



“Alex Rose representa todos nós.”
Às vezes, as mães realmente sabem o que é melhor. E isso vale tanto para a personagem de Sofia Carson no filme A Lista da Minha Vida quanto para a própria atriz.
Pouco depois da estreia de Continência ao Amor em 2022, Sofia (Bagagem de Risco, Meu Ano em Oxford) estava em uma reunião quando recebeu um email com o assunto “A Lista da Minha Vida”. A atriz e produtora percebeu que era um roteiro, mas não podia parar para ler naquele momento. Minutos depois, recebeu uma mensagem da mãe: “Pare tudo o que estiver fazendo e leia esse roteiro”. Ainda bem que ela ouviu o conselho.
Sofia mergulhou de cabeça no papel de Alex Rose em A Lista da Minha Vida, uma jovem presa a uma rotina da qual não consegue escapar. A única pessoa capaz de ajudá-la a se redescobrir é exatamente quem ela acabou de perder: a mãe, Elizabeth, interpretada por Connie Britton (Tudo pela Vitória, Dia Zero). Antes de morrer, Elizabeth deixa uma missão para a filha: cumprir a lista de desejos que Alex escreveu aos 13 anos. Como incentivo, ela vai receber um DVD gravado pela mãe a cada item que ticar da lista. A tarefa parece assustadora, mas Elizabeth sabe que esse é o empurrão de que a filha precisa para se reencontrar.
“Sofia lutou pelo filme. Ela leu o roteiro e se apaixonou de cara”, relembra a produtora Liza Chasin (Cidade Perdida, Stillwater: Em Busca da Verdade). Antes mesmo de terminar a terceira página, a atriz já tinha mandado mensagem para seus agentes pedindo uma reunião com o diretor e roteirista Adam Brooks (Três Vezes Amor, Imposters) o quanto antes. Os dois se encontraram na manhã seguinte. “Parecia o reencontro de duas almas que já se conheciam de outras vidas”, conta Sofia.

Quando estava se preparando para a reunião com Adam, Sofia fez algumas anotações com tudo o que queria dizer. “Falei para ele que Alex Rose representa todos nós. Acho que todo mundo já passou por uma fase em que parece estar no piloto automático, você está vivo, mas não está vivendo de verdade. Alex desperta em nós essa vontade de viver de novo. Ao longo da jornada dela, a gente também passa por tudo o que faz parte da vida: sofrer, perder, rir, chorar, perdoar, se curar, sorrir e amar outra vez.”
Sofia encerrou a conversa torcendo para ter causado uma boa impressão no diretor. Na manhã seguinte, ela já pôde ticar um item da própria lista: ser escalada para interpretar Alex. E pensar que isso aconteceu há quase três anos.
A seguir, Sofia conversa com o Tudum sobre a forte conexão que criou com o filme e sobre como a história retrata o amor, o luto, a família e o reencontro com quem realmente somos.
Antes de A Lista da Minha Vida, Adam Brooks não conhecia Sofia. “Assisti a Continência ao Amor e adorei o trabalho dela”, conta o diretor. Mas a Sofia da vida real não poderia ser mais diferente de Alex Rose, que está completamente perdida quando a história começa. “Ela se identificou muito com a essência da personagem. A relação entre mãe e filha tocou em algo muito pessoal.”
A postura e a maturidade de Sofia fizeram Liza Chasin enxergá-la como uma mulher muito forte, segura e poderosa, tanto que a produtora chegou a se perguntar se ela conseguiria interpretar alguém tão perdida quanto a protagonista. “Alex está um caos. Vive descabelada e passa metade do filme com a maquiagem de qualquer jeito. Se ela colocar um salto alto, é capaz de não parar em pé”, brinca Liza. Mas Sofia queria muito viver essa personagem. E estava disposta a se dedicar o quanto fosse preciso.
Sofia admite que Alex não tem muito a ver com a imagem que as pessoas fazem dela. Mesmo assim, se sentiu profundamente ligada à personagem. Ao ler o roteiro, o que mais a atraiu foi perceber que qualquer pessoa pode se enxergar na protagonista. “Eu também já me senti perdida. Encontrei a Alex dentro de mim e soube na hora que podia dar vida a ela. Seria uma honra. Eu queria cuidar dela e protegê-la o máximo possível”, conta.
Como destaca a produtora Liza Chasin, Connie é conhecida nos EUA por ter interpretado mães icônicas. Não é à toa que a atriz de Tudo pela Vitória tenha se identificado tanto com a integridade de Elizabeth e com a relação dela com a filha. “Elizabeth enxerga quem Alex é naquele momento, mas também quem ela ainda pode se tornar. Ela está falando de algo que reconhece na filha e que talvez mais ninguém consiga ver”, conta Connie.
Mesmo dividindo poucas cenas, Connie e Sofia criaram uma sintonia quase imediata, segundo o diretor Adam Brooks. “Foi emocionante ver essa conexão acontecer. Elas pegaram intimidade muito rápido e acabaram desenvolvendo uma ligação intensa de mãe e filha, daquelas que dá até uma pontinha de inveja”, diz Adam. Para Connie, a dedicação de Sofia fez toda a diferença. “Ela estava completamente envolvida com o projeto e queria muito construir essa relação entre nós. Eu adorei. Sofia tem um coração enorme e é uma atriz muito generosa.”
Sofia também elogia a sensibilidade de Adam na gravação da cena em que Alex assiste ao primeiro DVD deixado pela mãe. Em produções como essa, quando um personagem aparece apenas em uma ligação ou em vídeo, é comum que não tenha nada no set e que os atores precisem fingir que estão contracenando com alguém. Por isso, Sofia não fazia ideia de que veria Connie de verdade no monitor. “Grande parte da minha reação foi totalmente espontânea. Aquela foi a primeira vez que eu vi Elizabeth Rose falando com Alex desde que ela perdeu a mãe. Foi um momento lindo e muito emocionante”, relembra.


