





Enquanto os fãs de Stranger Things se despedem da série que fez parte de suas vidas por quase uma década, Jamie Campbell Bower diz adeus a não só um, mas três personagens que interpreta.
Quando se juntou ao elenco na temporada 4 para ser Vecna, Jamie aterrorizou Hawkins como o maior vilão de todos. Para sua aparência grotesca, os criadores Matt e Ross Duffer se basearam no personagem Pinhead de Hellraiser – Renascido do Inferno. Mas antes de se tornar Vecna, ele foi Henry Creel, a primeira cobaia do Laboratório de Hawkins — que Onze (Millie Bobby Brown) baniu para o Abismo, uma dimensão paralela ligada à Terra por meio do Mundo Invertido.
Na sua terceira versão, Jamie também interpreta o Sr. Fulano, um homem no estilo dos anos 1950 que vira amigo imaginário de Holly Wheeler (Nell Fisher) e de outras crianças da cidade. O objetivo dele é atraí-las até sua casa para que ajudem nos seus planos malignos.

No final explosivo da série, Vecna finalmente é derrotado após uma batalha travada por nossos heróis, quando Joyce Byers (Winona Ryder) dá o último golpe com um machado e decapita o vilão. É o fim de um reinado de morte, mas, mesmo nessa cena grotesca com sangue jorrando da boca, a interpretação de Jamie Campbell Bower é tão incrível que quase dá para sentir pena do Vecna.
“Enquanto eu engasgo com a bile — sim, engasgo mesmo —, o sentimento que quero passar e as palavras que tento por para fora são: ‘Por favor, não’. Foi um dos momentos mais humanos do Vecna”, conta Jamie.
A seguir, o ator, que recentemente surpreendeu os fãs ao fazer uma participação como Henry Creel na produção da Broadway de Stranger Things: The First Shadow, reflete sobre a transformação do Henry para Vecna e como se sente com a despedida da série.

Como foi dar vida a três personagens nessa temporada?
Jamie Campbell Bower: A mudança é sempre interessante, e sair da zona de conforto também. O maior desafio para mim foi fazer toda uma declaração no episódio 7 da temporada 4 e depois ter que mentir. Eu busquei um pouco de verdade na mentira para não sentir que estava mentindo por completo. Foi mais sobre justificativa e medo. Medo é uma das principais motivações do personagem nessa temporada.
O que foi mais gratificante para você ao interpretar Vecna?
Jamie: Nas interações que tenho com o público, é muito legal ver que entendem que ele não é apenas um maluco caótico. Ele tem sua verdade e sua história. Quando encontro as pessoas e elas dizem: “Eu entendo como é”. Eu respondo: “Que bom, porque eu também”. Saber que isso funcionou é muito gratificante. Mas o fato de acharem o Vecna assustador também é.
Qual foi a cena mais desafiadora dessa temporada?
Jamie: Tem uma cena com três câmeras estáticas, e eu alterno entre Vecna, Henry e Sr. Fulano. Ensaiei uns 30 segundos de movimentos para juntar depois. No dia, o diretor Frank Darabont precisou de mais, então eu só me soltei e repeti várias e várias vezes. Foi difícil, principalmente na parte física. Outro desafio foi gravar com dublês no lugar das crianças, o que muda a interação. Filmar fora da sequência também não foi fácil. Às vezes, me sentia dirigindo no escuro e com os faróis apagados, mas não tenho dúvidas de que o resultado vai ser muito bom. Eu amo fazer o trabalho de dublê, adoro ficar pendurado.
Como foi gravar a cena da caverna e o que isso significa para o Henry?
Jamie: Estou perseguindo a Holly no deserto e ela acaba nessa caverna, que representa uma memória reprimida de um trauma do Henry, o motivo da sua vida ter se transformado assim. Ele encontra uma mala e uma pedra acaba na sua mão, o que muda tudo. É o que acabou com sua infância, seu amor, seu coração. Então, Will chega na caverna e pede para que ele resista, mas Henry diz: “Não, ele me mostrou a verdade. Me mostrou que esse mundo está corrompido. Que a humanidade está corrompida”. Foi a primeira vez na temporada 5 que eu realmente me senti humano de novo e o entendi. Eu sentia que precisava protegê-lo do ódio das pessoas. E foi nessa hora que pensei: “Agora vocês sabem por que sou assim”.

Qual foi a sua reação diante do cenário da Árvore da Dor?
Jamie: Vi uma foto em uma festa de Halloween e alguém disse: “Olha o que vamos iluminar amanhã”. Pensei: “Meu Deus, ficou muito boa”. Eu fiz isso na temporada 4 com o Covil da Mente do Vecna — em cenários grandes assim, dá vontade de entrar e se sentir imerso no lugar. Quando vi pela primeira vez, estava sozinho e foi bem legal. Pensei: “Ok, essa é a minha casa. É onde eu moro, ela é mágica e gigante”.
Como você se sentiu ao se despedir do Henry/Vecna de vez?
Jamie: Foi bem triste, porque mesmo sabendo que ainda vou encontrar todo mundo de alguma forma, não será como antes. Não vamos trabalhar todos juntos de novo. É a parte triste de dividir a vida com um grupo por quatro ou cinco anos. Ao filmar essa temporada, nos víamos sempre, nas horas boas e ruins, e acabamos virando uma família e a rede de apoio uns dos outros. É uma experiência maravilhosa. Então, fiquei triste, aliviado, confuso, animado e apavorado.
Qual é a sua opinião sobre o final da série?
Jamie: Como fã, é muito bonito e emocionante. Os fãs vão sentir que é o encerramento natural da história. A forma que Matt e Ross escrevem e as coisas tão bonitas que os personagens originais dizem uns aos outros, é tudo muito especial.

Do que mais você vai sentir saudade depois de trabalhar nessa série?
Jamie: Eu sei o que mais vai fazer falta: as pessoas. Não é a mágica de fazer uma série ou os momentos de gravação, por mais que sejam ótimos. Nada disso acontece sem essas pessoas. É preciso uma grande turma. Então é isso, dos meus amigos.
Você tem algum recado para os fãs?
Jamie: Apenas obrigado por nos deixar fazer parte da vida de vocês.
Esta entrevista foi editada para maior clareza e concisão.











































































































