





Mia Goth não tinha entendido por completo a essência de Elizabeth, a personagem de coração puro que interpreta em Frankenstein, até participar de uma prova de figurino com a figurinista Kate Hawley. “Experimentei um vestido pela primeira vez e tudo fez sentido”, conta Mia ao Tudum. Foi nesse momento que a atriz percebeu que carregava uma parte de Elizabeth dentro de si o tempo todo.
“Ela sempre esteve muito mais próxima de mim do que eu imaginava. Mas foi preciso percorrer um longo caminho para entender que ela existe nos meus momentos mais silenciosos, quando consigo ser a minha versão mais autêntica”, diz a atriz ao relembrar essa descoberta.

Em Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro e adaptado da obra-prima de Mary Shelley, o Dr. Victor Frankenstein (Oscar Isaac) se encanta por Elizabeth, noiva de seu irmão mais novo, William (Felix Kammerer). Quanto mais Victor é exposto à sagacidade, à inteligência e à coragem de Elizabeth de dizer o que pensa, mais seus sentimentos por ela se intensificam. Mia viveu algo parecido: quanto mais mergulhava na personagem, mais fascinada ficava por ela... e também por Claire, a falecida mãe de Victor. A atriz assume dois papéis no filme. Além de interpretar a mulher por quem o protagonista fica obcecado no presente, ela também representa o conforto materno e a inocência perdida da infância dele.
Quando Mia entrou para o elenco de Frankenstein, não esperava interpretar dois papéis. Ela acreditava que viveria apenas Elizabeth. Mas, em suas primeiras conversas com del Toro, a atriz comentou que havia se tornado mãe recentemente. “Naquele momento, vi os olhos de Guillermo brilharem. Ele me disse que ainda não tinha definido como a personagem seria, e, talvez, tenha sido ali que ele começou a unir Elizabeth e Claire pela primeira vez. Por mais que Claire seja a mãe de Victor, acho que Elizabeth também tem um lado extremamente maternal.”
Esse aspecto da personagem ganha força quando Victor faz o impossível: criar vida onde só existia morte, dando origem à Criatura (interpretada por Jacob Elordi), um ser formado por partes de cadáveres. Enquanto Victor sente repulsa por sua criação — e a pune simplesmente por existir — Elizabeth oferece à Criatura seu primeiro gesto de gentileza.
“Quando ela vê a Criatura pela primeira vez, surge uma conexão imediata. Ela sabe que é capaz de compreendê-la. Elizabeth pode não se parecer com a Criatura, mas se identifica com ela. Esse foi um ponto muito importante para mim”, diz a atriz.
Na perspectiva de Mia, a principal característica de Elizabeth é a ternura. Ela destaca que a personagem é a única em Frankenstein que não enxerga a Criatura como um monstro: “Elizabeth existe sempre que me preocupo com o próximo. Ela está presente quando pergunto como foi seu dia ou como foi aquela consulta médica.”
Não é surpresa que Elizabeth consiga encontrar beleza onde outros sentem repulsa. Ela é fascinada por insetos e, no início de sua relação com Victor, chega a presenteá-lo com uma borboleta (essa foi a primeira cena que Mia gravou). “Penso em Elizabeth como uma borboleta ou uma mariposa, porque ela está sempre em movimento, tentando encontrar seu lugar no mundo”, afirma.

O figurino de Elizabeth, dos vestidos elegantes às joias elaboradas e aos adornos de cabeça, reflete sua personalidade e seus interesses. A figurinista Kate Hawley buscou inspiração na entomologia, na botânica e no mundo natural, estudando desde a anatomia dos insetos até estruturas celulares orgânicas.
“Guillermo queria que Elizabeth tivesse uma presença muito etérea, e algumas dessas cores e tecidos têm uma iridescência e uma delicadeza que nos ajudaram a alcançar esse objetivo. O figurino remete às características de insetos e besouros”, explica Kate.
Embora Elizabeth se entenda como um inseto alado, os homens de Frankenstein a consideram uma espécie de salvação espiritual. Victor se encanta por sua bondade, enquanto para a Criatura ela é como um anjo. Por isso, era importante que o figurino também incorporasse elementos ligados à iconografia divina, em sintonia com seu espírito maternal. “A linguagem religiosa é uma parte importante da personagem, e os adereços de cabeça funcionam como uma auréola. Usei véus coloridos para me afastar da tradição. Mia tem um rosto incrível, expressivo e versátil. Em uma das primeiras provas de figurino, colocamos uma touca de época nela e cobrimos seu rosto com um véu amarelo. Ela simplesmente se transformou em outra criatura”, conta a figurinista.

Mia tem um carinho por Elizabeth (e por Claire) e espera que o público sinta o mesmo: “Toda a experiência foi mágica. Espero que as pessoas assistam ao filme e se sintam representadas e um pouco menos sozinhas.” A personagem também deixou uma marca na atriz. “De muitas formas, sinto que Elizabeth também foi uma mãe para mim durante todo esse processo.”
Sinta o calor humano de Elizabeth ao (re)assistir a Frankenstein, já disponível na Netflix. E acompanhe o Tudum para mais novidades diretamente do laboratório de Victor.


























































