Conheça Mimi Fry, a Emily em Paris da vida real - Netflix Tudum

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    Conheça Mimi Fry, a Emily em Paris da vida real

    Ela encontrou conforto e inspiração em Emily em Paris após se mudar para a Cidade Luz.

    Texto original de Carita Rizzo
    21 de dez. de 2025

Ao comparecer à estreia da temporada 5 de Emily em Paris, Mimi Fry sentiu que havia fechado um ciclo. Há quatro anos morando na França, a profissional de marketing para redes sociais de 23 anos, natural de Wolverhampton, na Inglaterra, transformou as ambições de Emily em realidade. Ela ainda se lembra de assistir à mudança de Emily Cooper de Chicago para Paris em 2020 e de admirar a determinação da personagem em construir uma vida de sucesso em uma cidade igualmente bela e desafiadora. Vendo Emily se estabelecer na capital francesa, Mimi pensou que também conseguiria. “Foi inspirador acompanhar a personagem correndo atrás dos seus objetivos, aceitando todas as oportunidades e se jogando de cabeça. Não havia ninguém como ela na TV”, conta Mimi ao Tudum. 

Quando a temporada 1 estreou, Emily Cooper não era a única que vivia um dilema. Mimi estava terminando o ensino médio e não tinha certeza de qual seria seu próximo passo. “Eu não sabia se queria fazer faculdade, mas sempre fui apaixonada pela França. Assistir a Emily em Paris despertou ainda mais minha vontade de ir para a capital francesa”, revela. A princípio, o plano de Mimi era se matricular em uma universidade do Reino Unido e passar um ano no exterior como parte do curso. No entanto, depois que sua inscrição foi negada, ela resolveu arriscar: “Em meio à tristeza daquele momento, liguei para a minha universidade dos sonhos, o Instituto da Universidade de Londres em Paris, perguntei se poderia estudar lá e disseram que sim”.

A chegada dela à Cidade Luz, porém, não foi tão tranquila quanto a de Emily. Embora seja impossível esquecer a primeira vez que a personagem contemplou os famosos telhados parisienses do seu chambre de bonne no 5º arrondissement, a realidade de uma jovem vinda do Reino Unido sem o apoio de uma empresa foi bem menos glamorosa: “Eu morava em um porão minúsculo perto da Torre Eiffel e trabalhava como babá para as pessoas que moravam no andar de cima, mas pagava aluguel. Felizmente não durou muito, mas sempre estive disposta a aceitar qualquer coisa para poder vir para cá”.

Havia também a barreira do idioma. “Eu achava que era fluente em francês. Até assisti à temporada 1 de Emily em Paris em francês porque queria muito aprender a língua, mas, quando cheguei à França, não sabia falar. Eu entendia o que as pessoas diziam, mas não conseguia responder”, relembra ela, rindo. A integração de Mimi à sociedade francesa daria um ótimo episódio da série. Para se sustentar durante os estudos, ela se candidatou a uma vaga em um bar de vinhos. Mesmo não falando bem francês nem tendo afinidade com queijos e vinhos, foi contratada. “No meu primeiro dia, uma das funcionárias não foi com a minha cara, mas não posso culpá-la. Eu não sabia nada. Ninguém falava inglês e, durante uns dois meses trabalhando naquele bar de vinhos, meu coração palpitava de nervoso. Só que, como não tinha outra opção, a vergonha foi passando aos poucos”, reflete. 

Encontrar a sua própria Mindy na cidade — por acaso do destino, o nome da melhor amiga de Mimi é Mandy — tornou menos solitária a difícil experiência de se adaptar a uma nova cultura. “É muito importante ter amizade com uma pessoa que também foi morar em outro país. Como vocês passaram pelas mesmas dificuldades, parece que já se conhecem”, afirma Mimi. Para quem quer seguir os passos dela e de Emily, o conselho é ser realista e tomar a iniciativa. “Precisei me esforçar para fazer novas amizades. Antes de chegar a Paris, eu era supertímida, então isso não fazia parte da minha personalidade. Hoje sou bem extrovertida. Fiz a maioria das minhas amizades pelas redes sociais. É fundamental encontrar pessoas com os mesmos interesses”, pontua ela. 

Também é importante pesquisar e se informar sobre algumas das realidades que Emily provavelmente enfrentou longe das câmeras. Segundo a própria Mimi, “a burocracia é complicada. Preciso renovar meu visto todos os anos, e sempre surge algum problema. Às vezes, tenho que reenviar o mesmo documento, que depois é aprovado do nada. Outro desafio é encontrar apartamento, pois pedem um fiador francês. E abrir uma conta no banco é muito difícil. Faz pouco tempo que consegui abrir minha primeira conta em um banco francês”. 

Mas, assim como a personagem que inspirou a sua mudança, Mimi deu a volta por cima com persistência, determinação e muito jogo de cintura: “Quando comecei a trabalhar, o problema não era tanto o idioma em si, mas a dificuldade de bater papo e expressar minha personalidade em outra língua. O humor é diferente, e acabei desenvolvendo outra personalidade em francês. Minha versão britânica é muito mais autodepreciativa porque o nosso estilo de humor é assim. Já quando falo francês, sou mais animada”.

Depois de concluir a graduação em estudos franceses e um mestrado em marketing, Mimi trabalha como trainee em uma empresa francesa de marketing e, ao mesmo tempo, desenvolve o próprio negócio de criação de conteúdo para redes sociais. O que começou como um projeto paralelo para registrar o lado romântico de Paris está prestes a se tornar sua atividade principal: “Vou lançar minha agência em janeiro e quero ver os rumos que ela vai tomar. Meu sonho é ter um espaço próprio, com a minha identidade. É para onde eu acho que tudo está caminhando, e seria maravilhoso”.

Mimi não se imagina vivendo em outro lugar. “Eu me vejo como uma senhorinha francesa que mora no 16º arrondissement e tem um chihuahua. Eu me vejo morando aqui para sempre”, conta. Até chegar a essa fase, ela pretende aproveitar o melhor da cultura francesa, que, como a série sugere, gira em torno de valorizar os simples prazeres da vida. “Hoje eu adoro almoços longos e comer fora com meus colegas de trabalho. É muito legal, ainda mais quando é aniversário de alguém. Ficamos duas ou três horas, fazemos uma refeição completa e tomamos uma taça de vinho. Antes eu vivia presa à minha mesa de trabalho e achava que isso era o certo. Mas, quando a série mostrou que os franceses trabalham para viver, eu percebi que aquilo era verdade. Hoje eu nem acredito que essa é a minha vida”, comemora Mimi.

Assista a Emily em Paris na Netflix.

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