





Ao final da temporada 2 de Magnatas do Crime, Eddie Horniman (Theo James) levou tiros, foi espancado até quase morrer, sofreu uma dupla traição, foi enterrado vivo, ficou viúvo logo após o casamento e embarcou em uma busca por vingança que o levou a matar. E, após várias reviravoltas inesperadas, é seu irmão mais velho, Freddy (Daniel Ings), quem termina a temporada segurando uma cabeça decepada.
Foi uma verdadeira jornada para um cavalheiro que, um ano antes, só queria que os criminosos saíssem das terras de sua família.
A temporada 2 começa com Eddie ampliando seu império ao lado de Susie Glass (Kaya Scodelario) e usando o título que herdou para ascender na elite britânica. Mas, como explica o roteirista principal e produtor executivo Matthew Read, a ambição de Eddie levanta uma questão cada vez mais urgente e perturbadora: “Ele quer demais? Será que vai perder a alma em sua busca por ascender e se tornar mais poderoso?”.
No episódio final da temporada 2, essa questão deixa de ser tão teórica. A seguir, acompanhe o caminho chocante, estiloso e trágico até esse desfecho banhado em sangue.

O episódio final começa com Eddie procurando quem ordenou o ataque a Mansão Halstead e a tentativa de sequestrar seu sobrinho bebê, Tarquin. Há uma pista que pode ajudar: Zammo, um dos mercenários que participaram do ataque e sobreviveu.
Infelizmente, Eddie não conduz um interrogatório justo. Enquanto tortura Zammo, ele sugere repetidamente que Bobby Glass (Ray Winstone) deve ter ordenado o ataque. O mercenário, aterrorizado, cede e confirma aquilo em que Eddie já acredita. Eddie então recruta Marco Moretti (Sergio Castellitto) para organizar o assassinato de Bobby dentro da prisão.
Mais tarde, Eddie descobre algo que destrói sua teoria: tio Stan (Giancarlo Esposito) revela que vendeu a dívida de Eddie para Bobby no dia em que Eddie se casou com Bella (Benedetta Porcaroli). A revelação faz Eddie perceber que seu antigo chefe não era, afinal, o responsável por trás dos ataques.
E há ainda mais uma reviravolta inconveniente: o assassino contratado por Marco já está a caminho.
Eddie e Susie correm para a prisão, onde Eddie ajuda a salvar Bobby do assassino na sauna, embora Bobby acabe com ele usando um punhal. Mas cancelar o assassinato resolve apenas parte do problema. E Eddie lembra Bobby: “Só para deixar claro, você não é o meu dono”.
Com Bobby fora da lista de suspeitos, Eddie e Susie sobem na cadeia de comando até chegar ao Gospel (Pearce Quigley), o criminoso que cita a Bíblia e que, na temporada 1, buscou vingança contra Freddy por ele ter matado seu irmão e, desde então, criou um vínculo distorcido com Freddy. Acontece que o Gospel vem manipulando Freddy, cujo ressentimento por ter perdido a herança de Halstead só aumentou desde a temporada 1.

No fim, Freddy admite que sabia o que o Gospel estava planejando e o ajudou. Eddie agride o irmão e aponta uma arma para ele, mas não atira. Em vez disso, a porta de uma van se abre e revela o Gospel amarrado lá dentro, ao lado de uma motosserra.
“Alguém tem que morrer, Freddy”, Eddie diz.
Ele manda Freddy entrar na van. Enquanto Eddie fica do lado de fora, com a porta fechada, de repente se ouve o som inconfundível de uma motosserra. Momentos depois, quando as portas se abrem, Freddy sai coberto de sangue. Eddie diz: “Muito bem, Freddy”. Freddy então ergue a cabeça decepada de o Gospel enquanto Eddie acende um cigarro.
Essa é a última imagem que vemos no fim da temporada 2. E, segundo Matthew Read, a grande questão não é necessariamente o que essa experiência fez com Freddy, mas o que ela revela sobre Eddie. “Eu espero que a questão seja mais sobre no que Eddie se transforma, sobre ele fazer algo tão estranho quanto isso. Ele enlouqueceu ou está caminhando para se tornar um líder implacável, capaz de fazer coisas extraordinárias?”, afirma Matthew, que acredita mais na segunda possibilidade.

