




Só que esse medo não a impediu de ser a primeira protagonista mulher da série.
Ella Beatty tende a evitar filmes e séries que tenham muita violência. “Eu sou uma pessoa muito assustada. Não gosto nem de ver TikToks de gente caindo!”
Ninguém imaginaria isso após testemunhar a atriz no papel de Lizzie Borden, a mulher que está no centro de Monstro: A História de Lizzie Borden, quarta temporada da série antológica e vencedora do Emmy® de Ryan Murphy e Ian Brennan. Mesmo se descrevendo como incrivelmente medrosa, a atriz ilumina a tela quando está com um machado nas mãos. Ela brilha de um jeito quase angelical, coberta de respingos de sangue à moda de Jackson Pollock.
Assim como Ella Beatty, muita gente nos Estados Unidos conhece a personagem apenas por conta da cantiga que diz: “Lizzie Borden se irritou, com um machado a mãe matou”. No entanto, a série apresenta Lizzie e faz uma interpretação de sua vida. Após ser julgada e inocentada pelo assassinato do pai e da madrasta em 1893, ela passou o resto da vida sendo encarada com desconfiança.
“É um caso bastante polêmico. Muita gente tem várias opiniões sobre o que teria acontecido de fato e também sobre a Lizzie. Como atriz, acho que foi um ponto de partida muito interessante, mas basicamente senti que meu trabalho era explorar a personagem que Ian e Ryan criaram, pegar todo o material sobre a vida da pessoa real e traduzi-lo para a versão fictícia dessa mulher”, explica Ella Beatty.
A atriz, que também estrelou Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria e Feud: Capote vs. The Swans, de Ryan Murphy, ficou intrigada com a chance de interpretar a primeira mulher Monstro. Ella passou muito tempo pensando em Lizzie e também em como seria a vida de qualquer jovem mulher naquele momento da história: “Ela é o exemplo perfeito de uma criatura do próprio tempo. Acho que ser mulher naquela época nos Estados Unidos era se sentir confinada em termos sexuais, espirituais e emocionais. O papel que uma mulher podia desempenhar era muito pequeno”.
Ella se junta aos colegas de Monstro Charlie Hunnam, que interpreta o pai de Lizzie, e Vicky Krieps, que faz Bridget, empregada que mora com a família Borden e apresenta Lizzie a um mundo que vai além das expectativas de uma sociedade patriarcal. “Eu sabia que Ryan Murphy e Ian Brennan estavam muito interessados em abordar os motivos pelos quais as mulheres matam. Eles queriam explorar o que leva uma mulher ao ponto da violência”, explica Ella Beatty.
Mesmo sabendo que o público vai chegar às próprias conclusões, a atriz acredita que a série é “um exercício de empatia, de tentar entender o cérebro de pessoas complicadas e seus traumas”. Esse jeito de pensar foi muito útil para ela, especialmente nos dias em que precisou filmar as cenas de assassinato.
“Eu não gosto de ver gente ferida. Isso me perturba de um jeito visceral. Por isso, ao entrar neste projeto, questionei como iria encarar essa situação. Mas a equipe envolvida na criação desses momentos foi incrível: a maquiagem, os figurinos, cenários, as dublês. Tem tanto amor e tanto trabalho envolvido na criação de momentos como esse na série que eu me senti muito privilegiada e empolgada por desempenhar minha pequena parte nesse processo”.
Mesmo que essa pequena parte estivesse coberta de sangue.




















