





🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐
Em A Diplomata, Keri Russell e Rufus Sewell interpretam Kate e Hal Wyler, a recentemente nomeada embaixadora americana no Reino Unido e seu marido ex-diplomata, um homem envolvido demais que está quase se tornando ex-marido.
“A Diplomata é uma série sobre relacionamentos de longa data, sobre casamentos entre pessoas e entre países, e sobre como é difícil manter um casamento ou uma aliança militar por tanto tempo”, diz a criadora da série, Debora Cahn (The West Wing, Homeland) à Netflix. “Nós mudamos, crescemos, o mundo muda e ainda queremos que o relacionamento dure. É uma série sobre pessoas boas fazendo o melhor para manter suas parcerias, enquanto tentam não se matar”, explica.
Com certeza, essa tensão cria uma história intrigante. Se você quiser saber mais sobre Keri, Rufus e a complexidade de seus personagens na série, este é o lugar certo. Conversamos com os atores para falar sobre linguagens do amor, cócegas em Yasser Arafat e o motivo pelo qual seus dublês nunca chegaram a trabalhar.

Vamos começar com Kate e Hal, o casal incrivelmente disfuncional que é o foco da série. De quais características deles vocês mais gostaram e quais foram mais difíceis de interpretar?
Keri Russell: O que eu mais gostei é que ela está constantemente em um estado desconfortável, agitado, nervoso, algo mais grosseiro em geral. Isso é combinado com a mania de mandar em todo mundo, o que eu acho engraçado. E o que eu menos gostei é que ela tem muito a dizer. Eu adoraria nunca precisar falar. Eu poderia fazer mímica nas minhas cenas.
E você, Rufus?
Rufus Sewell: No momento em que eu li o roteiro, soube que Keri seria escolhida. Sabia um pouco sobre Debora Cahn e era um grande fã das duas. Quando eu li, achei que o roteiro era engraçado e rápido. E eu amo essa energia meio frenética. Estava ansioso para interpretar esse caos, as trocas de farpas e o ritmo entre eles. O mais assustador era interpretar esse cara que foi convencido a se achar o tal.
Você mencionou o tom da série, Rufus, que é uma mistura de suspense, comédia, drama e romance. Como foi lidar com essa combinação?
Rufus: Não existem muitas séries assim. Foi o humor que nos pegou de jeito.
Keri: Tudo isso estava presente na escrita. O roteiro era tão bom. Na verdade, tão bom que eu pensei: “Como eles vão conseguir fazer isso?”

Acho que nunca vi um casal como Hal e Kate. Às vezes, a conexão deles me lembra um vício. Um não consegue funcionar sem o outro, mesmo que eles sejam horríveis um para o outro.
Keri: É uma linha tênue. Amo quando Hal pergunta: “Você já foi casada?”
Rufus: A dinâmica entre eles pode não ser comum na TV, mas é na vida real.
Keri: Meu Deus, é uma linha muito tênue. Você está se divorciando. Na próxima hora, não está mais. Relacionamentos de longa data são complicados.
Rufus: Ouvi falar que tudo isso pode acontecer em um só fim de semana.
Keri: É um relacionamento complicado. Essa é uma coisa sobre a qual conversamos com Debora: a diversão é o diferencial nesse cenário, e eles demonstram amor de um jeito estranho, com essa trocação política de farpas, o debate e mesmo as críticas…
Rufus: E tirando sarro um do outro.
Keri: É assim que eles demonstram amor.
Rufus: Eles insistem em ser mesquinhos.
Keri: É verdade. É isso que eles fazem. Eles são uma equipe neste mundo traiçoeiro.
A química entre vocês foi fácil?
Rufus: Foi imediata.
Keri: Não nos encontramos antes das gravações. Nós só…
Rufus: Conheci Keri quando ela estava fazendo a maquiagem. Nós nos cumprimentamos, e achei ela legal. Isso faz muita diferença. Na verdade, pode fazer toda a diferença. Conhecer alguém e perceber que essa pessoa entende as piadas, é legal, é rápida. Nem preciso terminar de falar, ela já entendeu.
Imagino que essa química tenha sido necessária para filmar a cena da briga épica e exagerada que Hal e Kate protagonizam no episódio 3. Como foi a filmagem naquele dia?
Keri: Totalmente frenética.
Rufus: Foi uma bagunça. Como se alguém tivesse jogado uma das criaturas de A Rocha Encantada em mim.
Keri: Foi muito…
Rufus: Ela gostou.
Keri: O bicho pegou muito rápido. Eu adoro como conseguimos ter uma cena significativa, que mostra que as mágoas deles são antigas, em uma série com um humor amargo e piadas inteligentes. De perguntas diretas até a total insanidade. Fica muito doida muito rápido. E tudo é muito divertido. Todo mundo tem alguma coisa que é só sua. Ou você entende o humor de uma pessoa, ou não entende. É fácil ou não é. É preciso se esforçar mais com algumas pessoas. Mas com a gente, eu só perguntei: “Vamos fazer isso?” e ele disse que sim. Nem usamos os dublês.
Rufus: Não quis privar Keri dessa oportunidade. Ela queria brigar comigo. Foi muito divertido. Especialmente quando começou a pegar galhos de árvores e fingir de morta. Foi tão bobo.
Keri: Foi muito engraçado.
Eles tinham mesmo dublês no set naquele dia e vocês disseram que não precisava?
Keri: Sim. Os dublês provavelmente ficaram pensando que nós éramos péssimos. “Esses atores idiotas.”
Rufus: Sim, mas essa cena precisava parecer pouco profissional.
Keri: Não queríamos que parecesse uma briga. Era para ser estúpido e caótico. Descontrolado, ridículo e idiota.

