





Quando Nana Mensah se deu conta do que aconteceria no final da temporada 4 de A Diplomata, já disponível na Netflix, começou a gritar. “Não leio nada antes da leitura de roteiro. Quando fui entendendo o que estava acontecendo, fiquei tipo: ‘Meu Deus, meu Deus!’”, conta a atriz, que interpreta Billie Appiah, chefe de gabinete da Casa Branca.
O colega de elenco Ato Essandoh também ficou em estado de choque. “Eu estava no carro voltando para casa e mandei uma mensagem enorme para a Debora”, conta ele, referindo-se a Debora Cahn, criadora de A Diplomata.




Nos últimos momentos do episódio final, a presidente Grace Penn (Allison Janney) não só ameaça atacar qualquer país que se oponha à nova e arriscada missão dos Estados Unidos, como também leva Kate Wyler (Keri Russell) ao ponto de renunciar ao cargo de embaixadora no Reino Unido.
Nos minutos finais da temporada, daqueles que dão arrepios no melhor sentido, Billie Appiah e o secretário de Estado dos EUA, Miguel Ganon (Miguel Sandoval), tratam de seguir os passos de Kate, assim como faz o marido dela, o vice-presidente Hal Wyler (Rufus Sewell).
Essa cena de cair o queixo foi apenas uma das muitas crises enfrentadas por uma presidente que, em seu curto mandato, conseguiu roubar a arma mais letal da Rússia, envolver o marido inexperiente, Todd (Bradley Whitford), em delicadas negociações diplomáticas e transformar a recém-empossada primeira-ministra britânica Bethan Vaughn (Jodie Whittaker) em inimiga.
Continue lendo para descobrir como o governo Penn se meteu nessa situação perigosíssima, desvendar o que exatamente está acontecendo com Grace Penn e ouvir o elenco comentar todas as reviravoltas deliciosas da trama, além daquela intensa cena do jantar italiano.

Vamos recapitular. Na temporada passada, a Rússia perdeu contato com um dos seus submarinos. Ele transportava uma arma nuclear extremamente perigosa, conhecida como Poseidon, e acabou ficando a alguns quilômetros da costa nordeste da Inglaterra.
Kate convenceu o primeiro-ministro Nicol Trowbridge (Rory Kinnear) de que os EUA e o Reino Unido deveriam trabalhar juntos para ocultar o assunto, mas, em vez disso, Grace e Hal enviaram em segredo um submarino americano para se apropriar do Poseidon.
Em meados da temporada 4, um Trowbridge abalado renuncia ao cargo. O primeiro-ministro está sendo chantageado por Kate por conta de um vídeo que o mostra agredindo sua então conselheira Margaret Roylin (Celia Imrie), agora falecida, e está de luto pela perda de Austin Dennison (David Gyasi), seu secretário de Relações Exteriores, que morreu em um trágico acidente.
Quem assume o posto é Bethan Vaughn, uma política extremamente perspicaz e tão ponderada quanto Trowbridge era explosivo.
Ciente de que o governo Penn se apoderou do Poseidon, Bethan recebe um comunicado da Rússia informando que o país gostaria de recuperar os corpos dos tripulantes do submarino desaparecido. Ela autoriza a entrada dos russos em território britânico, o que permitiria que eles descobrissem que sua arma foi roubada, em uma decisão que faz Grace entrar em uma espiral de desespero.
Pois é, também estamos arrasados. No episódio 4 da temporada 4, descobrimos que Austin Dennison morreu em um trágico acidente de helicóptero enquanto estava em Amritsar, na Índia, para se reunir com o ministro das Relações Exteriores.

