A história real de The Mosquito Bowl: o que aconteceu com os fuzileiros que inspiraram o filme da Netflix? - Netflix Tudum

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    The Mosquito Bowl: a história real dos astros do futebol americano na guerra

    Após o ataque a Pearl Harbor, quatro astros do futebol universitário americano decidiram se alistar.

    Texto original de Stephan Lee
    12 de out. de 2026

Antes de lutarem como fuzileiros navais no Pacífico, John McLaughry, Bob Bauman, Tony Butkovich e Dave Schreiner eram estrelas do futebol americano universitário com futuros brilhantes pela frente. A vida deles girava em torno dos colegas de equipe, das famílias e dos estádios sempre lotados.

Mas, em 1941, aconteceu o ataque a Pearl Harbor.

Como milhões de jovens americanos da época, os quatro deixaram os sonhos em segundo plano para lutar em uma guerra que mudaria o mundo. Entre a vida nos campi universitários e alguns dos combates mais sangrentos da Segunda Guerra Mundial, houve um episódio extraordinário e pouco conhecido: uma partida de futebol americano disputada por fuzileiros navais na ilha de Guadalcanal, com um time formado por ex-estrelas do futebol universitário.

A partida ficou conhecida como The Mosquito Bowl. O autor best-seller Buzz Bissinger contou essa história no livro de não ficção The Mosquito Bowl: A Game of Life and Death in World War II, que inspirou o próximo filme de Peter Berg. Nicholas Galitzine interpreta John McLaughry, Bill Skarsgård vive Bob Bauman, Ray Nicholson dá vida a Tony Butkovich e Tom Francis interpreta Dave Schreiner. Para os jogadores, aquela tarde foi uma rara oportunidade de reencontrar, ainda que por pouco tempo, quem eram antes de a guerra mudar suas vidas. 

“Este filme é sobre jovens que eram heróis do esporte em suas cidades e se tornaram heróis de guerra no Pacífico. Eram atletas, filhos, colegas de equipe e rivais. Eram irmãos, amigos e maridos que riam, competiam e sonhavam juntos com um futuro que a guerra acabou interrompendo. Quis contar a história por essa perspectiva, para que o público pudesse se colocar no lugar deles: sem preparo, sem saber o que os esperava, mas tendo que enfrentar tudo mesmo assim”, conta o diretor Peter Berg.

A gente conta a seguir a história real, inspiradora e devastadora, por trás de The Mosquito Bowl, que estreia nos cinemas em 30 de outubro e chega à Netflix em 25 de novembro.

Um grupo de soldados da época da Segunda Guerra Mundial com uniformes empoeirados grita e torce ao redor de dois homens, possivelmente durante uma briga ou competição. Eles estão ao ar livre, perto de barris de metal, com montanhas ao fundo.

O que foi o Mosquito Bowl?

Buzz Bissinger descobriu essa história quase por acaso, enquanto pesquisava para outro projeto. “Foi pura coincidência. Para começar, fiquei impressionado com a ideia de uma partida de futebol americano na ilha de Guadalcanal, em plena campanha do Pacífico”, revela o autor.

Durante a pesquisa inicial, Buzz descobriu que tinha uma ligação pessoal com aquela história: seu pai, que nunca falava sobre o período em que combateu em Okinawa, era fuzileiro naval do 4º Regimento, um dos que disputaram a partida. “Ele provavelmente conhecia alguns desses caras. Foi isso que me convenceu de vez. Não foi o que me levou a começar o projeto, mas, enquanto escrevia o livro, pensava no meu pai o tempo todo”, conta.

Entre os fuzileiros navais em Guadalcanal, havia ex-jogadores de alto nível suficientes para montar um verdadeiro time de estrelas do futebol americano. Segundo Buzz, os dois regimentos envolvidos já tinham uma rivalidade, e cada um estava convencido de que tinha o melhor time. A partida reuniu três ex-jogadores selecionados para o All-American, sete ex-capitães de equipes universitárias e atletas que haviam jogado por universidades de todo o país.

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Mas a importância de The Mosquito Bowl vai muito além da reunião improvável de tantos craques. Esses fuzileiros já tinham deixado para trás o mundo familiar do esporte universitário e encarado a realidade do serviço militar no Pacífico. Por algumas horas, porém, a partida permitiu que voltassem a fazer algo que conheciam bem e que fazia sentido para eles.

“Não foi um grande acontecimento, daqueles que entram para a história. Foi um momento em que eles puderam não só se reconectar com quem eram, mas também sentir alegria uma última vez. E isso foi algo que a partida proporcionou não apenas a eles, mas também a todos os fuzileiros que estavam assistindo ou acompanhando o jogo pelo rádio”, conta Peter.

Pouco depois, aquele momento de trégua chegou ao fim, e os fuzileiros voltaram à guerra. “Por um breve instante, eles puderam voltar a ser os garotos que eram. Puderam rir, sorrir e simplesmente viver como qualquer ser humano”, diz o diretor.

Quem foram os homens reais por trás de The Mosquito Bowl?

O livro de Buzz Bissinger conta a história de vários fuzileiros navais que participaram do Mosquito Bowl, mas quatro deles ganharam destaque na pesquisa do autor: John McLaughry, Bob Bauman, Tony Butkovich e Dave Schreiner.

