Pérolas escondidas no catálogo da Netflix - Netflix Tudum

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    O que assistir na Netflix: 21 pérolas escondidas no catálogo

    Clássicos brasileiros e estrangeiros, obras premiadas e outras surpresas para quem quer fugir do óbvio.

    Texto original de Paulo Ernesto
    30 de set. de 2026

Sabemos que o catálogo da Netflix é enorme, e não para de crescer. Então, por mais que a gente passe horas maratonando tudo, algumas pérolas, inevitavelmente, acabam escondidas no meio de tantos títulos. 

Por isso, preparamos uma seleção de produções que merecem a sua atenção. Algumas você talvez já conheça de nome, outras podem se tornar uma ótima descoberta.
 

Nada de Novo no Front

A obra conquistou quatro estatuetas do Oscar das nove que disputou: Melhor Filme Internacional, Fotografia, Trilha Sonora Original e Design de Produção. No BAFTA, Nada de Novo no Front somou 14 indicações e venceu sete categorias, estabelecendo o recorde de vitórias para um filme não falado em inglês na história da premiação. 

Baseado no romance de Erich Maria Remarque, o longa acompanha Paul Bäumer (Felix Kammerer), um jovem alemão que se alista na Primeira Guerra Mundial ao lado dos amigos, levado pelo entusiasmo e pelo discurso patriótico. A realidade do campo de batalha, porém, destrói rapidamente essa ilusão. Paul e seus companheiros enfrentam fome, medo e uma violência brutal em uma guerra que parece cada vez mais sem sentido, enquanto as decisões que determinam seus destinos são tomadas longe da linha de frente. 

ROMA

Outro filmaço que merece entrar na lista é Roma. O longa venceu o Leão de Ouro de Melhor Filme no Festival de Veneza, recebeu dez indicações ao Oscar e levou três estatuetas, incluindo Melhor Direção para Alfonso Cuarón. 

A história acompanha Cleo (Yalitza Aparicio), empregada doméstica de uma família de classe média na Cidade do México do início dos anos 1970. Enquanto enfrenta um período delicado na vida pessoal, o país passa por fortes tensões políticas e sociais. Quando o pai da família abandona a casa, Cleo se torna uma presença ainda mais central naquele núcleo, ao mesmo tempo que precisa lidar sozinha com uma gravidez inesperada e diversas incertezas. 

A força do filme está justamente na maneira como Cuarón costura a intimidade desses personagens com o ambiente sociopolítico mexicano, fazendo com que dramas particulares e transformações coletivas se cruzem o tempo todo. 

Ataque dos Cães

Você também precisa assistir ao Ataque dos Cães. O longa liderou as indicações ao Oscar de 2022 e garantiu a Jane Campion o prêmio de Melhor Direção, além de consolidá-la como a primeira mulher indicada mais de uma vez na categoria. Antes disso, ela já havia conquistado o Leão de Prata de Melhor Direção no Festival de Veneza de 2021. 

Ambientada em Montana, nos Estados Unidos, em 1925, a história gira em torno dos irmãos Burbank, Phil (Benedict Cumberbatch) e George (Jesse Plemons), proprietários de um rancho. A dinâmica entre eles começa a mudar quando George se casa com Rose (Kirsten Dunst), uma viúva que passa a morar na propriedade com o filho, Peter. Phil passa a hostilizar Rose, que se refugia cada vez mais no álcool, enquanto Peter também se torna alvo de sua agressividade e do desprezo de outras pessoas da região. O que começa como um drama familiar aos poucos se transforma em um jogo psicológico carregado de tensão, ressentimentos e segredos. 

Druk: Mais Uma Rodada

Premiado com o Oscar de Melhor Filme Internacional para a Dinamarca, Druk: Mais uma Rodada ainda rendeu a Thomas Vinterberg uma indicação a Melhor Direção. O filme acompanha quatro professores do ensino médio — entre eles Martin (Mads Mikkelsen — que atravessam um momento de estagnação em diferentes áreas da vida.

