





Um chef obcecado pelo trabalho, um diagnóstico inesperado e um vira-lata caramelo bem brasileiro que chega sem pedir licença. É desse encontro que parte Caramelo, filme protagonizado por Rafael Vitti e Amendoim, um cão que apareceu por acaso durante a busca pelo protagonista de quatro patas e acabou conquistando o papel.


Na trama, Pedro (Vitti) é um jovem chef prestes a realizar o sonho de liderar um restaurante quando é diagnosticado com um tumor cerebral. Nesse período de incertezas, Caramelo, fofo e serelepe, cruza o seu caminho e começa a ocupar espaço em uma rotina até então dominada pelo trabalho. A convivência e a amizade com o cachorro fazem Pedro prestar mais atenção ao presente, às pessoas à sua volta e ao que ainda deseja fazer com a própria vida.
Com direção de Diego Freitas, o longa foi filmado em São Paulo e estreou na Netflix em 8 de outubro de 2025. E a dupla vista na tela tem boas histórias para contar fora dela. Amendoim tinha cerca de quatro meses quando foi encontrado durante a busca pelo protagonista canino, Vitti levou o colega de elenco para dormir em casa e nada menos que 83 cachorros participaram das filmagens. Tem muito mais sobre Caramelo a seguir.



A origem de Caramelo envolve outra figura canina de pelinhos dourados. Durante a pandemia de Covid-19, o cineasta Diego Freitas, de Depois do Universo e O Lado Bom de Ser Traída, adotou Paçoca, uma cadelinha que havia sido resgatada. A experiência despertou nele a vontade de fazer um filme brasileiro protagonizado justamente por esse ícone das ruas do país: o vira-lata caramelo. Paçoca se tornou a inspiração para a história — e ainda participou do teste de Rafael Vitti. “No dia, o Amendoim não estava lá, mas curiosamente a cadela do Diego estava. Uma das cenas era com cachorro e é sempre bom ter um estímulo vivo ali, real. Eu perguntei se poderia fazer o teste com a Paçoca e ele autorizou”, diz o ator.

O cineasta Diego Freitas, diretor de ‘Caramelo’
Além de Rafael Vitti e Amendoim, o elenco de Caramelo conta com Arianne Botelho, Noemia Oliveira, Ademara, Kelzy Ecard, Bruno Vinicius, Roger Gobeth, Olívia Araújo, Cristina Pereira e Carolina Ferraz. Paola Carosella também faz uma participação especial como crítica gastronômica. Fã de MasterChef, Diego Freitas conta que queria a chef no longa desde que decidiu fazer de Pedro um cozinheiro.
Pode-se dizer que Amendoim chegou ao projeto por conta própria. Depois de seis meses em busca do cão ideal, o treinador Luis Estrelas ainda não havia encontrado o “cãotagonista” do filme. Até que um filhote apareceu na frente da casa de Jeová Oliveira, irmão de Luis e também treinador do longa, e passou horas por ali. “O Amendoim apareceu pedindo emprego”, resume Luis.
Quando as filhas de Jeová chegaram em casa e abriram a garagem, o visitante entrou — e nunca mais saiu. Na época, Amendoim tinha aproximadamente quatro meses e, inicialmente, foi considerado jovem demais para interpretar Caramelo. Luis insistiu que daria tempo de prepará-lo até o início das filmagens. O cãozinho então foi “estagiar” na escola Estrelas Animais, onde começou a se acostumar à rotina de um set, até conquistar o papel. Hoje, Luis e Jeová dividem a guarda do astro canino.

A escola do nosso protagonista de quatro patas tinha regras um pouco diferentes das de um curso convencional de adestramento. Para interpretar Caramelo, Amendoim precisava aprender justamente comportamentos que tutores costumam desencorajar em casa: rasgar o lixo, destruir as almofadas e o sofá e fazer xixi fora do lugar estavam entre as atividades estimuladas durante o treinamento.
A dedicação foi tanta que a equipe precisou tomar cuidado até com a palavra “ação”: Amendoim passou a associá-la à hora de aprontar e corria para a frente das câmeras assim que a ouvia.
O cachorro também aprendeu a responder a gestos, recurso importante durante a captação do som direto. Entre os truques, sabia latir, espirrar e mudar a velocidade ao caminhar. Só um desafio ficou pendente: uivar. Esse comando Amendoim nunca aprendeu.
A química entre os protagonistas — o humano e o animal — não ficou restrita às filmagens. Rafael Vitti, que já era tutor de dez cães, quis criar uma relação real com Amendoim e pediu autorização para recebê-lo no apartamento onde estava hospedado em São Paulo durante as gravações. Uma ou duas vezes por semana, quando a rotina permitia, Amendoim ia para lá e dormia com o ator.
A convivência também ajudou Vitti a aprender os comandos usados pelos treinadores. O cachorro passou até a reconhecer um assobio que o ator fazia ao chegar ao set. E Vitti terminou as filmagens aumentando a família: adotou Leôncio, cachorro de três patas que participou de Caramelo como figurante.

Amendoim teve muitos colegas de trabalho. Entre o elenco fixo e a figuração, 83 cães participaram das filmagens. Para cuidar deles, 17 profissionais trabalharam no treinamento e no bem-estar dos animais: 12 treinadores, três assistentes e dois veterinários.
A rotina dessa cachorrada incluía exercícios como caminhada e natação, além de massagem depois das gravações. No set havia ainda um “cãomarim”, espaço reservado para descanso, sonecas e refrescos, com acesso controlado para que ninguém atrapalhasse os bichinhos durante a pausa. Nota de fofura: os cães resgatados que participaram do longa ganharam novos lares ao fim do trabalho.
Sim, Amendoim teve dublês — e cada um tinha uma especialidade. Os cães precisavam se revezar para ter períodos adequados de descanso, por isso a equipe buscou outros caramelos com características semelhantes às de Amendoim.
Derek era especialmente parecido com o protagonista e gostava de ficar no colo. Xereta tinha uma tonalidade de pelo quase idêntica e ajudava nas marcações e tomadas de costas. Sorriso, que recebeu esse nome por mostrar os dentes ao “sorrir”, aparecia em planos mais abertos.
Caramelo em uma fase mais velha foi interpretado por Amarelo, um cachorro de 15 anos. Para a fase filhote, vários cãezinhos foram selecionados ao longo das filmagens, já que eles cresciam rapidamente.




































