





Na versão de Frankenstein de Guillermo del Toro, inspirado na clássica obra homônima de 1818 escrita por Mary Shelley, o gênio atormentado Victor Frankenstein (Oscar Isaac, ganhador do Globo de Ouro) enxerga sua criação (Jacob Elordi, indicado ao BAFTA) como um experimento monstruoso. Mas, para Guillermo del Toro (diretor e roteirista do filme e o vencedor do Oscar®), a Criatura, como o monstro de Frankenstein é conhecido, significa algo muito mais sagrado: é seu “santo padroeiro”. del Toro é fascinado pela Criatura desde sua infância no México.
“Passei a vida inteira com a criação de Mary Shelley. É a minha Bíblia. Mas eu queria fazer do meu jeito, reinterpretar a história com um novo tom e uma emoção diferente”, conta del Toro ao Tudum.
Felizmente essa visão se tornou realidade. Frankenstein já está disponível na Netflix, após sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Veneza em 30 de agosto (mesma data do aniversário de Mary Shelley). O público já teve a oportunidade de mergulhar no universo que del Toro vem imaginando desde a infância, e agora o diretor revela detalhes da sua versão definitiva desse clássico gótico.

“A obra-prima de Mary Shelley é recheada de perguntas que ficam ardendo como uma brasa dentro de mim: questões existenciais, delicadas, brutais e trágicas que só conseguem incendiar mentes jovens e que apenas os adultos e as instituições se acham capazes de responder. Para mim, só os monstros guardam os segredos que eu tanto busco”, analisa del Toro.
Mas Frankenstein questiona: quem é o verdadeiro monstro? A épica história acompanha Victor, um cientista brilhante movido pelo próprio ego, embarcando em uma jornada para criar uma vida nova neste mundo. O resultado é a Criatura, cuja mera existência desperta reflexões sobre o que significa ser humano, criador e criatura, pai e filho. Victor e a Criatura tentam desvendar esses mistérios enquanto buscam compreensão e procuram sentido em um mundo que parece estar tomado pela loucura.
Só que o turbilhão da condição humana não foi o único sentimento que del Toro encontrou na obra de Mary Shelley. “O livro é cheio de angústia, daquela ansiedade de quando você é adolescente e não entende por que todos mentem a respeito do mundo”, explica del Toro. O diretor buscou capturar essa sensação ao traduzir “os ritmos de Mary Shelley” para as telas e complementa: “Quando o inglês é sua segunda língua, é preciso desenvolver uma sensibilidade muito aguçada para a musicalidade e as cadências do idioma. Os diálogos do livro tem um ritmo particular, e tentei manter isso sem fazer a linguagem parecer arcaica”.
A propósito, del Toro fez questão de preservar o caráter moderno de Frankenstein em todos os aspectos do filme, que se passa na Europa do século 19. “Quando [Mary Shelley] escreveu Frankenstein, não era uma obra de época. Como se tratava de um livro contemporâneo, eu não queria que o filme fosse um drama de época em tons pastéis”, explica. Em vez disso, o diretor apostou em figurinos ousados para Victor e em estilos “exuberantes e coloridos”.
del Toro espera que seu Frankenstein permaneça na memória do público por muito tempo, da mesma forma que a Criatura que mora no coração dele. “Que os monstros habitem os sonhos de vocês e tragam o mesmo consolo que trouxeram para mim, porque todos nós já nos perdemos e nos reencontramos”, reflete ele.
Confira toda a fantasia de del Toro ganhar vida em Frankenstein, já disponível na Netflix. E continue acompanhando o Tudum para ficar por dentro das próximas novidades do laboratório.

































