Inspirados por uma teoria segundo a qual manter um nível constante de álcool no sangue poderia melhorar o desempenho e a criatividade, eles decidem testar a hipótese durante o expediente. No início, os resultados parecem positivos e devolvem ao grupo certa leveza e entusiasmo. Mas, conforme o experimento avança, a descontração começa a dar lugar a consequências cada vez mais difíceis de controlar. 

Klaus

Se você procura uma animação entre os títulos escondidos da Netflix, Klaus é uma das produções mais celebradas de sua geração. O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação e venceu o BAFTA de Melhor Animação. A história acompanha Jesper, um jovem carteiro enviado para trabalhar em uma cidade isolada e gelada, marcada por uma antiga rivalidade entre seus moradores. 

Sem conseguir convencê-los a trocar correspondências, ele conhece Klaus, um misterioso fabricante de brinquedos que vive afastado da região. Quando Jesper percebe que as crianças começam a enviar cartas em troca dos presentes de Klaus, os dois formam uma parceria capaz de transformar pouco a pouco a cidade. A partir dessa amizade improvável, o filme cria uma versão original, divertida e emocionante para a origem de várias tradições associadas ao Papai Noel.

The Hand of God - A Mão de Deus

Inspirado na juventude de Paolo Sorrentino e ambientado em Nápoles, a cidade natal do diretor, A Mão de Deus conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza. Filippo Scotti, protagonista do longa, também recebeu o Prêmio Marcello Mastroianni de Melhor Jovem Ator, e a produção representou a Itália na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional. 

O filme acompanha Fabietto, um adolescente que vive na Nápoles dos anos 1980, em meio à euforia provocada pela chegada de Diego Maradona ao time da cidade, um acontecimento que mobiliza toda a região. Com o humor, a exuberância visual e a beleza que marcam o cinema de Sorrentino, a narrativa muda de direção quando uma tragédia atinge a família de Fabietto. Diante da perda, ele precisa amadurecer rapidamente e começa a encontrar no cinema uma possibilidade de dar sentido à própria vida. 

Pieces of a Woman

Em uma das atuações mais intensas da carreira, Vanessa Kirby recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz, em um papel que ajudou a projetá-la ainda mais em Hollywood. Pieces of a Woman acompanha Martha ( Kirby) e Sean (Shia LaBeouf), um casal que se prepara para o nascimento da primeira filha por meio de um parto domiciliar.

Logo no início, uma longa sequência praticamente sem cortes acompanha o trabalho de parto de maneira intensa e sensorial, até que complicações levam a um desfecho devastador. A partir desse momento, a narrativa se concentra no luto de Martha e nas fraturas que a perda expõe em seu casamento e na relação com a própria mãe. Enquanto isso, o caso ganha repercussão pública, e a parteira responsável (Molly Parker) passa a responder judicialmente pelo ocorrido. 

Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra

Primeiro longa tailandês da história a integrar a shortlist de 15 filmes pré-selecionados ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Produzido com um orçamento relativamente pequeno, Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra alcançou uma bilheteria expressiva e conquistou público em diferentes países. Embora não seja baseado em uma história real, o roteiro foi construído a partir de experiências pessoais e relações familiares de seus criadores. 

A trama acompanha M (Putthipong Assaratanakul), um jovem que decide cuidar da avó, Amah (Usha Seamkhum), diagnosticada com uma doença terminal, na esperança de garantir sua herança. O plano é aproximar-se dela e se tornar o neto favorito. A convivência diária, porém, faz com que M descubra novas camadas da própria família e compreenda o que significa cuidar realmente de alguém, transformando o que começou por interesse em uma inesperada jornada de afeto e amadurecimento. 

