





No final da temporada 1 de Magnatas do Crime, Eddie Horniman (Theo James) deixa que sua parceira, Susie Glass (Kaya Scodelario), veja de perto seu anel de sinete, onde está gravado o lema da família: “Non sine periculo” (Não sem perigo). Essas palavras poderiam muito bem descrever o episódio 8, que é repleto de sangue, falsidades e traições.
Na primeira metade do episódio, o pai de Susie, o chefão do crime Bobby Glass (Ray Winstone), diz para sua filha e Eddie que está vendendo o negócio de tráfico de maconha. Tudo que eles precisam fazer é informar as partes interessadas: o ardiloso bilionário americano Stanley Johnston — tio Stan — (Giancarlo Esposito), o vigarista arrogante Pete Podrão (Joshua McGuire) e a explosiva baronesa das drogas Mercy (Martha Millan), e receber as propostas. Todas as ofertas devem ser superiores a £ 150 milhões e enviadas por pombo-correio até o final da semana.
Em uma reviravolta típica dos roteiros de Guy Ritchie, Eddie e Susie decidem aproveitar a negociação para eliminar seus inimigos. Eles dizem a tio Stan que ele ganhou a disputa, mas usam alguns aliados para conseguir os comprovantes fiscais do milionário e prendê-lo por evasão fiscal. Mercy e Pete são então informados de que Pete foi o vencedor. E Mercy, temendo se indispor com seus parceiros colombianos nada afáveis, mata Pete para ficar como vencedora. Por fim, Eddie e Susie fazem o gângster Henry Collins (Max Beesly) eliminar Mercy, deixando o duque e a herdeira do império das drogas como os únicos candidatos capazes de assumir o negócio de Bobby.
“Estão fazendo uma limpa. Ela mostra que Eddie é mais ameaçador do que aparenta ou finge ser. Acho que ele mente para si mesmo que não tem sede de sangue, mas, na verdade, é mais perigoso e letal do que todos ao seu redor”, conta Theo.
À medida que o episódio chega ao fim, percebemos que todos em Magnatas do Crime são mais sanguinários do que poderíamos ter imaginado. Mas o que isso significa? Abaixo, o elenco esclarece as maiores dúvidas do público.
Um vilão. No episódio 2, descobrimos que o bilionário americano é mais bandido que aristocrata. Isso porque, apesar de sua aparência refinada, ele também é um magnata da metanfetamina. Em razão de suas atividades criminosas, tio Stan tem grande interesse no negócio de Bobby Glass. Afinal, diversificação é o segredo para um bom portfólio de investimentos.
Por isso, tio Stan está por trás de muitos dos contratempos enfrentados por Eddie e Susie na temporada 1. A maconha roubada no episódio 3? Os problemas de distribuição no continente no episódio 5? Até mesmo a luta de boxe armada que quase matou Jack (Harry Goodwins) no episódio 6? Tudo orquestrado por ele.
O traficante confessa friamente todas as suas armações no episódio final, dizendo a Susie que suas ações eram o único jeito de convencer a família Glass do seu legítimo interesse no império da maconha. Theo ainda está impactado pela postura inabalável do ator Giancarlo Esposito como tio Stan: “Adoro ver o quanto ele consegue expressar sem mexer um único músculo do rosto. É fascinante”, diz ele ao Tudum.

Bobby não fica triste de saber que sua filha e o duque derramaram sangue pelas ruas do submundo de Londres para botarem as mãos no seu negócio. Esse sempre foi o plano, revela. Ele só disse aos dois que estava vendendo a operação para fazê-los acordar e mostrar que estavam “dispostos a meter a mão na massa”. Agora eles podem avançar para a próxima etapa do plano dele: expandir o império das drogas. Eddie e Susie não estão comprando a operação, estão investindo nela junto com Bobby — que certamente não vai se aposentar.
“Eles foram manipulados pelo maior gângster de todos: Ray Winstone. Ele os fez pensar que estavam no controle, mas não estavam de forma alguma. Ele os pegou pelo pescoço. Tem o controle de todos”, diz Theo.

É difícil dizer se Eddie e Susie são amigos, inimigos, colegas ou algo completamente diferente. Só no episódio final, Susie quase faz a família de Eddie ser assassinada por uma gangue cristã por causa de uma suposta traição. Mas, ao término do episódio, eles viraram parceiros em um cartel de drogas multimilionário e encaram um ao outro durante uma execução na floresta. Os próprios Theo e Kaya admitem que a dupla é complicada.
“Eles passaram a nutrir um carinho mútuo, cada um do seu jeito, mas acho que nunca vão confiar plenamente no outro. São pessoas muito diferentes e vêm de mundos totalmente distintos”, diz Theo.
Kaya lembra que Susie tem motivos para ficar de olho no duque. Primeiro porque o desespero dele para sair da operação acabou fazendo com que Jack, irmão de Susie, quase morresse em uma luta de boxe. Além disso, Eddie procurou o pai dela sem consultá-la.
“Ela é o tipo de pessoa que, quando perde a confiança, não esquece mais. Pode perdoar, mas não vai esquecer. Achar que eles teriam um final feliz e tudo ficaria perfeito não seria realista, porque agora os dois já provaram o gosto dessa vida. Eles aprenderam como o outro age e se sentiram traídos. Isso vai ficar latente por muito tempo”, comenta Kaya.

