


A icônica casinha de Laura Ingalls ganhou um novo lar, com novas histórias para contar.
No trailer da temporada 1 de Uma Casa na Pradaria, disponível acima, a família Ingalls busca um recomeço em Independence, no Kansas. Para a showrunner Rebecca Sonnenshine, é a sensação de que tudo é possível que torna a história tão atemporal, e foi por isso que ela quis adaptar essa narrativa cheia de esperança para uma nova geração.
Para Rebecca, a série é sobre pessoas que decidem que querem se tornar melhores e buscar mais qualidade de vida. “A história reforça a ideia de que nunca é tarde para isso. Sempre há uma chance de se reinventar e redescobrir quem somos, o que tem significado para nós, que tipo de pessoa queremos ser, que aventuras queremos viver, que vida queremos buscar”, conta ela ao Tudum. E, mesmo nove décadas depois da primeira publicação da obra original, ela acredita que Uma Casa na Pradaria ainda tocará o público, porque todos nós estamos em busca da nossa melhor vida.

Baseada no terceiro livro da série Os Pioneiros Americanos, de Laura Ingalls Wilder, a temporada 1 já está disponível na Netflix e acompanha a jornada da mamãe Caroline (Crosby Fitzgerald) e do papai Charles (Luke Bracey) com as filhas Mary (Skywalker Hughes) e Laura (Alice Halsey) em busca de fincar raízes nos arredores de Independence, uma cidadezinha em plena expansão. Como mostra o trailer, o desafio é bastante complicado: a dura vida na pradaria do século 19 traz febre, lobos e incêndios, provações que os fãs dos livros conhecem de cor e salteado.

Mas esta adaptação também leva a história para além do ponto de vista dos Ingalls. Ao tentar construir uma vida em terras que, segundo informações, eram livres, a família conhece integrantes do povo osage que há muito tempo chamam a pradaria de lar. Entre eles, estão Mitchell (Meegwun Fairbrother), sua esposa, White Sun (Alyssa Wapanatâhk), e a filha do casal, Good Eagle (Wren Zhawenim Gotts). No trailer, Charles se refere a eles como os novos vizinhos.
Para Julie O’Keefe, consultora de cultura osage de Uma Casa na Pradaria, uma mensagem ficou clara logo nas primeiras conversas com integrantes da Nação Osage: “Se vocês vão contar essa história, precisam contar os dois lados”. Ao acompanhar em paralelo a trajetória das duas famílias, a série explora a tensão entre a esperança dos colonos por novas oportunidades e as consequências devastadoras da expansão para o Oeste sobre os povos indígenas.


Para Julie, a adaptação ganha ainda mais importância em um momento em que a história dos EUA vem sendo cada vez mais diminuída ou simplificada nas escolas, pois oferece um retrato mais completo da vida na fronteira do Oeste. “Não é só a versão dos vencedores, é a história inteira. Isso é muito importante para mim”, pontua ela.
Durante a adaptação de Uma Casa na Pradaria, Rebecca fez questão de que os personagens osage tivessem profundidade própria, para além do ponto de vista dos colonos. Nos livros de Laura Ingalls Wilder, os osage são retratados, nas palavras da showrunner, como quem observa de fora. A proposta da nova série é que o público conheça esses personagens como pessoas, maridos, esposas, mães, primos e irmãs, e não só pela perspectiva de Laura. “Alguns deles tinham um pé nesse novo país que ia surgindo ao redor e outro na própria cultura. Acho que muita gente se identifica com isso”, complementa Rebecca.

A temporada 1 aborda as decisões difíceis que os osage foram obrigados a tomar enquanto a especulação de terras, os tratados de remoção e a chegada da ferrovia transformavam seu território, sem deixar de lado o cotidiano real das famílias. “Não se trata só de ideias e jogadas políticas. Principalmente no caso da família de Mitchell, tudo é movido por histórias emocionais autênticas sobre as famílias, sobre quem elas são e sobre quem querem ser”, comenta Rebecca.
Para contar essas histórias com precisão, a produção fez parceria com Robert Warrior, pesquisador osage e professor da Universidade do Kansas. “Ele nos ajudou a situar parte do material dos livros no contexto histórico real, e depois incorporamos isso à série. Tudo começou pela história”, explica Rebecca. Julie, por sua vez, colaborou com as equipes de figurino, produção e objetos de cena, e reuniu cerca de 30 artistas e artesãos indígenas para criar um total de 3.200 peças para a série, 1.127 delas feitas pelos osage. “Não trabalho sozinha. Prefiro colaborar com todos os povos indígenas do país ao meu lado. Quando preciso de algo, recorro ao meu povo todo. A credibilidade começa com os meus. Sem isso, não existe trabalho”, esclarece Julie, que também foi a principal consultora para o figurino osage de Assassinos da Lua das Flores.

O consultor linguístico Talee Redcorn e a diretora de elenco indígena Angelique Midthunder também trabalharam para dar vida ao mundo de Mitchell, White Sun, Good Eagle e seu povo de forma realista e cheia de nuances. “Foi interessante retratar tudo isso com personagens tão engraçados. O casamento deles é muito amoroso, e a filha também é meio rebelde, como Laura”, descreve Rebecca.
Para Rebecca, a alma da adaptação reside na jornada das duas famílias em busca de um futuro no mesmo momento da história, ainda que esse futuro signifique coisas muito diferentes para cada uma. “Era muito importante termos uma família que espelhasse os Ingalls e que também tentasse descobrir qual era o melhor futuro para ela e como esse futuro seria”, explica.

No trailer da temporada 1, depois da longa viagem de carroça até o Kansas, os Ingalls se deparam com essas mesmas questões. Caroline indaga: “E se for aqui que finalmente vamos nos tornar quem nascemos para ser?” Mas, nesta versão de Uma Casa na Pradaria, os Ingalls não são os únicos em busca de respostas. “Ter essas duas famílias em jornadas paralelas foi o que nos fez sentir que era a hora de contar esta história”, revela Rebecca.
Suba na carroça dos Ingalls rumo ao Oeste: assista a Uma Casa na Pradaria, disponível só na Netflix.









































































