





O último episódio de Dom de Iludir começa com um flashback de 32 anos atrás, quando Lúcia Rossetti (Marieta Severo) vai a Paris fechar a compra de um quadro que, no futuro, causaria tanta discórdia. A obra em questão é Mulher com Filho Morto, de Candido Portinari. Grávida, ela passa mal durante a viagem e acaba no hospital ao voltar ao Brasil. As lembranças de Lúcia ajudam a entender por que a mãe se agarra tanto à filha.
No presente, Maíra (Alice Wegmann) deixa a prisão, Irina (Nanda Costta) continua na cadeia e Bóris (José de Abreu), patriarca dos Petrov, quer vingança.
Explicamos para você as revelações e os acertos de contas do capítulo 10, até chegar ao banho que encerra esse absolute melodrama e deixa a gente de cabelos em pé.
Depois do julgamento do episódio 9, Maíra deixa a prisão, onde estava preventivamente, e volta para casa. Lúcia já pensa no próximo endereço da filha: quer comprar um apartamento no mesmo prédio para mantê-la por perto. Para isso, pede que Orlando (Felipe Camargo) acelere o inventário do marido, Frederico (Jonas Bloch), que ela mesma havia mandado arrastar. Só que o advogado lembra que Maíra continua casada com Irina. Liberar a herança, portanto, também beneficiaria a mulher que Lúcia quer afastar da filha.

A matriarca dos Rossetti então pergunta se Maíra ter sido considerada semi-imputável facilitaria declará-la incapaz. Orlando responde que isso poderia ajudar, mas a possibilidade de anular o casamento esbarra em outro interesse da cliente: a guarda de Tati (Laura Vick). A menina está morando com Lúcia, que se apegou à caçula dos Petrov e pediu para ficar responsável por ela — Maíra acha a ideia estranhíssima.
Segundo o advogado, é justamente a união entre Maíra e Irina que favorece esse pedido, porque Lúcia é considerada uma espécie de avó da garota.
Natália (Giovanna de Jesus) perde o emprego no escritório de advocacia após o escândalo envolvendo os Petrov. Em casa, uma visitinha surpresa a espera: Bóris. O avô pede perdão por perder o controle da situação. Os golpes que comandava levaram à prisão de Irina e ao banho de sangue que vimos no episódio 7. Ele insiste que tudo o que fez foi por amor à família.

A jovem lembra que ele matou seu pai. Bóris justifica o crime dizendo que o então marido de Irina queria afastá-las dele. Para a neta, o que sempre manteve a família unida foi o medo. “Eu fui o melhor pai que podia ser para as minhas filhas”, afirma o patriarca. Natália retruca: “Você não foi pai porra nenhuma. Foi, no máximo, um chefe de quadrilha”. Ela ameaça ligar para a polícia. Ainda foragido, Bóris vai embora, prometendo conquistar o perdão da neta.
Depois, segue para a cobertura dos Rossetti para vingar a morte da filha Bárbara (Luciana Paes) durante a operação policial que Lúcia atrapalhou.

Um dia antes do sequestro de Lúcia e Maíra, Bóris mantém Sandra (Laila Garin), ex-governanta dos Rossetti, presa na própria casa e a obriga a revelar os segredos dos antigos patrões. Depois de arrancar dela os podres da família, ele vai embora. Sandra consegue se soltar com a ajuda de um vizinho e avisa a policial Elaine (Heloisa Jorge).
Fingindo interesse em comprar um imóvel no prédio, Bóris chega à cobertura de Lúcia. Dá dinheiro para Tati tomar um sorvete, pede que Natália a busque e dispensa os empregados. Depois, faz mãe e filha reféns e obriga Lúcia a confessar os crimes da família em vídeo. Também exige provas de tudo o que ela conta. Quando a dona da casa pergunta o que ele ganha com aquilo tudo, Bóris resume a vingança: “Não é o que eu ganho, mas o que você perde”.

Elaine negocia com Bóris a libertação de Lúcia e Maíra. Para convencê-lo a soltar as reféns, a policial pede que Sandra conte aos jornalistas o que ouviu enquanto passava despercebida pelos patrões. O relato expõe a lavagem de dinheiro pelo mercado de arte, envolvendo Frederico, Dante (José Mata) e Orlando. O esquema também passa por um restaurante de fachada e pelo garimpo ilegal no Norte do país. As denúncias chegam à TV, e Dante e Orlando são presos.
Lúcia diz a Maíra que obrigou Dante a romper o noivado com a filha ao descobrir que ele comandava o esquema. Também afirma que atrasou o inventário para Orlando terminar de limpar o dinheiro e evitar que a jovem fosse envolvida. A demora, porém, também mantinha Maíra financeiramente dependente da mãe.

