





Assim que leu o roteiro original de Sobrevivência, escrito por Connor McIntyre e Billy Ray, o vencedor do Oscar® Ben Affleck decidiu que precisava dirigir o filme: “Tinha algo muito interessante ali. Esse questionamento sobre quem somos de verdade quando as máscaras caem”.
Sobrevivência responde a essa pergunta com uma dose extra de adrenalina. O longa acompanha o candidato a prefeito de Los Angeles Mark Kimball (Ben Affleck), que precisa lidar com uma reviravolta depois que ele e sua esposa Abigail (Kerry Washington) recebem um telefonema de um homem dizendo que sequestrou seu filho. Enquanto eles tentam resolver essa crise com a ajuda de um assessor de campanha (Steven Yeun) e de uma negociadora (Gillian Anderson), as máscaras de todos começam a cair.




A história de Sobrevivência é sobre o próprio sequestro, mas também sobre como esse crime muda os personagens. “Queria que o público soubesse mais sobre cada personagem, para que cada revelação sobre essas pessoas tivesse o mesmo impacto que a trama central. Foi difícil, mas me sinto realizado. Acho que nunca tive tanto orgulho de ter feito um filme”, conta Ben Affleck.

Ben Affleck no set de Sobrevivência
Sobrevivência é um filme com a cara de Los Angeles. Qual era a sua ideia por trás disso?
Ben Affleck: Queria fazer uma história que fosse fiel aos diferentes aspectos da cidade. É como um mosaico. Se você está em um azulejo, você tem uma perspectiva, mas o azulejo do lado é diferente, seja por uma questão socioeconômica, étnica, cultural ou linguística. Essa cidade tem tantas pessoas que falam espanhol quanto inglês. O filme conta parte da história em espanhol, não porque seja uma narrativa em um idioma ou outro, mas porque essas línguas coexistem em Los Angeles, muitas vezes convivendo lado a lado.
O que vocês buscavam no elenco?
Ben Affleck: Todos são atrizes e atores que admiro e respeito. Eu já tinha trabalhado com Steven Yeun. Conhecia Gillian e o trabalho dela, ela sempre foi minha primeira opção. Conheci Kerry Washington em eventos frequentados por políticos de Los Angeles e fiquei fascinado com a habilidade dela nesses ambientes. No caso de Luis Gerardo Méndez, vi a atuação dele em Narcos e achei incrível. Até liguei para ele para pedir uma recomendação de atriz mexicana e foi ele quem indicou Adriana Paz. Então, ela nos mandou o teste em vídeo e fiquei impressionado. Assim, ela também entrou no elenco.

Kerry Washington como Abigail e Ben Affleck como Mark em Sobrevivência
Conte um pouco sobre a casa onde se desenrola a história de Sobrevivência. Ela é quase um personagem por si só.
Ben Affleck: A casa precisava mostrar quem são essas pessoas. É um imóvel caro, mas a decoração tenta ser modesta sem deixar de lado a elegância. É uma personificação de uma contradição que percebi em certas comunidades de Los Angeles, existe uma busca desenfreada por status e dinheiro e, ao mesmo tempo, um desejo de minimizar isso. Encontramos uma casa à venda onde podíamos filmar e ensaiar.
Você tiveram um tempo considerável de ensaios antes das gravações. Como isso ajudou no processo?
Ben Affleck: Nós ensaiamos por algumas semanas na locação real antes de filmar, o que é pouco comum nos dias de hoje. Eu queria que fosse muito fluido, queria saber exatamente como íamos gravar. Mas também queria que os atores sentissem que podiam improvisar e se movimentar como quisessem. Isso não é possível com um cronograma comum de filmagem. Dessa forma, todos os atores podiam colaborar.
O que isso acrescentou ao filme?
Ben Affleck: Um dos primeiros filmes em que eu trabalhei se chamava Jovens, Loucos e Rebeldes, o segundo filme de Richard Linklater. Ele escreveu uma carta para o elenco todo dizendo: “Se este roteiro for produzido como está escrito, ficará muito abaixo do que poderia ser”. Eu notei como isso afetou o pessoal. Os atores começaram a participar mais, como se fossem cineastas mesmo. O foco deixou de ser como dizer uma linha e passou a ser como dar vida aos personagens.
Eu carrego essa lição até hoje. Sempre que puder, quero fazer com que as pessoas também se sintam autoras. Existem alguns lados desses personagens que eu não saberia como escrever, mas que os atores sabem mostrar em cena.





























































