





Para muitas pessoas, Gloria Steinem, que morreu em 2 de setembro de 2026, foi a principal figura do movimento feminista por mais de meio século. Mas, em sua última entrevista, a escritora, editora de revista, palestrante e ativista deixou claro que discordava veementemente disso.
“Espero não ter sido o rosto do movimento feminista”, contou ela ao produtor executivo de Últimas Palavras, Brad Falchuk, em uma entrevista confidencial, que ela sabia que só seria divulgada após sua morte, gravada em fevereiro de 2025. “Não é certo. É um movimento diverso. Minha fama tem mais a ver com permanência porque eu estive envolvida por mais tempo”.
A conversa passou por família, pela carreira de Gloria como escritora e fundadora da revista Ms., por seu gosto por reality shows e por seu trabalho como ativista pela igualdade global. Ao longo dela, Gloria destacou a importância da comunidade e de reunir pessoas com histórias e pensamentos diferentes, algo especialmente relevante diante das disputas internas do movimento feminista, incluindo o próprio atrito com a escritora feminista Betty Friedan. “Você nunca está sozinha dentro de um movimento, então não é tão difícil quando é mal-interpretada por aí”, disse ela.
Sem ilusões sobre o tanto que ainda falta fazer, Gloria encarava de frente a luta inacabada que deixava para trás. “Não perco toda a esperança no futuro. Não faltam coisas a serem feitas para termos mais compaixão uns com os outros”, disse ela.
Quando Brad perguntou como ela se sentia diante da própria ausência, Gloria respondeu: “Não sei se podemos contemplar nossa própria inexistência. Mas só espero que eu tenha, mesmo que acidentalmente, deixado para trás algumas palavras, ou ações, ou histórias, ou algo que seja útil e prazeroso para as pessoas, eu espero. Para as pessoas que vão continuar muito depois de nós.”
Perguntada sobre como gostaria de ser lembrada, Gloria resumiu tudo numa frase só: “Eu fui uma pessoa que tentou tornar o mundo um pouco mais igual, compassivo, alegre e engraçado do que era quando eu cheguei.”
Ao ouvir que havia escolhido o caminho mais difícil rumo ao progresso e à mudança, ela respondeu: “Não parece mais difícil. Parece divertido”.

Gloria Steinem e Brad Falchuk
“Neste ambiente, longe dos microfones e das manchetes, Gloria Steinem não era mais o símbolo de uma revolução: era uma mulher falando sobre a simples e profunda beleza da conexão humana”, relembrou Brad à Netflix. Ele conta que, mesmo àquela altura, ela seguia organizando as pessoas ao redor, desafiando todos a continuar. “Ela falou sobre raça, gênero e paz com uma sabedoria que só vem de uma vida inteira na linha de frente. Foi um privilégio extraordinário poder compartilhar seus últimos pensamentos com o mundo”.

Ao fim da entrevista, Brad saiu de cena para que Gloria pudesse falar diretamente para a câmera e deixar seus últimos pensamentos públicos, sem edição alguma. Confira, na íntegra:
“Olá, todos vocês, indivíduos únicos por aí. Estou muito feliz em conhecê-los através da magia da mídia. Eu gostaria de conhecer cada um de vocês pessoalmente, mas, de certa forma, é isso que nos permite agora ver a vida uns dos outros, influenciar a vida uns dos outros, respeitar uns aos outros e, portanto, perpetuar o que esperamos que seja uma democracia global.
Sintam-se à vontade para responder da forma que puderem e contem suas próprias histórias. É a coisa mais importante que podemos fazer uns pelos outros, nos conhecermos através de histórias, e espero muito que quem quer que esteja ouvindo agora possa fazer o que ama, ser a pessoa única que você é.”









































