Temporada 4 de A Diplomata: entrevista com Keri Russell - Netflix Tudum

  • Entrevista

    Keri Russell adora levar bronca de Allison Janney na temporada 4 de A Diplomata

    As personagens das duas se enfrentam (várias vezes) na quarta e tensa parte desse drama político.

    Texto original de Ruth Kinane
    15 de out. de 2026
ALERTA DE SPOILER
Este artigo tem spoilers importantes sobre os personagens ou a trama da série.

Keri Russell está se divertindo muito, mesmo que sua personagem, a embaixadora Kate Wyler, passe por poucas e boas na temporada 4 de A Diplomata. 

“Fiz 50 anos este ano e estou vivendo a melhor fase da minha vida. Nunca me diverti tanto. Amo demais este trabalho, de verdade. A vida está entrando nos eixos, ou eu estou entrando nos eixos, e estou aproveitando muito tudo isso”, comenta a atriz.

Por outro lado, Kate Wyler, a personagem que ela interpreta, vai enfrentar desafios muito intensos e moralmente comprometedores na temporada 4 desse drama político, já disponível. E isso não é pouca coisa, considerando que, desde que assumiu o cargo de embaixadora dos EUA no Reino Unido na primeira temporada da série, ela já encarou um ataque terrorista, a morte de um presidente em exercício e a subsequente posse da astuta, porém imprudente, presidente Grace Penn (a vencedora do Emmy® Allison Janney), além de muitos incidentes capazes de acabar com seu casamento. 

E ainda teve o episódio final da temporada 3. Nos últimos minutos, Kate percebe que seu marido, o vice-presidente Hal Wyler (Rufus Sewell), e a presidente Penn criaram um plano secreto para roubar o torpedo Poseidon, uma arma nuclear russa capaz de provocar “o fim do mundo”, e essa jogada será considerada como um “ato de guerra” pelo primeiro-ministro britânico Nicol Trowbridge (Rory Kinnear). Então, é claro que os desdobramentos dessa decisão ousada e possivelmente ilegal definiram os rumos da temporada seguinte. 

“É um ponto de partida sensacional. É uma tremenda traição. Ela está em uma posição muito vulnerável com o marido e ainda percebe que os dois não só agiram pelas costas dela, mas também a usaram para conseguir o que queriam. Isso é chocante. Então, é um ponto de partida excelente, mas também muito instável”, explica Keri. 

Kate terá um grande desafio pela frente na temporada 4. Enquanto assimila a traição do marido, ela também precisa pensar nas repercussões globais da decisão ousada de Hal e Grace e questionar se uma presidente com tamanha tolerância à perda de vidas humanas está realmente apta para o cargo. 

Tudo isso deixa até mesmo uma diplomata experiente como Kate um pouco desorientada. Mas, enquanto a embaixadora tem dificuldades para se afirmar e expressar sua discordância, Keri está se divertindo à beça. “Adoro esse trabalho. De verdade. Essa personagem é muito divertida, constrangedora, caótica, boba e corajosa, tudo ao mesmo tempo, e isso é muito bom”, comenta a atriz.

Aqui, ela compartilha suas reflexões sobre a temporada e conta como foi trabalhar com o elenco e a criadora de A Diplomata.

 

Rufus Sewell com Keri Russell.
Nick Wall/Netflix

Como é a dinâmica de Kate e Hal nesta temporada e o que mudou?

Keri Russell: no início da temporada, Kate e Hal não estão confiando um no outro, e isso é ótimo. Então, acontece algo incrível e muito realista: um problema mais importante acaba unindo os dois novamente.

Outro grande tema desta temporada é que, por mais tumultuado que o relacionamento de Kate e Hal possa parecer para as pessoas, os dois têm o mesmo objetivo. Eles querem estar onde as decisões são tomadas e promover as mudanças que querem ver acontecer. São muito altruístas, querem ajudar o mundo. E, pela primeira vez, Hal realmente está nesse lugar de poder. Independentemente dos detalhes específicos, das discordâncias ou de qualquer julgamento que Kate possa ter em relação a Grace, o fato é que um deles está lá dentro, no ambiente mais influente de todos. E esse era o objetivo dos dois. Isso é algo muito importante para as trajetórias deles. O sonho virou realidade, e este é o momento mais importante de suas carreiras. Então, Kate sai de sua zona de conforto para tentar oferecer apoio a ele nessa situação. Mesmo desconfortável com alguns aspectos, ela resolve tentar.

Keri Russell.
Nick Wall/Netflix

A showrunner e criadora Debora Cahn e a equipe de roteiristas entregaram mais uma temporada incrível, cheia de reviravoltas chocantes, como sempre. Como é trabalhar em uma série com uma narrativa desse calibre?

Keri: o texto de Debora é o ponto alto da série. Ela é uma profissional de primeira linha. Vou dizer uma coisa com toda a sinceridade: não basta uma pessoa ser excelente no que faz, porque precisamos de líderes de verdade. Hoje em dia, estamos cercados de líderes medíocres, em vários aspectos. Estou cansada desse tipo de gente. Debora não é assim. Ela é um exemplo admirável e natural de uma versão diferente, uma versão melhor, de liderança. Eu acompanho o que ela faz. Ela forma e incentiva os roteiristas mais jovens e colabora para a carreira deles. Agora, vários têm indicações ao Emmy®, porque ela permite que eles prosperem enquanto cuida de tudo. 