Algum de vocês deu um golpe de verdade?
Keri: Você levou algumas pancadas, mas nada…
Rufus: Algumas, mas só com os galhos. Não dos seus punhos.
Keri: Eu sei. Eu dei muitos tapas.
Rufus: Ela me estapeou para valer.
Keri, isso parece ser uma coisa sua. Matthew Rhys (seu marido) não contou recentemente a história do teste para The Americans: Rede de Espionagem em que você o estapeou?
Keri: É o meu estilo.
Rufus: Todo mundo tem um método. O dela envolve violência. Ela diz: “Com licença, é que isso me ajuda a…” e pronto. Você apaga.
Vocês leram algum livro que ajudou a compreender o mundo dos diplomatas?
Keri: Sim. Debora falou com muitas pessoas e nós roubamos as informações dela. E também lemos um livro chamado The Ambassadors, de Paul Richter. Um filme que achei bastante útil foi The Human Factor, um documentário sobre o conflito entre Israel e Palestina. É sobre os negociadores da Cúpula de Camp David de 2000 que começaram o trabalho ainda jovens durante o mandato de Bill Clinton, o que se conecta bastante com a série.
Rufus: Eu fiz o mesmo e também li o livro de Richard Holbrooke, porque ele era uma das referências para o personagem. Mas tudo isso só é útil até certo ponto. A inspiração pode vir aos pouquinhos de um professor, de um cara que você viu na rua ou algo assim. A cena que me marcou no documentário The Human Factor mostra Bill Clinton fazendo cócegas em Yasser Arafat do lado de fora de Camp David, meio que sendo afetuoso, tentando persuadi-lo. Foi muito humano. Um momento incrível de conexão humana. É isso que é diplomacia.

Amo os momentos mais descontraídos em que a fachada de diplomata se desfaz, como quando Kate e Hal ficam com fome e invadem a despensa do primeiro-ministro.
Rufus: Nós comemos tanto.
Keri: Meu Deus.
Rufus: Eu como bastante e sempre odiei ver atores que não comem. Ficava furioso. Como sou comilão, sempre penso: “Por que você está desperdiçando comida?” Eu como em todas as tomadas.
Keri: Para o desespero do seu estômago.
Aquelas casas, as propriedades em que vocês filmaram no Reino Unido, eram deslumbrantes.
Rufus: Foi um lindo verão. Muito legal. Como um ator inglês, se você quiser mesmo trabalhar na Inglaterra, é preciso se mudar para os Estados Unidos. Você volta para a Inglaterra para interpretar americanos. É o que eu faço agora.
Keri: Sim, foi lindo. Debora disse que ela estava filmando algo na periferia no Marrocos à noite e pensou: “Por quê? Sou eu quem escrevo e posso escrever algo que não se passa à noite…”
E como era o lago em que Rufus ficou, digamos, sem muito para se aquecer?
Rufus: Na verdade, foi maravilhoso. Colocaram água quente nele, mas nem precisava, porque a temperatura estava ótima e era úmido e verde. Uma cor bem vitoriana. Todo mundo ia nadar de manhã.
Quem teve mais problemas com o jargão político?
Keri: Provavelmente fui eu.
Rufus: Foi bem mais fácil para mim. Eu ficava uma hora e meia, pegava um bolinho e ia embora. Keri errava mais, mas também fazia mais.
Keri: Têm várias siglas que eu quero esquecer a partir de agora.
A Diplomata já está disponível.


















































































