





Na temporada 3, damos as boas-vindas a um novato no comando dos veículos de O Poder e a Lei: Eddie Rojas (Allyn Moriyon), um homem musculoso que veio direto do passado de Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo).
Quando Mickey livra Eddie de uma acusação de roubo de carro, o amigo da família e ex-babá de Hayley (Krista Warner), filha do advogado, aceita o trabalho de motorista para quitar as dívidas dos honorários (déjà vu?). Por trás dos sucos verdes, do entusiasmo pelo crochê e da devoção inquestionável a um aplicativo de mentoria de vida de LeBron James, Eddie detém uma sabedoria genuína e impossível de ignorar. E, no fim dessa convivência, talvez seja Mickey quem fique devendo algo a Eddie.
Para entender melhor o personagem, o Tudum bateu um papo com o ator que vive o motorista. Continue lendo para conferir tudo o que Allyn Moriyon contou sobre a rotina fitness, os bastidores das cenas ao volante e o destino chocante de Eddie.

Conte um pouco sobre como você entrou para a série.
Quando li o roteiro, nem acreditei. Sou fã de carteirinha de O Poder e a Lei. Depois de reparar no perfil do Eddie, logo pensei que eles queriam o cara mais malhado do mundo. A parte mais legal do teste foi que a cena dele era superdensa. Para um ator latino, é muito comum só receber papéis de marombados e é fácil cair nesse estereótipo, mas pensei bem e decidi me jogar de cabeça. Afinal, eu me encaixava no perfil do personagem, e aquela situação poderia acontecer comigo de verdade. Eu me entreguei ao papel para mudar minhas próprias expectativas, e acabou dando tudo certo.
Então você se identifica com Eddie? Quando era mais novo, conheceu alguém parecido com ele?
Com certeza. Ele me lembra do meu irmão, de mim mesmo e de vários homens com quem cresci. Pessoas como o Eddie existem em todo lugar. Pensando nas cenas que gravamos, ele é um fofo, aquele tipo de gente que tem a personalidade de um golden retriever. Tem uma vibe amigável e leal, que vira seu parceiro na hora, mas que também não pensa duas vezes antes de defender quem ama e estar presente para o que der e vier.
Você comentou que Eddie é maromba. Como foi sua rotina de treinos e dieta?
Adorei essa pergunta. Obrigado por perguntar, porque eu treinei feito um louco. Assim que soube do teste, decidi dar o meu máximo: duas vezes por dia, cinco dias por semana.
Às vezes, o chamado para as gravações era às 4h da manhã. Se eu não tivesse conseguido treinar em casa antes, treinava no camarim ou na hora do almoço. Fazia cabelo e maquiagem, voltava e treinava de novo. Fazia umas flexões, gravava uma cena e continuava nesse ritmo. Estava o tempo todo tentando ficar o mais forte possível.
Também decidi seguir uma dieta bem rigorosa. Eu sempre malhei, mas nunca tinha feito dieta, porque treinava para poder comer o que quisesse. Foi bem complicado. Cortei completamente alimentos processados e açúcar, fiz jejum intermitente e parei de comer depois das 20h.
Quando conhecemos Eddie, ele foi preso acusado de roubo de carro, mas logo descobrimos que ele foi vítima de preconceito e perfilamento racial. Um homem achou que ele era manobrista e jogou a chave de uma Lamborghini sem nem conferir nada, então Eddie resolveu dar uma voltinha rápida antes de estacionar ali perto. O que você faria nessa situação?
Teria feito a mesma coisa. Era 100% justificável. Muitas vezes, na vida real, a gente passa por microagressões ou situações de enorme desrespeito e se arrepende por não ter feito isso ou aquilo. Foi divertido ver ele agindo dessa forma.
Você dirigiu mesmo algum dos carros?
Dirigi! Esse dia foi superdivertido. O assistente de direção chegou para mim e perguntou se eu tinha carteira de motorista. Depois ele me deu as chaves, e lá fui eu pilotar aquele Lincoln enorme. [risos]
No primeiro dia, aprendi a acertar as marcas no chão. Tem fita adesiva pelo cenário todo, e tudo é ensaiado nos mínimos detalhes. Para quem está dentro de um SUV gigante em uma rua superestreita tentando fazer uma manobra complicada com Manuel Garcia-Rulfo sentado no banco de trás (sem pressão nenhuma), a tensão é bem maior do que fazer um monólogo na frente da câmera. Tomei cuidado para não arranhar o carro de jeito nenhum e fazer tudo certo. Depois que o baque passou, fiquei super à vontade para dirigir sempre que podia. Gravei boa parte das cenas ao volante.

