





🤐 ALERTA DE SPOILER 🤐
Yaya DaCosta quase virou advogada.
Depois de se formar em estudos africanos e relações internacionais pela Universidade Brown, a atriz chegou a cogitar seguir a melhor amiga da faculdade e cursar Direito. Mas, em vez de comparecer diante de um juiz no tribunal, Yaya acabou diante de três jurados em rede nacional — entre eles, Tyra Banks. Depois de ficar em segundo lugar no ciclo 3 de America’s Next Top Model, ela logo percebeu que não precisava se limitar a uma carreira.
“Quando eu era mais jovem e tinha tantos interesses e desejos diferentes, era muito difícil decidir o que fazer. Mas a magia da atuação é que, muitas vezes, atraímos papéis que conversam com partes de nós que talvez não estejamos expressando plenamente nesta vida”, contou Yaya ao Tudum em junho.
Na temporada 2 de O Poder e a Lei, Yaya pôde viver na ficção a carreira jurídica que quase seguiu. Ela interpreta Andrea Freeman, a implacável promotora que se mostra uma adversária à altura do renomado advogado de defesa Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo). Quando Lisa Trammell (Lana Parrilla), ativista e dona de um restaurante em Los Angeles, é acusada de assassinar um conhecido incorporador imobiliário da cidade, cabe a Andrea colocá-la atrás das grades.
Mickey pode até ser o advogado mais cobiçado de Los Angeles, mas seu ego não intimida Andrea. Ela também é amiga da ex-esposa dele, Maggie (Neve Campbell), e chega a incentivá-la a abrir o próprio escritório. Em junho, Yaya conversou com o Tudum sobre a temporada 2 de O Poder e a Lei e sobre como interpretar Andrea foi uma jornada de cura e uma celebração de sua feminilidade.

O que fez você querer interpretar Andrea Freeman na temporada 2 de O Poder e a Lei? Quando li os roteiros e entendi melhor a personalidade de Andrea, pensei: “Meu Deus, essa mulher é poderosa.” Ela me permitiu acessar um lado meu que eu ainda não tinha me dado licença para explorar, porque vivemos em um mundo onde as mulheres muitas vezes são condenadas por serem confiantes, inteligentes ou fortes demais. Enquanto isso, os homens são aplaudidos pelas mesmas características — e Andrea Freeman não está nem aí.
Mickey é obstinado, teimoso e cheio de si no tribunal, mas Andrea não se abala. Por que ela é uma adversária tão à altura dele?
Porque ela também é obstinada e teimosa. Mas, na maioria das vezes, está certa. É ridículo quando alguém é obstinado, teimoso e vive errado. E, para Andrea, esse é o caso de Mickey. Os dois já bateram de frente várias vezes, e Andrea nunca perdeu. Ela é sempre muito confiante, mas também sabe que tem um caso sólido e que é uma advogada melhor do que ele.

Mickey e Andrea são adversários, claro, mas como você descreveria a dinâmica divertida dos dois fora do tribunal?
Por baixo das alfinetadas, existe um clima de brincadeira entre eles. Se não fosse o caso, por que alguém gastaria tanta energia provocando outra pessoa? É como aquelas crianças na escola que vivem implicando e discutindo, mas, no fundo, se gostam. Não acho que seja necessariamente o caso desses dois adultos, mas existe, sim, certa leveza ali. É como uma luta de boxe: qual das duas personalidades vai vencer? Por que ela está lançando mais um olhar fulminante para ele?
Andrea mata só com o olhar. Não importa o recurso que Mickey use, ela nunca recua. O que motiva a personagem?
Andrea acredita na justiça e é movida pela vontade de ver a verdade prevalecer. Às vezes, ela sente que está do lado certo, mesmo quando ninguém mais consegue enxergar o que ela vê. Mas, acima de tudo, entrou nessa profissão para servir. Não queria virar uma advogada famosa e badalada. O brilho e o glamour que parecem atrair Mickey não interessam a ela. Andrea está acostumada a vencer, mas sua motivação não é puramente egoísta. Muitas vezes, pessoas que não merecem acabam atrás das grades, enquanto outras que deveriam estar presas são libertadas. Ela quer estar do lado certo dessas histórias.

