





Quando o produtor executivo Shawn Ryan liga, você atende. Mesmo sendo Hong Chau e mesmo tendo passado os últimos tempos entre um parto e quatro filmes seguidos em que roubou todas as cenas, um deles rendendo sua primeira indicação ao Oscar. Então, quando Shawn, criador de The Shield, chamou Hong para o novo suspense de ação O Agente Noturno, “foi um sim bem fácil”, conta ela ao Tudum.
Hong conta que já era fã de Shawn Ryan e dos trabalhos anteriores dele. E, com O Agente Noturno, Shawn entrava em terreno novo: um drama de espionagem eletrizante. “Eu nunca tinha tido a chance de brincar nesse gênero”, diz ela.
O Agente Noturno é o parque de diversões definitivo da espionagem. Em dez episódios, a série tem de tudo: sequestros, traições, tramoias e perseguições de carro, enquanto Peter (Gabriel Basso) e Rose (Luciane Buchanan) correm para desvendar uma conspiração instalada nos mais altos escalões do governo. No centro do caos está Hong, como Diane Farr, chefe de gabinete da presidência, uma mulher pragmática de cabelos grisalhos que empunha todo o poder do executivo e não pede desculpas por sua agenda misteriosa.
Quem acompanhou os trabalhos recentes de Hong em O Menu ou A Baleia tem desculpa se não a reconhecer de cara, graças aos já mencionados cabelos grisalhos, escolha estética dela própria. Hong explica que Diane tem certo peso e que era preciso fazer algo que servisse à personagem. Foi assim que ela enviou a Shawn a foto de uma amiga, a quem descreve como um “arraso”: a escritora Susan Choi, autora de Trust Exercise. “Ela tem um cabelo lindo, marcante. Acho que o Shawn ficou um pouco surpreso quando mandei aquela foto”, conta Hong.
Mas o showrunner aprovou o visual, ciente de que ele ajudaria a construir a presença imponente de Diane. E o que mais é preciso para dar vida a uma mulher assim, que esconde lealdades e planos por trás de um olhar decidido e de estratégias afiadas? Continue lendo e descubra como Hong deu conta do recado.
Você não fez um teste tradicional para O Agente Noturno , foi só uma conversa. Como foram os primeiros papos com Shawn?
Antes de conversar com ele, eu li o livro (em que a série é baseada). Queria entender por que ele tinha escolhido essa história e o que esperava da série. Ele me disse que queria explorar a dinâmica entre homens e mulheres no trabalho, como as coisas ficam quando discordam. E o que acontece quando concordam e caminham para um objetivo comum.
Diane não tem medo de discordar de absolutamente ninguém, ainda mais de homens muito poderosos.
A gente conversou muito sobre o fato de que, como chefe de gabinete, ela não fica exposta às câmeras. Não precisa dar entrevistas o tempo todo, então também não precisa se preocupar em ser simpática ou apresentável. Não é aquela personagem impecável e inofensiva. Consegui mostrar isso nas cenas dela com vários dos homens.
Ela tinha uma relação diferente com o Peter, uma espécie de relação entre mentora e pupilo. Foi interessante poder ver uma mulher cuidando de outra pessoa, mas não da forma que a gente costuma imaginar. Diane Farr não tem família. Não tem ninguém. Não tem vida pessoal. O trabalho é a única coisa que ela tem, e ela não pede desculpas por isso. Ela ama o que faz, e isso a realiza. Não precisa de mais nada.
Então, o que motiva ela a dar tudo de si nesse trabalho? Ambição? Lealdade à presidente Travers (Kari Matchett)?
A melhor resposta a que chegamos, e todo mundo concordou, é que Diane acredita mesmo na presidente, na agenda dela e na chance de tornar o país um lugar melhor. Não é só lealdade a uma pessoa porque estudaram juntas ou porque são amigas. É sobre a nação e sobre servir a ela. Diane não é uma soldada no sentido tradicional. A forma como ela se move é mais cerebral: o negócio dela é lidar com pessoas, com personalidades.
Você realmente se transforma em Diane. Como foi trabalhar com a equipe de cabelo e maquiagem?
Caroline Dehner, que chefia o departamento de cabelo, entrou nessa de cara. Ela é craque em perucas e criou uma peça que ficou ótima. Aquilo me alimentou, com certeza. Eu virava outra pessoa quando colocava aquela peruca.
Também foi um jeito bonito de homenagear todas as mulheres que eu via por perto deixando o cabelo grisalho aparecer durante a pandemia. Ninguém pintava mais o cabelo. Eu achava lindo. Acho que eu queria ser uma delas.
E os tailleurs poderosos dela deixam claro que ninguém a questiona.
Quando falamos sobre o figurino, eu disse para Carla Hetland, nossa figurinista: “Acho que a Diane contratou uma stylist que foi à Bloomingdale’s, escolheu dez terninhos para ela e pronto. Ela só vai revezando”. Diane não precisa pensar no que vestir de manhã. Mas ela é estilosa e elegante.
Diane é seu primeiro papel de destaque depois da indicação ao Oscar. Como é passar de um filme intimista como A Baleia para uma série explosiva como O Agente Noturno?
Eu adoro que seja tão diferente de A Baleia e O Menu. Acho que tenho um histórico muito bonito de trabalhos com cineastas de voz bem própria. Na televisão, gosto de trabalhar com showrunners fortes. E Shawn Ryan é, sem dúvida, alguém com uma trajetória e tanto.
O desfecho de Diane fica bem em aberto na temporada 1. O que isso significa para ela, na sua opinião?
Não sei. Adorei trabalhar com o Shawn e com todo mundo envolvido. Então, acho que a decisão é do público.
Esta entrevista foi editada e resumida.










































