Grace já é conhecida por tomar algumas decisões arriscadas, mas, após uma tentativa de assassinato no primeiro episódio da temporada 4, ela se torna cada vez mais destemperada, e sua disposição para colocar vidas humanas em risco só aumenta.
“Quando leva o tiro, ela fica vulnerável de uma forma que, na minha opinião, nunca tinha ficado antes, e isso a transforma profundamente, de um jeito que nem ela mesma se dá conta. Ela não gosta que a vejam como fraca nem de ouvir outros membros do Congresso dizendo que ela talvez devesse tirar alguns dias de folga ou algo do tipo. E aí Grace reage: ‘Não, isso não vai me parar. Eu não vou sentir medo, vou fazer meu trabalho e insistir ainda mais em fazer tudo o que considero certo’”, pondera Allison.
Debora acrescenta que, embora todos percebam essas mudanças em Grace, ninguém sabe ao certo a que atribuí-las.
“Será que é o problema que ela está enfrentando? São as circunstâncias ao redor dela que mudaram? Ou será que a mudança aconteceu dentro dela? Todo mundo está tentando entender o que está acontecendo. Ela está diferente? Será que está diferente, mas isso é normal e faz parte do processo, já que se espera que você mude quando se torna presidente? Ao longo de toda a temporada, existe certo mistério nesse sentido”, diz a criadora.
E então, quando descobre que Bethan vai permitir a entrada dos russos em águas britânicas, Grace explode de vez: “Embaixadora, avise à primeira-ministra que ela tem duas opções: ou ela diz aos russos para ficarem longe da costa dela, ou mando navios de guerra para fazer isso por ela”, diz a presidente a Kate.
Bem ciente das consequências desse tipo de ameaça, Kate tenta amenizar o recado à primeira-ministra e opta por uma abordagem muito mais sutil. Quando Grace descobre que ela não transmitiu a mensagem a Bethan de forma incisiva, a tensão aumenta, e as duas se enfrentam durante um jantar tenso em um terraço italiano.
“A senhora levou um tiro, e o seu comportamento mudou”, diz Kate. Em resposta, Grace diz: “Vamos falar disso. É sério, enchi o saco do Todd o dia todo só por sugerir isso. É hora de enfrentarmos a ideia de que… eu posso não estar boa”.
Allison disse que todo mundo estava assustado com Grace nessa cena e admitiu que também ficou com medo dela. Apesar de começar a questionar seus próprios instintos em particular, a presidente segue em frente.
“Grace começa a duvidar de si mesma, mas não quer demonstrar. Então, para não deixar transparecer, ela dobra a aposta e toma decisões que estão assustando todo mundo e fazendo com que os outros duvidem de que ela esteja bem”, explica a atriz.

No fim das contas, Grace decide enviar Todd para transmitir sua mensagem ameaçadora e agradece a Kate pelos serviços prestados ao país de um jeito que soa parecidíssimo com uma demissão. Todd foi despachado para Londres para assumir o cargo bastante ambíguo de “enviado especial”, mas, na verdade, a ideia é evitar que a esposa precise lidar com as dúvidas dele sobre a saúde mental dela.
Como explica Bradley: “Ao longo da série, ou Todd não quer estar ali, ou as pessoas não querem que ele esteja ali. Há um desconforto em relação a ele que você pode explorar e também usar a seu favor, e isso é muito divertido”.
Totalmente inexperiente, Todd se atrapalha durante a reunião com a nova secretária de Relações Exteriores britânica, Robyn Palmer (Abigail Marlowe), e acaba sugerindo que os EUA poderiam recorrer à violência física contra qualquer cidadão britânico que se colocasse entre os navios de guerra americanos e o submarino russo, algo que, se realmente acontecesse, decretaria o fim da OTAN (Bela diplomacia, Todd!).
Obrigada a permanecer sentada em silêncio, Kate tenta impedir que Todd destrua a aliança de uma vez por todas ao se levantar rapidamente e anunciar que está sentindo “dores femininas agudas”.
“É tipo uma receita do Will Ferrell em que alguém que leva um senhor tombo achando que é brilhante. É muito O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy. É ver alguém chegar com toda a confiança do mundo e simplesmente cair em um buraco. Eu adoro isso”, diz Bradley sobre a cena de alto risco, mas também extremamente cômica.