A Garota Canhota

Este filme também merece um lugar entre as pérolas da lista. A Garota Canhota foi rodado com smartphones, escolha que não apenas reduziu a estrutura de produção como permitiu gravar em um mercado real de Taipei sem interromper o funcionamento do local. 

A decisão também contribuiu para um olhar mais espontâneo e próximo da perspectiva infantil. Sean Baker, vencedor de quatro Oscars por Anora, coescreveu o roteiro, produziu e montou o longa. Dirigido por Shih-Ching Tsou, parceira de longa data de Baker, o filme acompanha Shu-Fen (Janel Tsai), uma mãe solteira que retorna a Taipei com as duas filhas em busca de um novo começo, enquanto tenta abrir uma barraca de comida. 

Em meio às dificuldades financeiras e às tensões familiares, antigos segredos e tradições conservadoras tornam esse recomeço ainda mais complicado. Entre elas está a crença de que a filha mais nova, por ser canhota, não deveria usar a mão esquerda, associada ao mal.

Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe (Histórias Novas e Selecionadas)

Selecionado para a competição oficial pela Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2017, Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe marcou, ao lado de Okja, a primeira vez que produções originais da Netflix estrearam mundialmente disputando o principal prêmio do festival. 

O longa soma hoje 92% de aprovação no Rotten Tomatoes e reúne um elenco de peso, com Dustin Hoffman, Adam Sandler, Ben Stiller, Elizabeth Marvel e Emma Thompson. Dirigido por Noah Baumbach, o filme gira em torno de Harold Meyerowitz (Hoffman), um escultor aposentado que se anima ao descobrir que será homenageado com uma exposição dedicada à sua obra. Quando ele adoece, os filhos Danny (Sandler), Matthew (Stiller) e Jean (Marvel) precisam se reunir para ajudá-lo. A convivência faz ressurgir rivalidades, frustrações e antigas disputas por afeto. 

Com o humor ácido característico de Baumbach, o longa mostra como a busca pelo reconhecimento do pai moldou cada um deles e como é difícil escapar dos papéis que a família os atribuiu. 

The Forty-Year-Old Version

Marcando a estreia de Radha Blank na direção de um longa-metragem, The Forty-Year-Old Version mantém atualmente 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, com 135 críticas profissionais. O trabalho também lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção na Competição Dramática dos EUA no Festival de Sundance de 2020, fazendo dela apenas a segunda mulher negra a vencer a categoria na história do evento. 

Filmada em preto e branco, a produção acompanha Radha (interpretada pela própria Blank em uma versão ficcional de si mesma), uma dramaturga de Nova York que, às vésperas dos 40 anos, enfrenta uma fase de estagnação e vê suas ambições cada vez mais distantes. Insatisfeita com as limitações impostas pelo mercado teatral, ela encontra no rap uma nova possibilidade criativa. Entre os palcos e o hip-hop, tenta recuperar uma expressão mais pessoal e repensar o que significa, afinal, realizar-se artisticamente. 

Saudade fez morada aqui dentro

Outra joia escondida no catálogo, Saudade Fez Morada Aqui Dentro venceu o prêmio de Melhor Longa da Competição Internacional no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, além de receber outros reconhecimentos, incluindo uma Menção Especial do Júri para o elenco. No Brasil, também conquistou o prêmio de Melhor Longa da mostra Novos Rumos no Festival do Rio. 

O filme acompanha Bruno (Bruno Jefferson), um garoto de 15 anos do interior da Bahia que recebe o diagnóstico de uma doença degenerativa que fará com que perca gradualmente a visão. Enquanto enfrenta as transformações comuns da adolescência, ele precisa aprender, ao lado da mãe (Wilma Macêdo) e do irmão mais novo (Ronnaldy Gomes), a lidar com uma nova realidade. A partir dessa experiência, o longa constrói uma história sensível sobre perda, adaptação, amadurecimento e a descoberta de novas maneiras de enxergar a própria vida.

O número de recomendações pode variar de acordo com a região.

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