No fim da temporada, os laços de Eddie com o império dos Glass não poderiam estar mais frágeis.
A relação de Eddie com Bobby desmorona por causa da proposta de descriminalização da maconha. Bobby quer impedir a aprovação do projeto para proteger a operação dos Glass, enquanto Eddie vê em segredo a legalização como uma grande oportunidade. Seu plano é investir em um negócio legal de cannabis enquanto coloca a maconha produzida ilegalmente pelos Glass no mercado legítimo, permitindo que eles ofereçam preços mais baixos que os concorrentes e, como Eddie diz, cheio de otimismo, se tornem “o Starbucks da maconha”.
Quando Eddie desafia Bobby, as consequências são imediatas e fatais. Lorde Hawthorne (Hugh Bonneville), contato político de Eddie na Câmara dos Lordes, morre depois de cair de uma janela. A legislação fracassa, e Bobby faz Eddie pagar por sua rebeldia. Os homens de Bobby quase matam Eddie de tanto espancá-lo e o jogam em uma cova rasa. Para escapar, ele precisa abrir caminho de volta à civilização com as próprias mãos. Theo James se entregou à deterioração física de Eddie. “Eu não queria ver Eddie sempre tranquilo que nem água. Queria vê-lo ferrado”, diz Theo.
Por isso, no episódio final, quando as evidências parecem apontar para Bobby, Eddie está disposto a acreditar nisso. Mas, quando percebe que estava errado, corre para impedir o assassinato que arquitetou.
Isso não significa que Eddie volte de repente a ser o soldado obediente de Bobby. Bobby pode ter comprado a dívida de Eddie, mas Eddie mudou completamente os termos da relação entre eles. No início do episódio final, Eddie diz a Susie que, se voltar, será nos seus próprios termos.

A conspiração leva de volta ao Gospel e Freddy.
Essa escolha não era inevitável. Matthew Read conta que os roteiristas consideraram uma “verdadeira galeria de vilões” formada pelos inimigos que Eddie acumulou, incluindo pessoas ligadas a vítimas anteriores. Mas fazer com que a ameaça viesse da própria família tornou tudo ainda mais pessoal.
“Achamos que trazer a ameaça para mais perto de casa seria uma revelação mais chocante e impactante”, diz Matthew. As tensões entre Eddie e Freddy existem desde o início da série, o que torna o envolvimento de Freddy ainda mais devastador do que o surgimento de outro inimigo externo.
No início da temporada 2, o Gospel conhece Freddy na reabilitação e se apresenta como um irmão espiritual que entende o que foi tirado dele. O Gospel transforma esse ressentimento em fervor religioso, comparando a sucessão do título de Eddie e Freddy à história de Jacó e Esaú. Quando Freddy percebe no que se envolveu, Bella está morta e sua família foi atacada.

Os roteiristas precisavam dar a Eddie algo a perder. No início, Eddie e Bella parecem formar uma dupla estratégica. Os dois são aristocratas que transitam entre a velha riqueza e o crime organizado, e Bella se torna cada vez mais útil para a operação italiana de Eddie após a morte de seu marido, Cico (Michele Morrone).
A princípio, o relacionamento lembra uma parceria de negócios à moda antiga. “O casamento é uma forma de unir famílias, como faziam séculos atrás”, diz Theo James. Mas o vínculo se torna mais do que uma jogada estratégica: “Na verdade, ele se apaixona por ela”.
Bella revela um lado de Eddie que ninguém mais consegue despertar. Depois de sobreviver por pouco à punição de Bobby, Eddie pede Bella em casamento e diz que ela esteve ao seu lado durante a provação que quase o matou: “Você tava na jornada. Em cada passo do caminho”. E Bella aceita.
Então, poucas horas depois de se casarem no Lago Maggiore, Bella embarca em um hidroavião para disputar uma corrida até a Suíça com Eddie, que prefere ir de carro (Sim, Bella pode realmente ser a alma gêmea dele). Enquanto sobrevoa o carro para provocar Eddie e manda um beijo para ele, o avião explode diante de seus olhos. O momento é brutal — e isso tem um propósito.
A temporada 2 primeiro destrói Eddie fisicamente e, depois, tira Bella dele. “Achamos muito importante mostrar Eddie como alguém que poderia ser destruído, que era vulnerável. Acompanhar como Eddie reagiria a algo tão terrível acontecendo com ele abriu espaço para o drama dos momentos finais da temporada”, diz Matthew Read.
Para Theo James, a morte de Bella destrói mais do que o casamento de Eddie. “Ela despertou nele a possibilidade de uma vida boa, longe da morte e da destruição. Então, quando ela é rapidamente tirada do mundo, toda a percepção que ele tem de si mesmo e da própria vida é completamente desconstruída”, diz o ator.

