 

Perspectiva: “O que esses meninos, essas crianças, fizeram para merecer um abuso como esse? O que foi que eles fizeram? Olha, eu vou falar do que Erik e Lyle são culpados. A única coisa de que eles são culpados é de amar a mãe e o pai que os torturaram. Então, quando Erik e Lyle sofreram a terrível provação de atirar em seus pais, não foi mesmo por maldade ou por vingança. Não foi pelos carros luxuosos ou roupas novas. Não foi pelo dinheiro. Eles dispararam aquelas armas em legítima defesa. Eles atiraram na mãe e no pai que eles amavam para que José e Kitty Menendez não matassem eles primeiro”.

O ponto de vista da atriz: “Ela era uma advogada extraordinária, uma pessoa incrível, cheia de personalidade, determinada e afetuosa. Eu realmente me apaixonei por ela”, conta Ari Graynor.

Nathan Lane como Dominick Dunne.

Dominick Dunne 

Perfil: Antes de se tornar escritor da Vanity Fair, a vida de Dominick Dunne mudou para sempre quando sua filha, Dominique, foi assassinada pelo namorado abusivo, John Sweeney. No julgamento, John foi condenado apenas por homicídio culposo, uma decisão que devastou Dominick. Durante sua trajetória como colaborador da Vanity Fair, ele passou a cobrir casos criminais. No início da cobertura do julgamento de Lyle e Erik Menendez, apoiava a tese da acusação, pois não acreditava nas alegações de abuso feitas pelos irmãos. Mais tarde, porém, na série, Dominick diz a Leslie Abramson que ou os irmãos sofreram abusos inimagináveis e os pais tiveram o destino que mereciam, ou ela os treinou para se tornarem atores excepcionais.

Cena crucial: No episódio 7, Dominick recebe convidados para um jantar e compartilha com eles sua opinião sobre os irmãos. 

Perspectiva: “É uma tragédia grega. Irmãos atormentados e abusados durante anos e temerosos pelas suas vidas matam os pais em um ato desesperado de legítima defesa. Isso é totalmente absurdo e repleto de buracos na trama. Se José e Kitty estavam planejando matar os filhos naquele domingo, por que Kitty convidou a amiga Karen Wiere para jogar bridge na casa dela naquela mesma noite? E o Lyle e o Erik estavam mesmo com medo de que os pais os matassem naquele passeio de barco? Sendo que tinha outras três pessoas naquele barco também. Além disso, vocês sabiam que a Kitty e o José tinham ido para Princeton na semana em que foram mortos para ajudar o Lyle a mobiliar o apartamento que os dois tinham acabado de comprar para ele, o que sugere que talvez eles não estivessem planejando matá-lo? A Kitty Menendez estava preenchendo a ficha de matrícula do Erik na faculdade na noite em que eles foram assassinados. Agora, pensando na hipótese, digamos que o Lyle e o Erik mataram os pais em legítima defesa porque temiam por suas vidas. Eles não chamariam a polícia e contariam a verdade? Eles não confessariam e revelariam todos os segredos terríveis da família escondidos há muitos anos? Eles não se comportariam como se tivessem um pingo de culpa pelo que fizeram? Mas não, não foi isso que aconteceu. O que eles fizeram em vez disso? Eles mentiram. Mentiram desde o começo.”

O ponto de vista do ator: “O mais interessante é que você descobre coisas que fazem você pensar: ‘Isso não pode ser verdade’. E então fica sabendo que era verdade. É difícil acreditar em algumas das coisas que aconteceram. No caso do Dominick Dunne, naquele episódio entendemos por que ele se tornou um defensor tão apaixonado das vítimas e por que, de certa forma, se solidariza com José e Kitty e não aceita facilmente a versão dos irmãos. A origem disso tudo é o assassinato da filha dele, que foi morta pelo ex-namorado, o julgamento traumático que Dominick enfrentou e o fato de o assassino ter pego apenas três anos e meio de prisão. Achei muito inteligente contar a história dessa maneira, permitindo que o público decida em qual versão acredita. Isso torna a narrativa ainda mais interessante”, diz Nathan Lane durante um painel em Nova York.

Paul Adelstein como o promotor David Conn.

O promotor David Conn

Perfil: David Conn foi o principal promotor no segundo julgamento dos irmãos Menendez. Ele assumiu o caso depois que o primeiro julgamento foi anulado, devido à falta de consenso entre os jurados, e adotou uma estratégia bem diferente da utilizada pela primeira promotora, Pamela Bozanich. David contestou as alegações dos irmãos ao lembrar ao júri que Lyle não poderia depor porque declarações comprometedoras que ele havia feito sobre os assassinatos tinham sido publicadas recentemente. Ao fim do julgamento, ele conseguiu a condenação dos dois, que foram sentenciados à prisão perpétua. 

Cena crucial: No episódio 9, o discurso final de David contribui de forma decisiva para o veredito.

Perspectiva: “Tudo o que tinham que fazer era um pequeno assassinato, e eles poderiam ter todo o dinheiro do mundo... Senhoras e senhores, os réus sua equipe jurídica são culpados. Não só do crime do qual são acusados, mas de uma coisa ainda mais sinistra. Eles são culpados de explorar o trauma de vítimas reais de abuso sexual de vários lugares e tentar usá-lo para escapar dos assassinatos”.

O ponto de vista do ator: “Ele realmente impede que o juiz aceite os relatos de abuso como prova e confronta Leslie Abramson, advogada de defesa e maior defensora dos irmãos. David era um advogado brilhante e era descrito como um buldogue. Acho que essa é uma ótima definição”, conta Paul Adelstein ao Tudum na estreia da série.

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