Laurinha Lero resolveu dar uma chance para o k-drama — e olha só o que aconteceu - Netflix Tudum

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    Laurinha Lero resolveu dar uma chance para o k-drama — e olha só o que aconteceu

    A podcaster conta como foi sua primeira experiência com uma novela coreana, a já clássica Pousando no Amor.

    Texto original de Laurinha Lero
    30 de set. de 2026
Este texto foi escrito por Laurinha Lero, a podcaster com o humor mais ácido do Brasil.
Ela comenta histórias dos ouvintes toda semana no Pod de Chique, com Ana Mary B.

Desafiada pelo Tudum.com a maratonar pela primeira vez uma novelinha coreana, eu fiz minha pesquisa, entrei no personagem e sentei no sofá me achando preparadíssima. Suéter comicamente grande pro meu corpo? Check. Café gelado com canudo pra não atrapalhar a máscara facial? Check. Tábua de queijos e frutas pra beliscar enquanto assisto e com certeza atrapalhar a máscara facial? Check. Hora da novela! 

Um homem e uma mulher asiáticos se abraças debaixo de um guarda-chuva

Opção de K-drama na Netflix é o que não falta. Tem Uma Advogada Extraordinária, Meu Demônio Favorito, Pretendente Surpresa e qualquer outra combinação que você imaginar entre um substantivo e um adjetivo. Mas a sinopse que mais me chamou a atenção para esse experimento (super científico, diga-se de passagem) foi a de Pousando no Amor, título que hitou em 2019 e já virou um clássico do gênero. 

Diz a sinopse: “Um acidente de parapente leva uma herdeira sul-coreana à Coreia do Norte.” Chiquérrimo isso de acidente de parapente. Se voar de parapente já é chique, imagina cair? Só herdeiro mesmo. O máximo de acidente que acontece comigo é tropeçar na calçada esburacada, e pode ter certeza que não vai ter nenhum bofe esperando para me segurar nos braços. 

Um homem em trajes militares e uma mulher de macacão roxo conversam no meio de uma floresta, com um parapente preso a uma das árvores próximas

Mais chique ainda é o detalhe de cair justo na Coreia do Norte — um país cuja relação diplomática com a Coreia do Sul é delicadíssima. Nada melhor para apimentar um romance do que décadas de intriga internacional. 

Ao longo da novela, nossa heroína, além de se apaixonar, também é acusada de espionagem, corre num campo minado e leva tiro de soldado enquanto foge. Tem gente que nasce com toda sorte do mundo… Além de sortuda, Yoon Se-ri (Son Ye-jin) — nossa protagonista —  é belíssima, riquíssima e super empreendedora. Só falta mesmo é ser feliz. 

Rejeitada pela mãe, excluída pelos irmãos e cronicamente solteira, Se-Ri vive para gerenciar a própria marca de roupas. Até os encontros dela são ensaiados para render flagras de paparazzi em que ela aparece, por coincidência, vestindo os acessórios da próxima coleção. Para alguém que vive assim, cair de parapente é férias.

Uma mulher asiática em trajes formais pretos segura uma bolsa e olha para a câmera

Apaguei a luz, me enfiei debaixo das cobertas e dei play em Pousando no Amor, pensando que a novela ia dar aquela enrolada clássica e deixar o acidente lá pro finzinho do primeiro episódio. Normal esperar isso, né? Novela brasileira é cheia de lenga-lenga, sempre esticam tudo. Se pudessem botavam até água no roteiro para render mais. 

Imagine minha surpresa, então, em descobrir que o acidente acontece nos primeiros QUINZE MINUTOS da série, quando Se-ri é pega de surpresa por nada mais, nada menos do que um TORNADO enquanto voa de parapente.

Uma mulher de camisa branca, aparentemente ferida, recosta sobre uma árvore

Foi aí que comecei a desconfiar de que NÃO estava preparada para o ritmo frenético do K-drama. Nesse mesmo episódio, antes do acidente, o pai da Se-ri sai da cadeia e organiza um jantar para anunciar a filha como herdeira da grande corporação da família. Se-ri aceita e aproveita para fazer o próprio anúncio: assim que assumir o cargo, vai demitir os dois irmãos. E sai vazada! Nas palavras dela: “Vou embora. Bom apetite. Se eu ficar, podem ter uma indigestão.” Achou pouco? Tem mais. 

Depois de se acidentar (de parapente! Importante detalhe), Se-ri acorda na fronteira entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, onde dá de cara com um bem-apessoado capitão do Exército (Hyun Bin) e prontamente esquece do acidente, do tornado e de tudo mais que não seja esse belíssimo homem de quepe. Ela é perseguida pelo militar no meio da selva, até que ele pisa numa mina terrestre e precisa ficar paradinho para não explodir ali mesmo. 

Fugindo do capitão, Se-ri é ameaçada por outro soldado e foge, cruzando sem querer a fronteira em direção à Coreia do Norte. No meio dessa fuga, ela só não é avistada pelo vigia porque ele estava ocupado assistindo… novelinha coreana!

Homem com traje militar observa uma área de floresta

Isso tudo aí não é nem metade do que acontece no primeiro episódio. Eu nem comentei do boy lixo e golpista, o Seung-joon, que foge pra Coreia do Norte pra não ser preso por roubar dinheiro do irmão da Se-ri, e acaba se apaixonando pela noiva do capitão que a própria Se-ri tá apaixonada… Que complicação, gente. Tem que montar um daqueles quadros de detetive com barbante vermelho pra acompanhar esse plot. 

É romance, é herança, é espionagem, é velha fofoqueira, é parapente no tornado. Parece que concentraram três meses de novela em 40 minutos. As coisas não param de acontecer! 

Não sei se eu tenho o que é preciso para acompanhar novelinha coreana. Acho que caí de parapente no K-drama no momento errado da minha vida. Muita informação pra minha cabeça, gente. Minha vibe agora está mais para um entretenimento calminho; reality de confeitaria, compilações de dez horas de sons de chuva. 

Um homem e uma mulher asiáticos dividem uma bicicleta em um caminho de floresta, com árvores dois dois lados da pista

Precisei até dar um passeio antes de continuar assistindo. Peguei um ar e voltei mais tranquila. Dei play no segundo episódio, depois no terceiro, no quarto, e quando fui ver… eram cinco da manhã. O café gelado esquentou, os queijinhos desapareceram misteriosamente e a manga do suéter ficou toda molhada de enxugar o rosto. 

Talvez o K-drama não seja pra mim, mas valeu a pena assistir Pousando no Amor até o final. O título, aliás, é perfeito. Afinal, o que é o amor senão um longo e poético acidente de parapente?

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