Ray Nicholson como Tony Butkovich, sentado junto a caixotes de madeira e cordas, com uniforme militar verde e placas de identificação no pescoço, segurando um cigarro e com expressão séria.

Ray Nicholson, como Tony Butkovich

Tony Butkovich era um jogador de futebol americano talentoso, filho de uma família numerosa de imigrantes de primeira geração nos Estados Unidos. Seus pais tiveram sete filhos, e três deles chegaram à universidade, um detalhe que chamou a atenção de Buzz durante a pesquisa. “Ele era um rapaz grandalhão e um ótimo jogador de futebol americano. Era durão”, conta o autor.

Tom Francis como Dave Schreiner, de uniforme militar e cabelo curto, olhando de lado com expressão séria, ao ar livre. Ao fundo, aparecem estruturas e outra pessoa desfocadas.

Tom Francis, como Dave Schreiner

Destaque do time All-American da Universidade de Wisconsin, Dave se revela nas cartas que deixou para trás. Ao pesquisar essa correspondência, Buzz descobriu um jovem humilde, muito crítico consigo mesmo e profundamente ligado às pessoas que amava e que ficaram em casa. Entre as cartas preservadas, estavam não só as que Dave escreveu, mas também as de sua noiva, Odette Hendrickson.

“Fiquei impressionado com a humildade dele. Dave era muito exigente consigo mesmo e tinha um jeito que beirava a timidez”, revela.

Bill Skarsgård como Bob Bauman, sentado ao ar livre, perto da água, com uma camisa verde de estilo militar e expressão séria. Ao fundo, outros homens com roupas semelhantes aparecem desfocados.

Bill Skarsgård, como Bob Bauman

Melhor amigo de Dave, Bob tinha um jeito bem diferente do dele. Segundo Buzz, era mais descontraído e despreocupado, e tentava ajudar o amigo a se soltar um pouco.

Nicholas Galitzine como John McLaughry, sentado em um ambiente interno, usando uma camiseta casual e encostado em uma parede ou na estrutura de uma cama, lendo uma carta com expressão séria. O fundo aparece suavemente desfocado, transmitindo um momento de introspecção ou emoção.

Nicholas Galitzine, como John McLaughry

John também chamou a atenção do autor por seu perfil de líder nato. Filho de um renomado técnico de futebol americano, ele ainda tinha talento para a pintura, uma faceta que surpreendeu Buzz durante a pesquisa em um arquivo de família bastante vasto. Seus familiares haviam guardado cartas escritas por John desde a infância.

“Ele era o ponto de equilíbrio do grupo. Acho que era aquele em quem todos se espelhavam. Não era de se exibir. Era um grande líder porque sabia ouvir e não corria riscos desnecessários”, destaca Buzz.

Durante a pesquisa, os quatro deixaram de ser apenas nomes em registros militares e se tornaram muito mais do que isso para o autor. “Tenho um carinho enorme por esses homens. Eles eram garotos”, diz.

Soldados com uniformes de época jogam futebol americano em um campo de terra, cercado por barracas militares e outros soldados que acompanham a partida.

Como Buzz Bissinger reconstruiu essa história?

Quando começou a pesquisar sobre The Mosquito Bowl, Buzz descobriu que quase todas as pessoas que poderiam contar o que aconteceu em primeira mão já haviam morrido. Por isso, escrever o livro foi, como ele mesmo define, “um trabalho de detetive”. “Você vai descobrindo as peças aos poucos, uma camada de cada vez”, conta.

O autor começou pelos nomes dos jogadores e pelos registros militares. Depois, foi atrás de descendentes e arquivos de família em busca de cartas, fotografias e diários. Também precisava saber se os parentes estariam dispostos a conversar com ele. Buzz passou cerca de seis meses investigando até concluir que havia material suficiente para dar vida às histórias de vários daqueles jogadores.

Algumas descobertas importantes ajudaram Buzz a reconstruir essas histórias. Os documentos de Dave haviam sido preservados pela Sociedade Histórica de Wisconsin, a família de John guardava um vasto arquivo e a sobrinha de Bob ajudou o autor a descobrir mais sobre ele. Já no caso de Tony, havia muito menos material disponível. Buzz precisou reconstituir a trajetória principalmente a partir de registros públicos e de uma entrevista com um primo que ainda era vivo na época.

As cartas ganharam ainda mais importância por registrar o cotidiano daqueles homens, e não apenas grandes momentos históricos. “Elas comovem pela simplicidade. Dá para sentir como eles sentiam falta de casa”, compartilha o autor.

Os documentos também revelavam o contraste entre a aventura que muitos jovens imaginavam viver ao partir para lutar no exterior e a trágica realidade que encontravam ao chegar ao campo de batalha.

“The Mosquito Bowl homenageia a humanidade daqueles que lutaram, lamenta a perda dos que nunca voltaram para casa e nos lembra do verdadeiro custo da guerra”, diz Peter.

The Mosquito Bowl estreia em cinemas selecionados em 30 de outubro e chega à Netflix em 25 de novembro.

Assista ao trailer de The Mosquito Bowl
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