Adoro o jeito como ela escreve. Adoro como ela é engraçada e, ao mesmo tempo, mantém uma visão surpreendentemente livre de ceticismo sobre o casamento. Pessoas inteligentes nem sempre são assim, costumam ser mais sarcásticas. Ela também tem essa parte sarcástica, mas, no fundo, é uma romântica incurável tanto em relação ao casamento quanto em relação aos Estados Unidos. Por isso, é uma pessoa tão especial.

Rufus Sewell com Keri Russell.
Rufus Sewell com Keri Russell.

Alex Graves dirige quatro episódios importantes nesta temporada. Como foi filmar as cenas mais grandiosas e também as mais íntimas entre Kate e Hal com ele? 

Keri: Alex Graves é o nosso general destemido. Eu o chamo de urso. O contato dele está salvo no meu celular como “O Urso” porque ele é aquele cara grande, forte e másculo que simplesmente é o melhor general. Quando estamos filmando em três países diferentes ao mesmo tempo e temos 300 figurantes em cada cena, ele está no comando de tudo, mas sempre mantendo a calma e a gentileza. É mais um líder maravilhoso. E isso faz toda a diferença, porque essa postura acaba influenciando a equipe toda. Ele tem uma combinação fascinante de características, acho que estudou História da Arte na faculdade. Por isso, ele valoriza de verdade a arte e a história, e aplica isso a todos os aspectos da nossa série. Mas, acima de tudo, é simplesmente o meu diretor favorito. Quando encaramos uma cena de 16 páginas, sabemos que estamos em boas mãos, com toda certeza.

Allison Janney com Keri Russell.
Erika Kuenka/Netflix

Allison Janney tem uma jornada tumultuada como Grace Penn nesta temporada. Foi divertido trabalhar com ela nessas interações mais tensas?

Keri: ah, é o máximo levar bronca dela. Por mais louca e frenética que Kate seja, com todas as suas ideias, ela sempre está tentando fazer Grace entender, tentando ajudá-la. Grace mantém a calma, fica observando, mas tem muito mais experiência e percebe que Kate está perdendo o controle. Allison Janney é maravilhosa, é uma pessoa que eu adoro, além de ser um verdadeiro exemplo de experiência e talento. Ela é incrivelmente inteligente, tem uma facilidade e um domínio impressionantes da linguagem. E, quando alguém tem essa leveza e competência, não tem estresse nem atrito no set. Assim, é mais fácil brincar com as cenas. É por isso que nos divertimos tanto. Ela é muito constante. Ela não fica tensa, agarrada a nada, só se diverte. É como jogar tênis. É muito divertido contracenar com ela.

Keri Russell.

Qual é a sua opinião sobre como foi a temporada para Grace? Será que ela sempre foi capaz de extrapolar os limites desse jeito e de ter tanto descaso com a segurança das pessoas? Ou será que o transtorno de estresse pós-traumático despertou o que há de pior nela? 

Keri: ela passou por um problema de saúde grave e acho que isso contribui para algumas dessas atitudes. Acho que, ao passar por um susto desses, algumas pessoas valorizam a opinião alheia, enquanto outras acabam se fechando ainda mais. Ela gosta do poder e se sente ameaçada. Fisicamente, com certeza tem algo acontecendo com ela. Todos esses fatores estão em jogo, e mais de uma pessoa do círculo íntimo dela está percebendo isso. 

Bradley Whitford com Keri Russell.

Kate e Todd Penn (Bradley Whitford) passam muito tempo juntos nesta temporada, quando ele assume um cargo no Reino Unido. Há muitos momentos de alívio cômico nessas cenas. Como você descreveria a experiência de trabalhar com Bradley e o arco de Todd nesta temporada?

Keri: o ritmo dele é bem diferente do resto do elenco, e é justamente essa a graça de trabalhar com esses grandes atores. Ele simplesmente entra em cena como se fosse uma granada, mudando a dinâmica de tudo. Minha personagem está lidando com uma verdadeira tempestade, e aí ele chega todo empolgado, brincando que vai dar autógrafos, e o clima muda.

Ele está aproveitando a glória. Kate já tem muitas coisas para resolver e, agora, ainda precisa ficar desfilando com ele por aí e tomando conta dele porque a esposa não dá conta? É uma situação e tanto. E o desfecho disso é que ele se torna um verdadeiro aliado, pois percebe o que todo mundo está percebendo e pede ajuda. Isso também é fantástico no roteiro da série. Não existe um vilão de verdade. Todos os personagens são muito complexos. A gente forma uma opinião inicial sobre eles, mas depois descobre que existe toda uma outra lógica, bem fundamentada, por trás de suas atitudes. Ele e Allison são peças fundamentais da série.

Os oito episódios da temporada 4 de A Diplomata já estão disponíveis. 

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