Sobre a execução, a pessoa na mira da arma de Eddie é Henry, que inicialmente estava a serviço de tio Stan. Henry planejou a luta que quase matou Jack no episódio 6 e ameaçou a vida de Susie no episódio 7. Depois que Henry ajuda Eddie e Susie a eliminar seus inimigos e ainda paga £ 15 milhões por um suposto acordo de negócios no episódio final, o duque o conduz à floresta para executá-lo. Henry é uma espécie de oferta de paz. Eddie oferece a arma a Susie, mas ela diz que ele deve puxar o gatilho para cumprir sua “jornada”. Eddie aceita sem dizer uma palavra.
“Esse é o começo da jornada dele rumo às trevas”, diz Theo. O momento lembrou o ator da dupla mais mortal e com sede de poder da obra de Shakespeare, Macbeth e Lady Macbeth. Mas Theo também se inspirou em outro marco da cultura pop: o icônico drama mafioso O Poderoso Chefão.
“Michael Corleone tem a alma destruída ao longo daquele filme. E, de um jeito mais bombástico e no melhor estilo Guy Ritchie, a alma de Eddie fica mais sombria. Ele finalmente percebe que a morte acompanha o poder, e começa a gostar disso… Eddie e Susie fizeram um pacto com o diabo e estão prestes a embarcar em uma jornada infernal”, explica Theo.

Geoff (Vinnie Jones), guarda-caça da Mansão Halstead, é o pai biológico de Charly (Jasmine Blackborow), irmã mais nova de Eddie.
A caçula da família Horniman percebe a verdade depois de voltar da universidade grávida. Ao pensar na própria criação, ela se dá conta de que não é filha do falecido duque de Halstead. Ela é filha de Geoff, e sua mãe, Sabrina (Joely Richardson), teve um caso. Ainda que nunca digam as palavras “pai” ou “filha”, Geoff e Charly têm uma conversa franca ao melhor estilo britânico no episódio final sobre a verdadeira natureza da relação entre eles.
“Se você olhar a história das famílias que viviam em castelos, deve ter havido muitos segredos em que todos sabiam de tudo. Quem mora em um castelo sempre fala sobre quem está namorando quem, quem anda fazendo o quê. E acho que isso é muito similar à questão do verdadeiro pai de Charly”, comenta Vinnie.

O irmão mais velho de Eddie, Freddy (Daniel Ings), passa por muita coisa na temporada 1. Ele perde o título de duque para o irmão mais novo, o que, por si só, já seria um duro golpe. Então Freddy contrai uma grande dívida com pessoas muito perigosas, mata um homem usando uma fantasia de frango e, por fim, quase é assassinado por uma gangue de traficantes ultrarreligiosos. O último capítulo começa com a família Horniman se preparando para uma batalha contra o chefão do crime Gospel John (Pearce Quigley), que exige a morte de Freddy como retaliação. Afinal, foi Freddy quem matou o irmão de John, Tommy (Peter Serafinowicz).
Daniel se divertiu interpretando “os extremos” de alguém como Freddy. “Ele é um idiota orgulhoso que está convencido de que merece muito mais do que a vida já deu para ele. Tem algo bastante universal nessa falha fatal. É ridículo uma pessoa ser assim, com todo o privilégio e a riqueza dele. Ele tem tudo que alguém poderia querer, mas nada disso é suficiente”, diz ele.
Mesmo não vendo o desfecho do ataque à Mansão Halstead, sabemos que Freddy sobrevive, assim como o resto da família Horniman. Na metade do capítulo final, ele parece finalmente aceitar quem é e admite que seu irmão mais novo sempre foi o assassino que ele nunca será.

Por alguns instantes no episódio final, os fãs de Magnatas do Crime podem ficar tranquilos. Tio Stan, o ardiloso empresário americano, parece ter sido derrotado. As autoridades da Fazenda o prendem por evasão fiscal e congelam todos os seus bens. Esta, no entanto, é uma série de Guy Ritchie, e nada é tão simples assim. Então, na última cena da temporada 1, descobrimos que tio Stan não saiu de cena. Ele apenas está na mesma prisão que Bobby, saboreando a alta gastronomia japonesa. Agora, Bobby tem um novo aliado lá dentro.
“Acho que é uma estratégia muito inteligente de Bobby. Stan é uma figura e tanto, e muito sofisticado. Bobby pode aprender bastante com ele, e Stan será muito útil no futuro”, diz Ray.
Filha de Ray na série, Kaya tem uma teoria.
“Ou eles vão se tornar parceiros e comandar tudo, ou Stan vai virar um capacho de Bobby”, brinca ela.
Palavras típicas de um personagem de Magnatas do Crime.
Com colaboração de Jean Bentley.

















































