





“Legal.”
Essa palavra, murmurada por John B (Chase Stokes) no último momento da temporada 3 de Outer Banks, abre as portas para um novo mundo de aventuras na próxima temporada. Mas, nos bastidores da série, a frase também carrega um outro significado bem especial.
Antes de começar a gravar uma cena, o primeiro assistente de direção, Michael G. Jefferson, sempre dá a deixa com um “legal!”. O elenco e a equipe estão tão acostumados com isso que Jonas Pate, produtor executivo e um dos criadores da série, instruiu Chase em segredo a dizer a mesma frase durante a gravação da cena, como uma espécie de piada interna.

“Ninguém contou nada para o Michael”, Chase revela ao Tudum. Rudy Pankow (que interpreta JJ), termina a história: “Ele ficou com lágrimas nos olhos quando percebeu”. Aliás, vale lembrar que, além de amigos, Rudy e Chase também são antigos colegas de quarto. Afinal, durante as filmagens da temporada 1, Chase passava as noites em um saco de dormir na casa de Rudy.
A dinâmica entre o elenco e a equipe da série reflete a proximidade e o humor dos Pogues, ainda que em condições bem menos perigosas. Isso fica muito evidente nas entrevistas com os astros, sempre repletas de piadas internas e menções à série Ted Lasso.
Assim como os Pogues, os jovens do elenco também têm origens bem diferentes. Apesar disso, eles sentem que formaram um grupinho próprio, já que estão todos “no mesmo barco”, diz Jonathan Daviss (Pope). Chase adiciona: “Às vezes, a piada já vem pronta.”


O próprio Chase também revela: “Nós todos dissemos que o lema da temporada 3 era ‘nada a perder’, e foi assim também no início da série. Nosso lema era ‘não temos nada a perder aqui’. Nossas agendas agora são completamente diferentes do que eram antes, mas mesmo assim tentamos achar um tempo para puxar um papo e garantir que está todo mundo de boa.”
🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐
Na vida real, a rotina do elenco ficou mesmo um pouco frenética, mas nada se compara ao que os Pogues viveram ao longo de três temporadas intensas. É por isso que, quando os Pogues finalmente encontram o El Dorado no final da temporada 3, a vitória tem um gostinho ainda mais especial. “Sabíamos que eles precisavam disso, só que acabou sendo uma vitória meio complicada”, diz o criador e produtor executivo Josh Pate. A também criadora e produtora executiva Shannon Burke completa: “A terceira temporada não podia ser um desperdício completo”.
Essa vitória é particularmente importante para Pope, ainda mais depois que Rafe (Drew Starkey) cometeu o sacrilégio de queimar a Cruz de Santo Domingo de Denmark Tanny. Só para deixar registrado, o próprio Drew não ficou surpreso ao saber que Rafe derreteria um artefato histórico valioso. Ele diz: “Eu nem fico mais chocado com as ações do Rafe. Acho que, daqui para frente, vamos ter mais um embate entre Rafe e Pope, mas o melhor mesmo era colocar os dois em uma sessão de terapia. Usar as palavras em vez dos punhos, sabe.”

Um pouco de apoio emocional certamente cairia bem para esses jovens personagens que, ao longo de trinta episódios, têm vivido “sem freios e sem amarras”, como Jonathan Daviss descreve. Chase concorda: “Eu conversei com Josh e Shannon mais para o fim da temporada sobre essa ideia dos soldados que voltam da guerra e precisam de um tempo para se acostumarem com a civilização novamente”.
Os atores reconhecem que seus personagens passaram por poucas e boas. Afinal, eles quase foram devorados por um jacaré, tiveram que escapar da mira de armas e enfrentaram mil outros desafios. O elenco todo concorda com Chase quando ele diz: “É muito trauma para lidar. É importante levar isso a sério e descobrir quais são as consequências”.

E se essa jornada levá-los em direção a uma nova caça ao tesouro, tudo bem. Pelo menos dessa vez, parece que a aventura vai acontecer bem mais perto de casa, já que o próximo tesouro que os Pogues vão procurar parece ser o do navio do Barba Negra, que supostamente está afundado na costa de Outer Banks. Praticamente “no quintal de casa”, segundo Carlacia Grant (Cleo). Madelyn Cline (Sarah), criada na Carolina do Sul, e Madison Bailey (Kiara), criada na Carolina do Norte, dizem que a lenda do Barba Negra é uma parte importante do passado da região. Madison explica: “Vai ser legal atrelar a caça ao tesouro com a história real da Carolina do Norte. Quando eu estava na escola, nós aprendemos sobre a história dos piratas e o Barba Negra era uma figura importante”.
Enquanto o tesouro do Barba Negra começa a despontar lá no horizonte, o próximo capítulo dos Pogues vai começar depois de uma passagem de tempo de dezoito meses. “Eu acho ótimo, porque dá uma sensação de recomeço para a próxima temporada”, Madison comenta. Na última cena do último episódio da temporada 3, descobrimos que Kiara viajou para salvar as tartarugas marinhas (como o primeiro episódio da série já previa). Sarah, por sua vez, está trabalhando em uma loja para surfistas com John B (mas, na opinião de Madelyn, sua personagem ainda tem muito que aprender na arte do surfe).
Ainda que uma loja para surfistas com ar-condicionado fosse só um sonho distante para o grupo quando eles estavam na Poguêlandia, na vida real, o elenco teve uma experiência muito mais confortável filmando em Barbados. Dentre as lembranças mais memoráveis na ilha caribenha estão as noites que passaram ouvindo música e bebendo rum com Coca-Cola no Dina’s, um bar tradicional que serve frutos do mar. Para Rudy, outra lembrança memorável foi fazer amizade com um cavalo chamado Vendigo na praia. Até mesmo Austin North (Topper) ia visitar nos fins de semana, mas só quando não estava ocupado explorando todos os restaurantes da Carolina do Sul com Drew Starkey. “Eu não filmei lá, mas dei uma passada”, ele conta.

