



Quem maratona séries conhece a dor de viver o luto por um personagem. Eu, particularmente, sou mais afetada do que gostaria pelas despedidas dos meus entes fictícios mais queridos: choro, fico de mau humor e até visto preto. Não foi fácil reviver todos esses traumas, mas reuni abaixo as mortes que mais me abalaram em toda a história do catálogo da Netflix. Este texto — é claro — contém muitos spoilers.

Essa morte só não foi mais traumática porque o livro que inspirou a série Cem Anos de Solidão me preparou para o que viria. Ainda assim, ver na tela o patriarca José Arcadio Buendía (Diego Vásquez) se despedindo de Macondo — e a chuva de pequenas flores amarelas caindo após a sua partida — foi uma catarse que dificilmente vou esquecer.

Na disputa familiar pelo controle do império do jogo do bicho no Rio de Janeiro, sobrou para o coitado do Riva (Nando Cunha), o motorista. Na primeira temporada da série, foi ele quem se deu mal na explosão de um carro, numa emboscada armada para matar o Profeta (André Lamoglia). Mirna (Mel Maia), que via em Riva uma figura paterna, ficou com o coração partido. E eu também fiquei, porque achava o personagem muito simpático.

Outro que morreu por engano, em circunstâncias semelhantes. Pulga (MC Rhamon), o braço direito de Nando (Christian Malheiros), se tornou um personagem importante da quinta temporada de Sintonia: me afeiçoei por ele, só para depois sofrer ao vê-lo ser vítima de mais um carro-bomba, numa armadilha planejada para matar o próprio Nando.

Esse lindo mocinho deu a vida tentando proteger sua amada Kiara (Madison Bailey), no final da quarta temporada de Outer Banks. E a história fica ainda mais triste porque ele foi morto pelo próprio pai biológico, Chandler Groff (J. Anthony Crane). JJ (Rudy Pankow) não merecia esse destino trágico. Ao menos sua partida serviu para alimentar o desejo de vingança dos Pogues, e culminou no acerto de contas com Groff na temporada seguinte.

O único jeito possível de assistir à primeira temporada de Você é se indignando com todas as red flags de Joe (Penn Badgley), ignoradas por Beck (Elizabeth Lail). Quando ela finalmente descobriu que o namorado era um psicopata, a sensação de alívio durou pouco… Beck foi presa por Joe em uma gaiola de vidro e quase conseguiu escapar. Quase.

Quem vai narrar a série agora? Foi o que muita gente se perguntou depois da morte de Tóquio (Úrsula Corberó), na metade da quinta temporada de La Casa de Papel. Em uma das cenas mais tensas de toda a trama, ela foi encurralada por militares e atingida por vários tiros, durante um confronto no Banco da Espanha. Mas, antes do suspiro final, uma surpresa! Tóquio explodiu as granadas que levava no colete, levando vários inimigos consigo, incluindo seu arquirrival Gandía (José Manuel Poga).

Foi difícil escolher uma entre as muitas mortes chocantes de Round 6 para incluir nesta lista, então optei pela mais óbvia. Foram três temporadas torcendo pelo protagonista Gi-hun (Lee Jung-jae): primeiro, para que ele vencesse os jogos mortais da série; depois, para que conseguisse acabar com eles. No fim, a forma que Gi-hun encontrou de encerrar o ciclo de violência foi sacrificar a própria vida, para salvar a de um bebê recém-nascido. Um final difícil de engolir, mas cheio de significado: ele mostrou que é possível haver humanidade, até no mais cruel dos mundos.

A série coleciona momentos traumáticos. Janete (Camila Morgado) passou anos sendo vítima dos abusos físicos e psicológicos do marido, o policial Brandão (Eduardo Moscovis), foi isolada da família e obrigada a ser cúmplice e testemunha de crimes horríveis, cometidos contra outras mulheres. Depois de tudo, é claro que eu esperava para ela algo pelo menos próximo de um final feliz. Mas não foi isso que aconteceu no final da primeira temporada: Verônica (Tainá Müller) não conseguiu salvá-la e Janete terminou assassinada por Brandão.

Quem não viu Stranger Things não entende por que eu sou capaz de derramar algumas lágrimas ouvindo “Master of Puppets”, do Metallica, uma música que nem é tão emocionante assim. No final da quarta temporada, o querido Eddie (Joseph Quinn) tocou esse som em sua guitarra para atrair os Demobats e, assim, proteger seus amigos de um destino terrível no Mundo Invertido. Pareceu que ficaria tudo bem, mas só pareceu mesmo. Eddie acabou se sacrificando para salvar Dustin (Gaten Matarazzo).

Quando Poussey (Samira Wiley) morreu na quarta temporada de Orange Is the New Black, o episódio acabou e eu continuei atônita olhando para a TV por um bom tempo. Ela só queria ajudar Suzanne (Uzo Aduba), que estava tendo uma crise de pânico, mas foi violentamente imobilizada e asfixiada por um policial, em uma cena angustiante e impossível de esquecer. Essa tragédia serviu para mover a trama da série — a quinta temporada é centrada na reação das detentas de Litchfield — e, principalmente, para chamar a atenção para casos reais de violência policial dentro das prisões.







































