Final explicado de The Electric State: Millie Bobby Brown, Chris Pratt e irmãos Russo comentam a reviravolta - Netflix Tudum

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    Final explicado de The Electric State: robôs e humanos podem conviver em paz?

    Criadores e elenco comentam o final emocionante que chocou o mundo pós-guerra.

    Texto original de Stephan Lee
    17 de mar. de 2025
Este artigo tem spoilers importantes sobre os personagens ou a trama do filme.

A maioria dos filmes sobre revoltas de robôs começa em um momento decisivo: quando as máquinas desenvolvem consciência e decidem se vingar dos humanos que as criaram. Mas The Electric State, adaptado da graphic novel de 2018 do autor Simon Stålenhag, não é como outros contos sobre uma revolução de máquinas. O filme, dirigido por Anthony e Joe Russo, explora o que acontece após esse conflito: a trama se passa em uma realidade alternativa, em algum momento da década de 1990, após os robôs perderem a guerra contra os humanos. Mas isso não significa que, de repente, humanos e máquinas estão se dando bem. A luta pelo poder continua gerando faíscas entre magnatas da tecnologia e cientistas, robôs vivem exilados às margens da sociedade e uma órfã adolescente chamada Michelle (Millie Bobbie Brown) decide enfrentar a ordem mundial vigente. Ela junta forças com o contrabandista Keats (Chris Pratt) e seus companheiros robôs Cosmo (dublado por Alan Tudyk na versão original) e Herman (dublado por Anthony Mackie na versão original). Juntos, eles atravessam o oeste dos EUA em busca do irmão de Michelle, Christopher (Woody Norman), que ela acreditava já estar morto há muito tempo.

Se você já assistiu The Electric State, temos mais informações sobre o final chocante e repleto de emoções, a criação desse mundo visual tão inovador e os temas abordados ao longo do filme, além de um easter egg hilário.

Cosmo, dublado por Alan Tudyk na versão original, e Millie Bobby Brown como Michelle em ‘The Electric State’

Por que Michelle desconecta Christopher no final?

O magnata sem escrúpulos do mundo da tecnologia, Ethan Skate (Stanley Tucci), estava guardando o corpo de Christopher com vida na sede da Sentre em Seattle. Graças à manifestação mecânica do Dr. Amherst (Ke Huy Quan), Michelle fica sabendo que o cérebro genial de Christopher é a fonte que sustenta toda a rede da Sentre. Se ele for desconectado, a tecnologia que Skate criou para comandar drones militares e todos os dispositivos de projeção neural serão desligados.

No meio dessa batalha épica entre robôs, drones e pessoas, Michelle chega à sede da Sentre. “Ficamos muito animados em poder destacar, como parte desse clímax, a relação entre Michelle e Christopher, o relacionamento entre irmão e irmã. Boa parte do filme é sobre a jornada que levou até esse momento entre os dois personagens”, conta Joe Russo ao Tudum.

Michelle coloca o capacete de projeção neural, que ela havia evitado até este momento, para falar diretamente com a mente de Christopher, que responde: “Acho que eu preciso morrer. E acho que você é que vai ter que fazer isso”. Não tem como reverter o que já aconteceu no mundo. Ainda há tempo para lutar por um futuro melhor, mas isso exige muito sacrifício. Em um clímax emocionante, Michelle precisa desligar as funções vitais de Christopher.

Segundo Millie Bobbie Brown, Michelle sabia que tinha algo faltando na vida dela depois que a família morreu em um acidente de carro. “Quando ela descobre que o irmão ainda está aqui, ela inicia uma jornada maravilhosa para encontrá-lo e tê-lo de volta. No final, ela percebe que, para isso, é preciso deixá-lo ir e se lembrar de quem ele era. Acho que foi tudo muito terapêutico e catártico para ela. É exatamente disso que ela precisava para seguir com a própria vida”, explica.

Giancarlo Esposito como o coronel Bradbury em ‘The Electric State’

O que acontece depois que Christopher morre?

Os drones da Sentre são desligados no mundo todo, e as notícias sobre os experimentos com crianças humanas acabam destruindo a Sentre e Skate. Michelle envia uma mensagem em vídeo que percorre o mundo, não totalmente contrária à tecnologia.

De acordo com Joe Russo, a tecnologia tem pontos positivos incríveis e pode ter um impacto maravilhoso na sociedade, mas também tem aspectos muito negativos, inclusive gerar vício ou fazer você se desconectar de pessoas próximas. “E quanto mais isso acontece, mais acabamos maltratando uns aos outros, sem conseguir nos comunicar. Se eu tivesse que definir a mensagem do filme, seria: mantenha o vínculo com as pessoas ao seu redor”, reflete.

O coronel Bradbury (Giancarlo Esposito) também tem uma grande epifania. Ele descobre que Skate tem um lado mais humano do que robótico, então consegue firmar a paz com o Sr. Amendoim (dublado por Woody Harrelson na versão original), o verdadeiro líder da revolução dos robôs.

Anthony Mackie como Herman em ‘The Electric State’

O que acontece com Cosmo e Herman?

Cosmo, o pilar emocional da jornada de Michelle, recupera a vida em um aterro enquanto a música “Wonderwall” do Oasis toca ao fundo. É um sinal de que, talvez, a consciência de Christopher não tenha desaparecido totalmente. Pode ser que um pouco da energia dele ainda esteja fluindo pelas fiações do Cosmo.