E a Lamborghini?
Cheguei a entrar na Lamborghini, e meu queixo foi lá no assoalho. Fiquei admirando o carro, mas morri de medo de ter que sair com ele do lugar. Aliás, é exatamente isso que penso sobre ter uma Lamborghini em Los Angeles. A cidade é cheia de buracos, e eu não teria confiança para ficar me desviando com um carrão desses.
Já que o assunto é confiança, Mickey acredita em segundas chances. O que ele sentiu em Eddie para aceitar o caso? Foi só porque Hayley pediu?
Gosto de acreditar que não foi apenas por causa da filha de Mickey. Eddie tem o Dr. Haller como referência e sua fonte de inspiração para o futuro. E a gente torce para que Mickey também identifique em Eddie uma versão mais jovem de si mesmo. Além disso, ele acaba se surpreendendo muito com a sabedoria que vem de Eddie.
O que você acha que Eddie aprendeu com Mickey enquanto trabalhava como motorista dele?
Acho que ele aprendeu o quanto custa fazer o trabalho de Mickey. Eddie ficou observando os bastidores da profissão e pegando os macetes com o Dr. Haller. Isso abriu os olhos dele para perceber que um conhecido de anos faz um trabalho essencial e enfrenta desafios todos os dias. Acho que Eddie também aprende o que significa ser um homem latino e um profissional que luta por pessoas que merecem ser tratadas com respeito. Mickey fica revoltado com o que aconteceu com Eddie, mas consegue transformar essa frustração em força para buscar justiça, não apenas para latinos, mas para qualquer pessoa de comunidades marginalizadas. Eddie observa isso e decide se tornar alguém como ele.
O que você acha que Mickey aprendeu com Eddie?
Que a sabedoria pode vir de qualquer lugar, a qualquer momento. Só é preciso parar um pouco e escutar. Estar aberto para as pessoas também é fundamental. É fácil não dar nada pelo Eddie, mas a verdade é que aquele bobalhão adorável consegue mandar umas verdades e soltar umas reflexões superprofundas. Mickey aprende que não tem todas as respostas e que, às vezes, a solução surge dos lugares mais inesperados.

A gente soube que você virou pai recentemente. Parabéns! Que dica de paternidade você acha que Mickey te daria?
Dar um passo atrás de vez em quando (acho que Mickey me lembraria que aprendeu isso com Eddie). Entender que cada segundo é uma primeira experiência para o bebê. A gente se frustra com facilidade por não conseguir resolver tudo, mas acho que o conselho dele seria na linha de ir descobrindo aos poucos. Ele defenderia a tese de que continuar tentando é o que mais importa. Eita, até falei como advogado agora.
Falou mesmo. O que você pensou quando leu o roteiro e chegou à morte de Eddie? Como foi esse momento para você?
Fiquei arrasado. Espero que todo mundo se apaixone pelo Eddie da mesma forma que eu. Ele foi escrito de um jeito tão carismático, tão fácil de gostar e torcer por ele. Como fã e como ator, minha reação imediata foi de revolta, mas entendo como isso é importante para a história e acho que vai ser muito poderoso. Então fica aquele sentimento misto de indignação e de gratidão pelo destino do personagem.
Que impacto você acha que a morte de Eddie teve em Mickey?
Acho que a morte de Eddie deixa uma cicatriz enorme em Mickey, pois construímos uma conexão muito especial entre os dois. E agora Mickey se sente diretamente responsável por mais uma morte? Isso desencadeia uma bola de neve. Tem muita coisa acontecendo na mesma hora, mas ele vai precisar viver o luto em algum momento porque a perda deve acompanhá-lo por bastante tempo. E espero também que o público reflita sobre o que aconteceu.
Você acha que houve justiça para Eddie na forma como tudo terminou?
Sim e não. Acho que sim, porque entendo, dentro da estrutura da história, como isso faz sentido, mas ninguém vai ficar completamente satisfeito. A gente conseguia vislumbrar um mar de possibilidades para Eddie, e é a mesma coisa com Glory Days e qualquer outra pessoa que Mickey sinta que perdeu por culpa dele próprio. A grande questão é: se Mickey não tivesse tomado certas decisões, essas pessoas ainda estariam vivas? Não sei se ele consegue superar isso. Eu mesmo ainda não superei.
Para terminar com um clima mais leve: você pode compartilhar algum momento divertido dos bastidores?
É curioso como a série traz tantos momentos de humor dentro de uma história tão intensa. É um suspense dramático que deixa o coração acelerado, mas, entre uma tomada e outra, ficávamos fazendo piada, dando risada e nos divertindo. A gente conversava sobre máquina de lavar e coisas do dia a dia, assuntos completamente comuns.
Eu, que sou meio obcecado por manter a forma, descobri que tinha uma academia no estúdio onde muita gente da equipe treinava no horário do almoço. O pessoal foi muito acolhedor, generoso e receptivo. A gente brincava bastante, por exemplo, dizendo que a camiseta estava bem apertada e tal. Mas no bom sentido, claro. Era muito legal ter todo mundo incentivando e apoiando quem estava por perto. O Eddie que existe em mim achou isso muito especial.
Assista a todos os episódios da temporada 3 de O Poder e a Lei agora mesmo.





























