O sequestrador vê os crimes dos Rossetti no noticiário e oferece a localização do Portinari roubado em troca da liberdade de Irina. Elaine diz que não pode desfazer a condenação pelo júri e tenta convencê-lo a soltar as reféns antes que a polícia invada o local. A policial revela a suspeita de que o laudo usado no julgamento foi comprado. De acordo com ela, o documento fez Maíra ser considerada semi-imputável e triplicou a pena de Irina.
Bóris exige a confissão da maracutaia de Lúcia, que mostra o comprovante de uma transferência de R$ 100 mil para o perito. Elaine conta a Bóris que, se a fraude for comprovada, o julgamento pode ser anulado, a pena de Irina revista e Maíra pode voltar à prisão. Mas a invasão do apartamento interrompe a negociação. Bóris se tranca no escritório com as reféns e ameaça matar Maíra para fazer Lúcia sentir a dor de perder uma filha.
Ao disparar, atinge a colecionadora, que se coloca na frente. Ele aponta novamente para Maíra, mas um atirador de elite o acerta na cabeça antes que Bóris dispare outra vez. É sangue para todo o lado, e Bóris morre. Lúcia sobrevive e vai para o hospital, onde começa a chamar por Teresa.
Intrigada, Maíra deixa a mãe sob cuidados médicos e volta para casa à procura de respostas. Ela se lembra do pingente com a letra T que Tati encontrou entre as coisas de Lúcia e ganhou de presente. A menina também contou que Lúcia às vezes a chamava de filha, o que a incomodava. No armário da mãe, Maíra encontra roupinhas bordadas com as letras M e T, pulseiras de recém-nascidas e certidões de nascimento e óbito. É assim que descobre que teve uma irmã gêmea, Teresa.
Os flashbacks do episódio mostram Lúcia grávida em Paris para comprar o quadro Mulher com Filho Morto, de Candido Portinari. Na conversa no hospital, ela admite que viajou contrariando as recomendações médicas. Passou mal durante a viagem e, ao chegar ao Brasil, foi hospitalizada. As meninas nasceram prematuramente, com problemas cardíacos.

Havia apenas um coração disponível para transplante, e as duas bebês precisavam dele. Os médicos continuariam procurando outro doador, mas sem garantir que o encontrariam a tempo. “Eu não tenho condição de escolher qual filha vai viver e qual vai morrer”, diz Lúcia a Frederico.
Maíra sobreviveu, e Teresa morreu. Lúcia se culpa pela viagem e pela perda da bebê. O medo de perder também Maíra, que cresceu com a saúde fragilizada, ajuda a explicar a superproteção. Quando Bóris ameaça fazê-la sentir a dor de perder uma filha, ela já conhece essa experiência. A pintura também ganha outro sentido: a mãe que tanto quis comprar a imagem de uma mulher com o filho morto nos braços acabou vivendo a própria perda.

Lembra do dinheiro que Bóris entregou a Tati no dia do sequestro? Ao pegar a nota de R$ 50 para comprar o sorvete da irmã, Natália vê números escritos à mão na cédula e decide guardá-la. Mais tarde, numa visita a Irina na prisão, mãe e filha percebem que os números podem levar ao Portinari desaparecido. Todos os outros quadros roubados dos Rossetti já haviam sido vendidos. Menos o Portinari, que continuava sumido.
Irina lembra das caças ao tesouro que fazia com o pai na infância e identifica os números como coordenadas. “O Bóris podia ser bandido, mas ele nunca deixou de pensar na família”, comenta ela. Natália segue as coordenadas e encontra a obra.
Maíra visita Irina na prisão para perguntar o que foi verdadeiro entre elas. “Vivi a minha vida inteira com mentira atrás de mentira. Eu não aguento mais”, diz. Irina reafirma o que disse no tribunal e declara: “Eu nunca amei ninguém como amo você”. Maíra conta que se sentia livre, alegre e leve ao lado da esposa. Depois de descobrir as armações dos Petrov, porém, sente que aquela versão de si mesma deixou de existir.

Irina também comenta que mudou. A mulher durona que era antes de amar Maíra já não existe. A conversa termina sem reconciliação. Irina continua presa, e Maíra volta a viver com Lúcia.
No quiosque de Jorge (Hamilton Dias), Sandra termina a história tomando bons drinques à beira-mar, numa referência ao famoso meme de Luísa Marilac. O negócio do ex-motorista dos Rossetti saiu do papel graças a um suborno de Orlando. O advogado pagou para que Jorge não fosse ao julgamento e, assim, escondesse a verdade sobre a participação de Maíra nos golpes que os Petrov aplicaram em Lúcia.
Depois de receber alta, Lúcia retorna com Maíra à cobertura, agora sem os quadros da coleção da família. A polícia voltou ao imóvel após o sequestro para apreender documentos e as obras de arte ligadas à lavagem de dinheiro. Maíra anuncia que vai ficar morando ali.

Na última cena, ela se senta à beira da banheira e lava os cabelos da mãe, ao som de Liniker cantando Dom de Iludir, de Caetano Veloso. Após tantos anos sob os cuidados e o controle da mãe, Maíra passa a cuidar de Lúcia. O olhar da filha, no entanto, não deixa a gente muito tranquilo.
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