No final da última batalha, parece que Herman foi danificado sem chance de conserto. Por sorte, ele não tem só um tamanho, então sua versão em miniatura salta dos destroços da grande cabeça. Mas, antes disso, Keats expressa seus verdadeiros sentimentos. É a deixa perfeita para Herman tirar sarro do personagem de Chris Pratt. É um momento que mostra bem como esses dois são parceiros para a vida inteira.

Anthony Russo explica que Keats e Herman são amigos inusitados: um é humano, o outro é robô. “As brigas entre os dois são ridículas, mas eles têm uma experiência em comum. Durante a guerra, eram adversários que encontraram amizade e humanidade um no outro. Há um vínculo único entre eles, e Chris e Anthony deram um toque muito humano e engraçado a essa relação”, detalha.

Chris Pratt como Keats e Millie Bobby Brown como Michelle em ‘The Electric State’
Paul Abell/Netflix

Por que Keats decide cortar seu lindo cabelo loiro?

“Sou muito grato à Netflix por me deixar ficar com aquele penteado por pelo menos metade do filme. Foi muito ousado da parte deles”, disse Chris Pratt ao Tudum.

O estilo das madeixas douradas de Keats mostra que ele vive no passado. No começo, ele é um mercenário clássico. “Ele pensa que vive em um mundo que já não existe mais e está fugindo dos fantasmas do passado e da dor de ser abandonado e quase assassinado pelo exército dele”, explica Chris Pratt. Mas, depois de conhecer Michelle, Keats se envolve mais com o presente. “Ele vê uma jovem em busca de algo maior que ela mesma, sem desistir e sem perder a esperança. Ela é uma luz no fim do túnel, e ele não hesitaria em sacrificar a própria vida por ela”, acrescenta.

Millie Bobby Brown como Michelle em ‘The Electric State’

Como deram vida aos personagens robôs?

Para o filme dar certo, quem assiste precisa se emocionar de verdade com Cosmo, Herman e o grupo diverso de robôs de serviço que se escondem no Recanto Céu Azul. Para compor o visual do elenco principal de robôs, os cineastas se inspiraram em uma estética retrofuturista específica: robôs que prestam algum serviço para humanos, como Penny Carteira (dublada por Jenny Slate na versão original), que trabalha para o serviço postal dos EUA, e personagens já conhecidos de propagandas, como o Sr. Amendoim.

De acordo com Joe Russo, o objetivo era criar um mundo que parecesse realmente habitável, então cada robô precisava ter uma função e uma personalidade distintas. “Os robôs de The Electric State precisavam parecer autênticos para esta versão dos anos 1990, mas com inspiração em designs conhecidos. Ao trabalhar com o diretor de arte Dennis Gassner e sua equipe, a orientação era: os robôs precisam parecer familiares, algo que você veria em um comercial antigo ou no shopping local”, detalha.

O supervisor de efeitos visuais Matthew Butler e sua equipe trabalharam muito para que a física dos robôs tivesse credibilidade. Eles estudaram o comportamento de máquinas em linhas de montagem reais e encontraram formas criativas de dar emoções aos robôs, até mesmo Cosmo, que sempre tem um sorriso estampado no rosto. “A visão dele é baseada em uma câmera estereoscópica, mas ela tem uma luz verde para podermos colocarmos um brilho na animação. Isso deu vida a ele. É um tipo de alma”, explica Matthew.

Millie Bobby Brown como Michelle e a atriz de captura de movimentos Devyn Dalton como Cosmo no set de ‘The Electric State’
Paul Abell/Netflix

Qual foi o papel dos atores de captura de movimentos?

Talvez o motivo principal para os robôs parecerem tão vivos é que os atores de captura de movimentos tiveram um papel tão importante quanto os dubladores. O coreógrafo de movimentos Terry Notary juntou um grupo de sete artistas (incluindo ele mesmo) para interpretá-los. Millie contracenou com Devyn Dalton, uma atriz de captura de movimentos, nas cenas do Cosmo. “É muito fácil desenvolver um vínculo assim quando temos uma atriz de captura de movimentos tão incrível como Devyn, que interpretou o Cosmo no set. A gente já tinha trabalhado juntas quando eu tinha 9 anos, em um projeto no Canadá, e acabamos virando quase irmãs”, conta Millie.

Chris Pratt também já tinha uma amizade de anos com Martin Klebba, o ator de captura de movimentos de Herman, o que ajudou muito no set: “Minha relação com Herman foi na relação que eu já tinha com Marty, um cara esperto e muito engraçado. Às vezes, ele dizia falas que foram ditas pelo Chris Castaldi ou pelo Joe Russo. Joe já trabalhou com improvisação e sabe fazer todos rirem. Várias dessas discussões surgiram porque Joe disse uma coisa maluca e acabou transformando a relação entre Herman e Keats em algo que não estava no roteiro”.

Quais são alguns dos easter eggs de The Electric State?

Há várias referências ao universo mais amplo de Stålenhag, assim como vários elementos dos anos 1990, muitos deles na forma de filmagens arquivadas de noticiários (sim, aquele era o Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, falando com a nação sobre a guerra contra os robôs). Mas tem um easter egg que os irmãos Russo querem destacar. Joe Russo dá uma dica: “Fiquem ligados no terceiro ato, nos últimos 20 a 25 minutos do filme, porque tem um easter egg de Arrested Development”.

Para saber mais sobre o mundo de The Electric State, confira State Secrets: Inside the Making of The Electric State, o podcast oficial do filme em inglês. 

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