Indefinido. Ao longo da temporada, o vice-chefe da missão Stuart Hayford (Ato Essandoh) e a agente da CIA Eidra Park (Ali Ahn) dão pequenos, mas importantes passos para levar o relacionamento a um novo patamar. Aos poucos, eles aprendem a expressar seus sentimentos durante conversas sinceras e frequentes e, depois que a presidente quase é assassinada, Eidra sugere casualmente que os dois morem juntos.
“Naquele momento, sinto que há uma espécie de niilismo, como se ela pensasse: ‘Que diferença faz? Vamos morar juntos’. O mundo está acabando mesmo, então é melhor eu dar esse passo”, reflete Ali.
Eidra chega a fazer um senhor gesto romântico para provar de vez seu comprometimento: coloca “Adore”, de Prince, para tocar para seu amado e, com seu jeito característico de falar, sempre impassível, pergunta se ele, por acaso, no futuro, talvez cogitaria conversar sobre a possibilidade de um casamento.
“Acho que Ato e eu somos bem diferentes dos nossos personagens em vários aspectos, mas a admiração que sentimos um pelo outro está toda ali. Então, nessas cenas, posso simplesmente sentir o que estou sentindo, disfarçar, e tudo acaba transparecendo mesmo assim”, explica Ali.
“Adore” também é uma das canções favoritas de Ato. “Eu costumava cantar essa música sozinho quando tinha 13 anos, usando um pente como microfone e fingindo que a vassoura era a guitarra. Quando vi aquilo escrito no roteiro, pensei: ‘Será que alguém leu minha mente?’. Debora Cahn é uma feiticeira. Ela entra na sua cabeça, desvenda quem você é e depois põe tudo no papel”.
Quando o romance dos dois finalmente se firma, Stuart é pego de surpresa por uma reviravolta séria. Ele está profundamente preocupado com a decisão da presidente de enviar navios de guerra ao território britânico e redige um comunicado pelo canal oficial de dissidência do Departamento de Estado para expressar sua oposição.
Quando toma conhecimento das ações de Stuart, Grace fica furiosa e ordena que ele seja chamado de volta a Washington. “Quando li a parte em que Stuart é demitido, pensei: ‘Nossa! Para começo de conversa, isso é de partir o coração’. Além disso, eu não conseguia imaginar como aquilo poderia se desenrolar não só para Stuart, mas para todo mundo. O que eles vão fazer? Vão se juntar a Grace e achar tranquilo ser terrorista?”, brinca Ato.
No episódio final, Stuart se prepara para ir embora de Londres, enquanto Eidra decide ficar. “Eles estão a serviço de uma grande missão, todos têm o mesmo objetivo, e esta é a primeira vez que um desejo pessoal realmente entra em conflito com isso. Nesse momento, acho que é como diz aquele velho ditado: meu trabalho é meu amor”, explica Ali.

No episódio final, líderes mundiais se reúnem para a cúpula do G7, um fórum internacional voltado a discutir questões econômicas e políticas globais. O evento reúne Grace, Hal, Kate, Billie e Bethan sob o mesmo teto na ensolarada Toscana, na Itália.
Assim que a sessão começa, Grace surpreende a todos ao tomar a palavra e explicar que Bethan pretende permitir a entrada dos russos em águas britânicas, uma ideia que ela condena com toda a veemência
“Ela dirá que os americanos estão preparados para atirar em qualquer país que venha a interferir na nossa missão. Deixem-me ser clara, amigos: ela está coberta de razão. Nada vai nos impedir de manter navios de guerra russos e navios de vigilância e armamento tático longe dos mares da Europa”, declara a presidente.
Depois de ouvir a ameaça, Kate se levanta, dá um beijo em Hal, tira a credencial de identificação, para bem diante de Grace Penn e apresenta sua renúncia. Ao sair, Billie e Miguel fazem o mesmo. “Acho chocante o que eles fazem. É impossível não admirar pessoas dispostas a ter uma postura como essa e a dar o melhor de si justamente em um momento em que poderiam optar por ficar caladas”, opina a produtora executiva Janice Williams.
Alex Graves, diretor do episódio final, filmou a cena em um único dia, usando cinco câmeras. “Foi eletrizante. Grace impõe sua vontade de uma maneira tão banal e, basicamente, diz: ‘Olá, estamos nesta cúpula de uma comunidade internacional em que trabalhamos juntos desde a Segunda Guerra Mundial, mas não estamos mais nem aí. Vamos simplesmente fazer o que quisermos, e vocês vão fazer o quê em resposta?’”, conta ele.
Fã de longa data de A Diplomata, Jodie Whittaker diz que filmar essa cena foi o momento mais surreal de sua passagem pelo set. “Há tantos figurantes, tanta coreografia, e você em um prédio de Florença sem nem conseguir acreditar que tem permissão para estar ali, cercada por todas essas pessoas. É um momento e tanto, e foi realmente arrepiante ver todo mundo tirando as credenciais. Você não sabe se Hal vai aderir, não sabe o que vai acontecer, mas Kate dá início ao efeito dominó. Foi bastante comovente”, revela a atriz.
Enquanto isso, Grace está extremamente solitária e assustada. “Naquele momento, ela sente que está sozinha. Foi muito emocionante. Grace está tão furiosa que só tenta ignorar o que aconteceu. Isso não é nada, siga em frente. Essas pessoas são doentes, e ela vai distorcer a situação para que pareça isso”, diz Allison.