Bem antes disso tudo acontecer, os criadores da série fizeram uma revelação importante a Chase: o pai de John B estava vivo. Chase sempre suspeitou que uma pessoa engenhosa como Big John (Charles Halford) certamente teria sobrevivido, e ficou feliz com a oportunidade de contracenar com um ator tão experiente. “Charles está nessa há muito tempo, então me deu bons conselhos”, conta.
Depois do reencontro, pai e filho passam boa parte da temporada 3 procurando o El Dorado. No entanto, John B logo começa a sentir que está ficando cada vez mais distante dos Pogues por conta da obsessão do pai com a caça ao tesouro. Chase se pergunta como isso vai afetar o personagem e suas amizades daqui em diante: “As coisas foram ficando cada vez mais sinistras, até que chegou um ponto em que ele não reconhecia mais o pai. Acho que John B teve que passar pelo luto de perder a imagem que tinha daquele homem”. Quando Big John morre de verdade no último episódio, John B fica arrasado pois, agora, ele se foi de vez.
Sarah Cameron passou por uma experiência semelhante. Afinal, Madelyn explica que, por mais que o pai de Sarah tenha sido o grande antagonista da série, o ator que o interpreta, Charles Esten (ou “Chip,” como é conhecido pelo elenco), se tornou “o paizão da galera”. É justamente por isso que o sacrifício dele foi tão impactante, até porque a cena da morte de Ward também marcou o último dia de Charles no set.


“Foi uma despedida muito triste”, Madelyn comenta ao relembrar a cena em que Ward olha nos olhos da filha e, para salvá-la, acaba levando vários tiros. Ela diz: “A cena me deixou triste por Sarah, porque foi o único momento em que o pai estava lá para ajudá-la, sem nenhuma intenção oculta. Ela sempre teve a esperança de que ele se tornasse uma boa pessoa, e ele só foi capaz de fazer isso logo antes de morrer”. Carlacia Grant diz que, depois de gravar a cena, o elenco chorou durante toda a viagem de volta para o hotel: “Era um trajeto longo e o Chip ficou lá, dando conselhos. Foi muito triste”. Esses últimos conselhos de pai, aliás, não foram nada de novo para os atores. Madison, por exemplo, diz que “ele já me chamou várias e várias vezes para me dar conselhos, mesmo sem que eu pedisse”.
Sarah estava presente na morte do pai, mas Rafe não, e nós não sabemos como ele reagiu à notícia. Drew acredita que “ele vai colocar a culpa em Sarah e John B ou vai acabar se culpando, e essas duas atitudes são destrutivas”. Antes de morrer, Ward chegou a nomear Rafe como o próximo líder do clã Cameron. “Era tudo o que ele queria e ele finalmente conseguiu”, diz Drew.

Rafe também não aparece na cena final da temporada, que se passa dezoito meses depois dos últimos acontecimentos, mas Josh Pate garante que o público vai receber alguns flashbacks mostrando o que aconteceu nesse meio tempo. Ele diz que o grupo precisa ficar em paz e deixar a poeira baixar enquanto processam o que conseguiram fazer e o que perderam.
“Estou muito animado para descobrir o que aconteceu durante esses dezoito meses”, diz Jonathan, sabendo que os fãs não vão parar de especular. Rudy Pankow, no entanto, tem uma pergunta ainda melhor para os Pogues: “O que vocês querem agora? Vocês finalmente alcançaram o objetivo. O que vem por aí?”
Depois de assistir ao último episódio mais uma vez, Chase diz que nada naquela cena parecia trazer segurança: “Era a primeira vez que eles se encontravam depois de muito tempo? Será que eles se afastaram, ou será que os Pogues continuam firmes e fortes?”
JJ tem esperanças de que nada mudou entre o grupo. O ator que o interpreta, por sua vez, acredita que o sonho de JJ é que Pope, John B e os Pogues virassem seus vizinhos para que todos pudessem envelhecer juntinhos. Jonathan, no entanto, acha que todos eles deveriam morar juntos em uma grande mansão, agora que estão com dinheiro. Ele até já escolheu a propriedade: Tannyhill Plantation. Ao saber dessa sugestão, Rudy declara: “Honestamente, Tannyhill tem fantasmas”. Chase concorda: “É, Tannyhill parece ser mal-assombrada, e eu tenho muitos traumas naquela casa”.
Ao refletir sobre os traumas compartilhados dos personagens, Madison se pergunta se os Pogues vão ter uma temporada mais tranquila. Carlacia já tem a resposta: “Sem chance”. Madelyn concorda: “Dormir é para os fracos”.
E todo mundo sabe qual vai ser a resposta do John B.
A temporada 3 de Outer Banks já está disponível.






















































