Eddie quer se vingar dos dois, e derramar ainda mais sangue pelas próprias mãos ao matar o Gospel não resolveria isso.
Ao obrigar Freddy a cometer o assassinato, Eddie se vinga do Gospel e, ao mesmo tempo, rompe o controle que ele exercia sobre Freddy. Como Theo James explica, Eddie “praticamente castra psicologicamente o irmão enquanto executa uma vingança horrível contra o responsável pela morte de sua esposa”.
Matthew Read acredita que há uma lógica ainda mais distorcida por trás disso. Na visão de Eddie, obrigar Freddy a assumir a responsabilidade pelo que ajudou a arquitetar é um “passo rumo à redenção”.
“É tudo ou nada”, diz Matthew. Freddy passou boa parte da vida assumindo diferentes identidades: o garoto inconsequente, a vítima e, agora, o cristão renascido. O violento teste imposto por Eddie o força a parar de se esconder atrás dessas personas e assumir a responsabilidade por seus atos. Matthew chama o que Eddie faz de “uma forma implacável de terapia e justiça”.
É claro que quem administra essa terapia é um viúvo em luto, com um homem feito prisioneiro e uma motosserra. “A justiça que ele encontra é bastante distorcida e estranha porque ele ainda não processou o luto”, diz Matthew Read.
Theo James afirma: “Acho que ele passou de, no início da temporada 1, ser uma pessoa boa que só tentava ajudar a família, tirar esses criminosos da antiga propriedade em ruínas do pai e manter as luzes acesas, para se tornar alguém capaz de cometer atos de violência profunda e brutal”.
Theo James aponta O poderoso chefão: Parte II como uma referência útil para pensar em Eddie: a história de um homem cada vez mais capaz de usar sua inteligência para derrotar os inimigos, enquanto perde uma parte de si mesmo nesse processo. “Até que ponto ele perde a si mesmo enquanto se vinga de todos que o machucaram?”, pergunta Theo.

Dada a química entre Eddie e Susie, a introdução de Bella na história poderia ter criado uma rivalidade amorosa convencional. Kaya Scodelario foi categórica ao dizer que isso não deveria acontecer e, felizmente, essa nunca foi a intenção, mesmo quando, mais tarde, Eddie e Bella se casam.
“Não vamos fazer um triângulo amoroso. Estamos em 2026. Não fazemos mais isso”, Kaya se lembra de ter dito.
Susie estabelece a hierarquia quando Bella entra para a operação, mas, depois que Bella prova seu valor, Susie passa a vê-la como uma igual e admira sua força. Susie percebe desde cedo que Bella está interessada em Eddie e, além disso, parece se divertir ao observar o relacionamento dos dois se desenvolver.
Isso não significa que Susie não seja afetada pela relação de Eddie com Bella. Segundo Kaya, um dos raros momentos em que a armadura de sua personagem começa a rachar acontece quando Lorde Hawthorne faz uma avaliação devastadora: Susie tem um coração frio e estará sempre sozinha. “Senti tudo isso por Susie naquele momento. Ela equilibra muitas coisas ao mesmo tempo. É a pessoa mais inteligente da sala, mas também está profundamente perturbada. Acho que as experiências dela com Eddie, vê-lo se tornar cada vez mais imprevisível, perceber no que ele está se transformando e notar que ele está se aproximando de Bella... tudo isso se torna demais. Acho que é o primeiro momento de verdadeira sobrecarga que vemos nela”, diz a atriz.