No caso de Kate, a reconvocação de Stuart foi um divisor de águas. “Acho que isso muda Kate profundamente. É como se ela pensasse: ‘Ah, eu vou acabar com Grace Penn. Ela vai derrubar justamente ele, entre todas as pessoas?’. Pode me derrubar, tudo bem, mas não mexa com ele”, reflete Keri.
E claro que há também o comportamento cada vez mais errático do governo Penn e as ameaças de Grace à OTAN. “Cada um desses momentos a deixou desconfortável, e ela sempre encontrou uma maneira de optar por compreender a situação. De forma isolada, cada um desses aspectos é compreensível, mas a pergunta que ela se faz é: quando você olha para tudo isso em conjunto, está vendo uma série de situações compreensíveis ou um padrão de comportamento completamente absurdo?”, explica Debora.
Keri adorou esse desfecho para sua personagem. “Até que ponto você consegue se anular em nome desse objetivo que, suponho, seja o objetivo da equipe? Aí você está ali, diante de um momento gigantesco na cúpula do G7, e pensa: ‘Me afastei demais de quem sou. Não posso fazer isso. Posso ir embora’. Eu adoro isso. Nos Estados Unidos, acho que muitos de nós pensamos: ‘Onde estão as pessoas que vão fazer isso? Será que alguém vai se posicionar?’. E, por incrível que pareça, ninguém se posiciona”, pondera a atriz.
Nana Mensah diz que Billie decide ir embora depois que Grace cochicha “sente-se” para Hal, e ele obedece. A chefe de gabinete acreditava que Hal era capaz de conter Grace e que ela poderia dormir tranquila sabendo que o vice-presidente estava no comando, para o bem ou para o mal.
“Ao perceber que ele se deixa intimidar por ela naquele momento, naquela sala, diante de todas aquelas pessoas, Billie entende: ‘Perdemos nosso único e maior defensor, e agora Grace pode passar o trator por cima de quem quiser, onde quiser’”, explica Nana, acrescentando que Billie não conseguia mais continuar presenciando aquilo.
Se Kate não tivesse tomado a decisão de sair de forma tão pública, é improvável que Billie tivesse feito o mesmo. “Kate Wyler é como um fogo de artifício e faz as coisas de um jeito explosivo. Billie é uma atiradora de elite. Acho que ela não teria saído pela porta da frente, e sim pelos fundos”, opina a atriz.
E Keri completa: “Adoro isso. Simplesmente ir embora e depois ver ou ficar sabendo que Billie também sai é maravilhoso. É bom demais”.

Sim! Por um momento, achamos que Kate, Billie e Miguel talvez sejam os únicos a se posicionar. É quando Hal surge das sombras e Kate sente um enorme alívio. “Ela pensa: ‘Meu Deus, ainda bem que ele tomou a decisão certa. Seja lá o que for isso, seja lá o que existe entre nós, que bom que ele tomou a decisão certa’”, reflete Keri.
Debora vinha preparando esse “grande gesto” desde o início. Ela sabia que queria que Hal deixasse o local, mas precisava descobrir como conduzir a história até que essa saída se desse de forma convincente e verossímil. “Foi muito difícil levar a história até aquele ponto, mas o fato de sempre sabermos aonde queríamos chegar ajudou”, explica ela.
A aparição de Hal foi uma surpresa para muita gente no set. “Na leitura do roteiro, a última página estava omitida”, conta Rufus, acrescentando que seu personagem recebeu uma salva de palmas naquele dia.
Apesar da grandiosidade da saída de Hal, Rufus não ficou convencido de que o vice-presidente tenha tomado essa atitude ousada pelos motivos mais nobres. “Ele tenta se impor na cúpula, mas a presidente manda que se sente, e ele acata. Se há alguma nobreza no que ele faz, ela vem do fato de ele ter sido humilhado. É doloroso interpretar isso, porque não é uma imagem muito boa”.

Sem trocar uma palavra com o marido, Kate se vira para a imprensa e anuncia que o vice-presidente tem algo a dizer. Sem hesitar, Hal se aproxima do microfone e começa a falar. A tela escurece antes que tenhamos a chance de ouvir sua declaração, mas aquele momento de silêncio entre Kate e Hal diz muito.
“A despeito de tudo o que viveram e de como está o relacionamento deles agora, os dois estão em sintonia com o que o outro pensa. A história desta temporada gira em torno de Kate saber que ele deve ter algum plano secreto. Tem que haver um objetivo final, tem que haver uma narrativa paralela, e ele não vai revelá-la”, opina Rufus.
O ator arremata: “Ela confia nele, mas essa confiança pode ser abalada”.
Todas as quatro temporadas de A Diplomata já estão disponíveis.













































































