



Em seu primeiro papel de protagonista, ao lado de Kate Hudson na série de Mindy Kaling, a arte imita a vida.
Tinha quer ser o Chet Hanks. É impossível imaginar outra pessoa interpretando Travis Bugg, armador do Los Angeles Waves na nova comédia de Mindy Kaling, A Dona da Bola. “Chet Hanks fez uma audição tão incrível que todos sabíamos que teria que ser ele”, conta o cocriador Ike Barinholtz à Netflix.
Chet rouba o show como Travis, rapper nos momentos livres e dor de cabeça constante de Isla Gordon, uma mulher festeira que acabou virando presidente do time de basquete Los Angeles Waves, interpretada por Kate Hudson. Ao longo de 10 episódios, Travis é muitas vezes teimoso, às vezes vulnerável e sempre engraçadíssimo. Nas mãos de Chet, o personagem deixa de ser uma caricatura rasa para se tornar a alma da série. “Amei trabalhar com o Chet, ele é muito bom nisso. Acho que todos vão se surpreender e adorar o que ele faz com o personagem”, diz Kate.

Em A Dona da Bola, Chet teve a chance de atuar com algumas lendas da comédia: Scott MacArthur, Justin Theroux e Drew Tarver interpretam o trio de irmãos Gordon; e Max Greenfield, Jay Ellis e Brenda Song também dividem a tela com Kate e Chet. Nicole Sullivan (MADtv) é Bonnie, a mãe controladora de Travis que adora uma teoria da conspiração. David Stassen é cocriador da série, ao lado de Ike Barinholtz e Mindy Kaling, e os produtores executivos são Kate Hudson, Howard Klein, Jeanie Buss, Linda Rambis, Michael Weaver e James Ponsoldt.
Kate conta que Chet foi contratado para ser ele mesmo, e foi isso que ele entregou. “Ele se dedicou, entendeu a tarefa e mostrou como tem talento para a atuação. É muito interessante quando uma pessoa está disposta a tirar sarro de si mesma, isso diz muito sobre ela. Ele topou tudo porque tem um ótimo senso de humor, e isso é um pré-requisito em A Dona da Bola”, detalha.
Abaixo, Chet conta quais cenas improvisou e por que não precisou ir muito longe para encontrar inspiração para o personagem.
Participei da audição como todos os outros. Travis era muito parecido comigo. Na verdade, ele é só uma versão exagerada de mim mesmo. Por isso, eu queria o papel. A descrição dizia que ele é um cara branco, tatuado, que quer ser rapper e está sempre se metendo em uma cilada por causa do que posta nas redes sociais. Então, pensei: “Cara, se eu não conseguir esse papel, será o momento de abandonar a carreira”.


A parte mais difícil para mim foi o basquete, que não aparece muito. Marquei presença na academia, contratei um treinador particular e fiquei repassando jogadas de basquete. E o rap, se você já foi ou tentou ser rapper, sabe que não tem muito mistério.
Na minha opinião, toda cena é um novo começo, porque cada uma delas é diferente. Para mim, Mindy Kaling, Ike Barinholtz e David Stassen são gênios da comédia, e eles me incentivaram e apoiaram muito. Eles me deixaram improvisar, falar o que estava pensando na lata e desviar um pouco do roteiro. O texto é fantástico, mas eu queria fazer alguns ajustes, para dar ainda mais vida a um personagem que já era muito vibrante.
No trecho em que eu passo desodorante e falo: “Eu vi os teus peitos na internet”, o desodorante não estava no roteiro. Eu inventei na hora porque o lugar estava cheio de objetos. Vi o desodorante e pensei: “Se estivesse me arrumando depois de uma partida, é isso que eu faria”. Pequenas coisas assim dão vida ao personagem, porque as pessoas são assim na vida real. Elas fazem e pegam coisas no meio da conversa.

Para mim, esses diversos lados do personagem foram uma oportunidade de mostrar mais versatilidade, então não foi difícil achar um equilíbrio. Mas é isso que eu amo no Travis: ele é muito espontâneo. O personagem é um coringa imprevisível. Então, essa evolução encaixou bem no papel.
Ele nos faz rir porque não sabe que é engraçado. Ele não acha que está sendo ridículo. É como um alienígena. Ele vive no próprio mundinho, mas no fundo é muito autêntico, por isso todos o adoram.
No começo, Travis não leva Isla muito a sério. Ele é grosseiro de propósito porque quer ser vendido para um time de Miami. Como ele é da Flórida, não se sente valorizado no Los Angeles Waves. Mas Isla encontra um jeito de convencê-lo e eles acabam tendo uma relação sólida sem tanto esforço. É uma dinâmica muito irada.
Dizem que Travis é a alma do time, e eu não discordo. Mas é claro que a estrela é Marcus, interpretado por Toby Sandeman. Então, para a equipe funcionar, eles precisam se dar bem. Isso é ótimo porque abre espaço para toda a história da amizade entre Travis e Marcus.
Eu me diverti muito com Nicole Sullivan, que interpreta a mãe do Travis. Ela é fenomenal. Ela chegou no set e sabia exatamente o que estava fazendo. Não é fácil ocupar esse espaço, mas ela é um ícone da comédia e arrasou.
Ela improvisou muito, como aquela fala sobre a salmonela ser uma mentira para manipular as massas, que eu achei muito engraçada. Todo mundo no set riu quando ela disse isso, então acabou aparecendo na versão final.

Quando vi os episódios, fiquei feliz com minha atuação, mas o que mais me empolgou foi como todos eram engraçados e interagiam de forma muito natural. Para mim, foi demais fazer parte de uma produção tão incrível, porque senti que cada personagem tem seu próprio carisma e senso de humor, e todos foram executados com perfeição.
Trabalhar com Kate Hudson foi muito natural. Ela é profissional e define o ritmo de toda a série. Não é um trabalho fácil, mas ela arrasa nisso.
Não tenho ideia do que vai acontecer com Travis em uma possível segunda temporada, mas adoraria que ele encontrasse o amor, talvez um relacionamento tóxico, um pouco de drama se engravidar alguém. Espero que ele tome jeito. Tomara que aprenda a lição.
Tomara que o público goste. E espero que saibam que um dos pontos fortes da série é que pode agradar a todos. Homens, mulheres, fãs de esportes, quem não liga para esportes, todas as faixas etárias. Com certeza, qualquer pessoa pode se divertir com ela.















