De certa forma, eles estão mais envolvidos do que nunca, e talvez sejam mais perigosos um para o outro do que nunca.
Essa contradição os acompanha durante toda a temporada. Eles se entendem quase por instinto e estão sempre presentes um para o outro, mesmo quando suas ambições tornam cada vez mais difícil que um permaneça subordinado ao outro.
Matthew Read afirma que, apesar de tudo o que acontece entre eles, “o afeto e a conexão sempre vêm à tona”. Depois de sobreviverem juntos aos acontecimentos da temporada, ele acredita que os dois estão “provavelmente mais próximos do que nunca no fim da temporada 2”.
Mas a evolução de Susie como indivíduo já está em andamento. Enquanto Bobby planeja a próxima fase do império dos Glass, Susie começa discretamente um relacionamento com Carlos Vargas (Cosimo Fusco). Enquanto Bobby acredita estar comandando uma única organização unificada, Susie começa a construir algo que seja só dela.
“Quando chega ao fim, ela percebe que não pode mais ficar sob o nome do pai, que precisa seguir seu próprio caminho e que não pode mais contar com Eddie como parceiro”, afirma a atriz.

O assassinato de Bella parece indicar que Magnatas do Crime seguirá imediatamente para uma história de vingança de Eddie. Em vez disso, o episódio 7 desvia desse caminho e transforma Geoff Seacombe (Vinnie Jones) no herói de um thriller de invasão domiciliar, quando mercenários armados invadem a Mansão Halstead para sequestrar Tarquin.
Essa mudança foi intencional. Matthew Read diz que a equipe criativa queria “pegar o público de surpresa” depois da morte de Bella, e todos sabiam que Vinnie Jones daria conta do episódio.
“Acho que Vinnie Jones é uma arma, e sempre sentimos que, em algum momento, queríamos soltar o Vinnie. Sabíamos que ele já tinha feito tantos filmes de ação incríveis, que tinha um carisma extraordinário, mas seguramos isso de propósito até o momento em que alguém tenta sequestrar o neto dele”, diz Matthew Read.
Para Vinnie Jones, toda essa violência vem do mesmo lugar que as cenas mais tranquilas de Geoff: lealdade e devoção absolutas. “Ele colocou a própria vida em risco por aquele bebê. Eles poderiam ter cortado Geoff em 50 pedaços. Ele ainda teria vencido aquela guerra por aquele bebê”, afirma o ator sobre Tarquin.

A temporada 2 deixa, de propósito, algum espaço para o mistério.
O Bannik — o estranho espírito da sauna que Bobby acredita ser capaz de prever o futuro — surgiu quando Matthew Read pesquisava saunas a vapor para escrever as cenas de Bobby na prisão e encontrou referências aos espíritos das casas de banho do folclore eslavo. Depois que Matthew incluiu a entidade em um dos discursos de Bobby, Guy Ritchie quis ir além e colocar o Bannik de fato na série, segundo Matthew.
No episódio final, a aura mística do Bannik se torna muito mais difícil de descartar como uma simples ilusão de Bobby. Enquanto isso, Eddie tem seu próprio contato com o inexplicável por meio da Pedra de Londres, e tio Stan apresenta repetidamente a ascensão de Eddie em termos espirituais e históricos.
Matthew Read explica que a evolução do misticismo na série é intencional: “Quanto mais você observa um personagem, mais camadas encontra e mais frequências esses personagens conseguem captar, e não queríamos nos limitar ao tipo de história que achávamos que poderíamos contar”.

Todos estão expandindo os negócios — mas talvez não juntos.
Bobby termina a temporada imaginando um império dos Glass que absorve a operação de Marco e se espalha pela Europa continental e além. Eddie sobreviveu à rebelião contra Bobby e parece pronto para voltar à operação, mas deixa claro que não vai seguir as ordens de ninguém. Susie começa discretamente a construir relações e canais de fornecimento que pertencem a ela, e não a Bobby. Freddy sobreviveu ao julgamento de Eddie, embora ainda não se saiba qual versão de Freddy vai surgir depois que ele sai da van coberto de sangue.
Talvez a maior questão que permanece após o episódio final esteja relacionada à alma de Eddie: tudo o que acontece na temporada 2 dá a ele, ou quase dá, tudo o que ele achava que queria — poder, independência e amor — e depois cobra um preço por isso. Ele termina a temporada mais poderoso do que nunca, mas com uma capacidade de brutalidade que o Eddie da temporada 1 talvez nem reconhecesse.
A temporada 2 de Magnatas do Crime já está disponível, só na Netflix.
































