A paixão de Alex por ensinar é a verdadeira essência da personagem em A Lista da Minha Vida. “Foi por isso que ela ficou tão arrasada quando sentiu que tinha falhado”, explica Sofia. Essa relação também reflete a forma como a própria atriz lida com a carreira. “O que eu faço, meu amor pela arte, pelo cinema e pela música, vai muito além de um trabalho. Faz parte de quem eu sou”, conta.
“É por isso que dá tanto medo. A minha mãe vive dizendo que ‘para conquistar o que você quer, é preciso encarar o medo’, e isso faz todo o sentido para o momento que Alex está vivendo. Para mim, Alex Rose faz a gente despertar para a vida, cada um do seu jeito e bem na medida do que precisamos”, conta Sofia.
Sofia também se permitiu explorar o lado mais vulnerável e caótico da personagem, aprendendo a abrir mão do controle. “Quando assumi o papel, decidi deixar de lado os métodos de preparação que tinha usado antes, que sempre envolviam estudar tudo nos mínimos detalhes”, relembra a atriz. Quando ela desabafou com Adam sobre essa nova abordagem e contou que “só queria ser Alex”, os dois caíram no choro. “Ele me disse que essa era a forma perfeita de dar vida a ela. Essa entrega total acabou sendo terapêutica para mim.”
Sejam os irmãos mais velhos (interpretados por Dario Ladani Sanchez e Federico Rodriguez) ou os pretendentes amorosos, ninguém em A Lista da Minha Vida é um completo antagonista na jornada de Alex para se reencontrar. “Eu não queria que houvesse vilões, mas era importante que ninguém fosse perfeito. A missão de construir relacionamentos reais entre a Alex e os irmãos, a mãe, o pai e os namorados era fundamental. Sinto que o filme funciona porque todo mundo ali é extremamente humano”, explica Adam.
A personagem de Sofia conhece Garrett (Sebastian de Souza) no trem, e a atração entre os dois é imediata. Mas logo fica claro que ele não é o cara certo para ela. “Adam humaniza todos os personagens. De certa forma, nunca existe um vilão de verdade. Isso também era muito importante para nós em relação ao personagem do Sebastian, porque, normalmente, nesse tipo de filme, um dos romances parece claramente melhor do que o outro. Mas em determinado momento da história, dá perfeitamente para imaginar a Alex e o Garrett juntos”, comenta Sofia.
Mas é Bradley Ackerman (Kyle Allen), o jovem advogado da família Rose, quem acaba se tornando o porto seguro de Alex, algo que surpreende os dois. É ele, inclusive, quem responde corretamente às quatro perguntas do teste do amor verdadeiro criado por Elizabeth. Em um de seus DVDs, Elizabeth admite que até ela teve dificuldade para encontrar alguém capaz de fazer isso. “Kyle e eu tivemos uma troca muito leve logo de cara, e isso funcionou muito bem, porque a relação entre Alex e Brad começa com uma amizade descontraída que, aos poucos, se transforma em amor. É um tipo de amor muito bonito, porque são amigos que se tornam melhores amigos”, compartilha.
Fazer A Lista da Minha Vida foi uma das experiências mais marcantes da vida de Sofia: “Serei eternamente grata por Adam e Liza terem acreditado em mim para ser a Alex Rose deles. Ser dirigida por Adam foi uma alegria sem fim. Minha mãe disse que ver a gente trabalhando parecia assistir a um espetáculo de balé... Era como se estivéssemos dançando em perfeita sintonia o tempo todo. Foi lindo demais”.
A Lista da Minha Vida já está disponível, só na Netflix.












































