Você se identifica com Andrea?
As partes de mim que levei para Andrea têm muitas camadas. Nós, mulheres, comandamos a própria vida, mas nem sempre somos bem recebidas quando assumimos toda a nossa força da mesma forma que os homens. Já vivi situações em que usaram minha confiança contra mim, trataram minha inteligência como um defeito e tentaram me diminuir. Por isso, aprendi a mostrar apenas as partes de mim que a sociedade aceitava com mais facilidade. Sou muito delicada e feminina, mas também sou poderosa. E interpretar Andrea Freeman acabou sendo uma experiência de cura para mim.
Interpretar Andrea ensinou algo novo sobre você mesma?
Depois de interpretá-la, sinto que encontrei mais equilíbrio entre meu lado masculino e meu lado feminino. Criamos uma ideia de delicadeza que não comporta todas as facetas da feminilidade, e isso é muito desonesto e injusto. Há deusas que se sentam à beira de uma cachoeira, com os cabelos ao vento, parecendo fadas. Mas também existem aquelas intensamente ferozes, que provocam ventos e tempestades e, na mitologia, chegam a cortar a cabeça de homens. Precisamos honrar todos os nossos lados para encontrar equilíbrio e liberdade.

Você e Becki Newton trabalharam juntas em Ugly Betty. Como foi esse reencontro?
Nós nos vimos no trailer e demos gritinhos de alegria. Foi ótimo. Em Ugly Betty, a maioria das minhas cenas era com Vanessa Williams. Becki e eu não trabalhávamos tanto juntas, mas ela sempre foi muito querida no set e também quando nos encontrávamos pelos estúdios. Aqui, tive a chance de conhecê-la melhor, e foi muito divertido vê-la trabalhar. Nossas personagens são completamente diferentes, e acho Becki muito talentosa, doce, divertida e poderosa. Adorei reencontrá-la.
No final, Lisa é absolvida da acusação de assassinato. O que passa pela cabeça de Andrea quando o veredito é anunciado?
Ela deu tudo de si na defesa daquilo em que acreditava e nas alegações finais. Depois disso, não havia mais nada a fazer. Sem ter mais o que dizer, ela pôde ouvir. E, ao escutar as alegações finais de Mickey, rever os fatos do caso, observar o olhar dos jurados e se colocar por um instante no lugar deles para tentar enxergar o outro lado, acho que Andrea percebeu que podia estar errada. Foi uma experiência que a fez reconhecer que não tinha todas as respostas.

Depois do julgamento, Andrea visita Mickey no escritório e leva uma oferta de paz. Por que era importante mostrar essa cena?
É importante mostrar os lutadores depois que tiram as luvas, como seres humanos capazes de reconhecer o mérito do outro quando esse reconhecimento é merecido. Andrea passou o caso inteiro tão segura de si que ficou praticamente cega para qualquer outra possibilidade. Então, movida por humildade, respeito e gentileza, ela só queria dizer: “Ei, está tudo bem entre nós. Você fez um bom trabalho. Ganhou de forma justa, sem ressentimentos.”
Uma última pergunta, a série O Poder e a Lei mostra muito da cena gastronômica de Los Angeles. Você tem um lugar favorito para comer na cidade?
Meu favorito é o Rahel Ethiopian Vegan Cuisine, na Fairfax, em Little Ethiopia. Só não vá logo depois de fazer as unhas: alguns pratos levam cúrcuma e um molho berbere bem picante que podem manchar. Mas vale a pena.
Esta entrevista foi editada para maior clareza e concisão. Assista agora à parte 2 da temporada 2 de O Poder e a Lei.






























































